28 June 2017

PROTECÇÃO E SOCORRO

A aceleração do aquecimento global e as alterações climáticas no planeta são iniludíveis. Tentar negar estas realidades só pode demonstrar ignorância ou má-fé.

A principal causa destas alterações tem origem na actividade humana, nomeadamente na emissão para a atmosfera de gases com efeito de estufa, em grande parte pela utilização de combustíveis fosseis como carvão e hidrocarbonetos.

A substituição destes combustíveis por fontes de energia alternativa, mais limpa, é condição para conter o ritmo da progressão das alterações climáticas.

Por isso, 195 países assinaram em Paris um acordo visando um compromisso de baixar, de forma significativa, a emissão de gases com efeito de estufa. Entre esses países contam-se a China e os Estados Unidos, o primeiro e o segundo maiores poluidores, mas também a União Europeia e a India, que contribuem de forma sensível para a taxa de poluição.

Com uma atitude prepotente e absolutamente insensata o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, conforme já tinha anunciada na sua campanha eleitoral, decidiu abandonar o acordo de Paris, o que tornou a situação um pouco desequilibrada, pois os Estados Unidos representam cerca de 15% do volume total de poluição a nível mundial. A opção de Donald Trump pela energia proveniente dos combustíveis fósseis constitui um retrocesso grave.

Os restantes países signatários do acordo fizeram declarações no sentido de continuarem a sua acção em defesa do meio ambiente. Na realidade as energias alternativas começam a ser bastante mais favoráveis também economicamente.

O planeta é a nossa casa comum. É nossa obrigação desenvolver acções para impedir a destruição do meio ambiente, Compete a cada um de nós agir de forma persistente, e sem demagogias que muitas vezes, descredibilizam a acção dos ecologistas.

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Tenho vindo a alertar para o facto do município de Matosinhos ter condições de perigosidade acima do normal, dada a existência de diversos factores que potenciam o perigo.

Não é só a existência de uma refinaria de petróleo, de depósitos de combustíveis dentro da cidade, de um porto com terminal de petroleiros, do atravessamento por inúmeras rotas de aproximação ao aeroporto, de auto estradas muito movimentadas, de inúmeras indústrias, a par de uma grande densidade urbana.

A atenção deve passar por cuidar e preparar os quatro corpos de bombeiros do concelho para as especificidades locais e assim dotar os mesmos de condições que permitam assegurar uma rápida e eficiente prestação de socorro em caso de necessidade.

Recordo que há dias ocorreu um grande incêndio num prédio, na Freguesia de Leça do Balio, que obrigou à intervenção dos bombeiros.

Tratou-se de uma situação complexa num estabelecimento com materiais facilmente combustíveis e que desenvolveram uma carga térmica elevadíssima. Os prejuízos causados no prédio de habitação e comércio foram muito elevados, temendo-se pela segurança do próprio edifício.

Os bombeiros atacaram o fogo de forma abnegada como lhes é habitual, chegando a ser necessária a assistência hospitalar de vários elementos. A sua dedicação foi bem patente nas fotos dos jornais e nas reportagens televisivas, com bombeiros completamente esgotados deitados nos passeios.

Entretanto, sabe-se que se verificaram algumas carências de material de ataque ao incêndio. Desde logo, as garrafas de ar comprimido, absolutamente necessárias para atacarem o fogo em proximidade, que têm uma duração pequena e exigem um reabastecimento rápido e no local. Os diversos corpos de bombeiros de Matosinhos não possuem um compressor móvel que permita esse carregamento imediato.

O ataque a um sinistro deste tipo passa pela utilização de espuma e para isso bastaria uma pequena adaptação dos tanques, que os corpos de bombeiros possuem, para que fosse muito aumentada a capacidade de socorro, evitando a utilização de meios a deslocar de longe, o que é mais dispendioso e demorado.

Trata-se de equipamentos relativamente baratos e que deveriam constar do material à disposição do conjunto dos bombeiros de Matosinhos, em economia de meios e utilizável por todos os corpos existentes.

Cabe à coordenação da protecção civil dotar Matosinhos destas condições mínimas que permitam maior segurança aos Matosinhenses.

As preocupações do Bloco de Esquerda com as questões da protecção e do socorro no nosso Concelho são recorrentes e foram objecto de inúmeras propostas ao longo dos anos. Porque o assunto é grave, vamos continuar com o alerta para estas questões. Mais vale prevenir que remediar.

No passado domingo a avaria eléctrica que atingiu a Refinaria de Leixões, pata além do susto, não provocou, felizmente, danos, mas deve constituir um aviso muito sério. O laxismo e o conformismo não são respostas para nada.


Os trágicos acontecimentos dos últimos dias no incêndio do centro do país, para alem de inspirar a nossa solidariedade com as vítimas e a gratidão pela entrega abnegada dos bombeiros e restantes forças públicas, não devem fazer esquecer a necessidade imperiosa de investir na formação e no equipamento que permita agir de forma eficiente e assim potenciar a dedicação dos bombeiros.

21.06.2017
José Joaquim Ferreira dos Santos
Membro da Assembleia Municipal de Matosinhos pelo Bloco de Esquerda 

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