02 August 2017

FAZER A DIFERENÇA

Decididamente, torna-se cada vez mais difícil entender o que pretende a oposição de direita no nosso país.

Sem argumentação política e sem programa claro, os seus dirigentes, além de se repetirem, vão ao ponto de utilizar os discursos uns dos outros, mesmo em declarações feitas na Assembleia da República.

Voltou a ouvir-se a falácia estafada de que o actual governo não terá ganho as Eleições de 2015, procurando fazer esquecer que as Eleições legislativas elegem deputados para a Assembleia da Republica, onde as maiorias criadas neste órgão vão permitir aprovar as leis que mantêm os governos, o que é a situação actual.

Mas a oposição de direita ao lançar esta confusão, que mais parece uma manobra de ilusionismo barato, não o faz por ignorância ou distracção, mas por pura má-fé política.

Os incêndios florestais no centro do país e o presumível roubo de armamento do paiol de Tancos foram vistos pela direita e pelos seus apoiantes na comunicação social como um óptimo pretexto a que era necessário deitar a mão de qualquer maneira. O propósito seria atacar o governo, os partidos que lhe dão apoio na Assembleia da Republica e de continuar a fazer propaganda em torno das suas convicções políticas neoliberais, que até os seus mentores da Comissão Europeia já começam a procurar esquecer.

As declarações proferidas pelos dirigentes do PSD e do CDS no debate sobre o estado da Nação, que teve lugar no Parlamento, são aprova do completo desnorte em que se encontram.

No seu discurso, Luis Montenegro, líder parlamentar do PSD em vias de saída, esforçou-se, de forma pouco conseguida, por provar que o governo “colapsou”, utilizando este vocábulo inúmeras vezes. Aliás esta palavra passou a ser a bandeira do PSD.

O competente ex-primeiro ministro, Pedro Passos Coelho descobriu, repetindo argumentos alheios, que o governo actual perdeu a autoridade política, já que a eleitoral nunca a terá tido. Parece estranho este discurso, vindo de um líder que nem no seu próprio partido consegue fazer-se ouvir.

Já Assunção Cristas glosou insistentemente a sua pretensão revanchista em exigir a demissão do Ministro da Defesa e da Ministra da Administração Interna.

Os mais recentes anúncios de melhoria da situação económica e financeira do país pouco lhes diz e muito menos a melhor situação dos trabalhadores e reformados, que apesar de insuficiente, parou a deriva de empobrecimento levada a efeito insistentemente pelo governo que ambos integraram.

Manifestamente nem tudo são rosas na actuação do governo PS. Por exemplo, as medidas que levaram ao benefício da EDP em poupança de muitos milhões de euros em impostos, o que não é a melhor forma de contribuir para uma verdadeira justiça social.

Uma das negociatas mais obscuras do governo PSD/CDS foi a venda da PT à Altice, sem qualquer garantia que assegurasse a manutenção da empresa e dos postos de trabalho, já que o patrão da Altice é conhecido pelas suas declarações do tipo: se pudesse nem pagava salários. É conhecida a situação grave em que se encontram cerca ade 3.000 trabalhadores da PT, em risco de despedimento, facto que tem sido denunciado nas ruas. Agora a Altice comprou a TVI. Trata-se de uma perigosa concentração de órgãos de comunicação social nas mãos de uma empresa, perigoso para a liberdade de opinião e para a democracia e até um banco, a Altice se propõe criar em Portugal.

 Mas a Altice conta com importantes defensores das suas posições em Portugal, Passos Coelho que veio defender a controversa empresa, face às declarações do primeiro-ministro no parlamento sobre a conduta da PT, e agora Assunção Cristas que considera indigno o primeiro-ministro atacar a impoluta Altice, que só por acaso integra o SIRESP.

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Em Matosinhos iniciam-se as tarefas da pré-campanha eleitoral para as Eleições Autárquicas de 1 de Outubro de 2017.

Infelizmente, estabeleceu-se uma enorme confusão acerca do que representam estas eleições. Quem vir a propaganda já profusamente espalhada pelo concelho, pode pensar que se trata de uma eleição para um cargo uninominal de presidente da Câmara, mas de facto a eleição é para a vereação da Câmara, para a Assembleia Municipal e para as Assembleias de Freguesia, das quais decorre o presidente.

Este entorse, do que está previsto na legislação autárquica, provoca alterações graves no entendimento público do que representam estas eleições para uma vivência em democracia. Assim, a presidencialização das Câmaras torna a administração local pouco democrática, roçando até formas de autoritarismo autocrático de governação.

Uma autarquia deve ser gerida por uma equipa, com decisões pensadas colectivamente, sem personalismos populistas, que são uma tentação mais vulgar do que deveria.

Aos eleitores deveria interessar mais o programa que cada equipa apresenta, do que a figura do candidato, cabendo-lhe fiscalizar o seu cumprimento, o seu laxismo ou facilitismo. Dizem-nos que todos prometem muito, mas depois pouco fazem. Ora, também cabe aos cidadãos estar presentes, monitorizar o cumprimento das promessas eleitorais e não se limitarem a votar a cada 4 anos.

A candidatura do Bloco de Esquerda para as autarquias de Matosinhos tem vindo a manter contactos com numerosos representantes de organizações e da população para elaborar o seu programa e será este que será apresentado pelos candidatos ao sufrágio do eleitorado.

 A nossa campanha, utilizando os meios ao nosso dispor, sem gastos excessivos, sem recurso a eventos luxuosos nem estrelas mediáticas, privilegiará o contacto com os eleitores e continuará a ouvir as pessoas. É que não esquecemos que os gastos com a propaganda das candidaturas são integralmente pagos pelos contribuintes. Não iremos utilizar ataques pessoais e infrapolíticos que só interessam à coscuvilhice, mas não hesitaremos em denunciar incoerências, atropelos, mentiras e tudo o que nos parecer errado. Quanto a nós é a acção política que deve ser objecto de crítica. E só.

18.07.2017

José Joaquim Ferreira dos Santos
Membro da Assembleia Municipal e candidato à Câmara de Matosinhos pelo Bloco de Esquerda

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