02 May 2017

TEMPOS DE OPACIDADE

O populismo que anda à solta, não passa de uma prática política utilizada, não raras vezes, pelas forças de direita, para camuflar a sua verdadeira face, sob pretexto de uma falsa defesa dos interesses populares, arvorando-se em exclusivos representantes do povo, não hesitando um segundo em espezinhar todos os outros que não lhes sejam afectos ou que não se lhes submetam.

Estamos a assistir a esta grotesca farsa, em diferentes graus e intensidades, um pouco por toda a Europa e até nos Estados Unidos.

As eleições em França mostram o perigo do populismo de extrema-direita, corporizado pela Frente Nacional de Marine Le Pen, que recolhe o voto de mais de 20% dos eleitores, muitos iludidos pelas suas promessas falaciosas que resolvem todos os males. O que vai mais uma vez obrigar a um cerrar de fileiras em torno de um candidato, dito independente, com posições neoliberais, bastante conservadoras, a uma escolha entre a peste e a cólera, para evitar o mal maior de uma vitória extremista, anti-imigrantes, xenófoba e racista.

Também ao nosso país chegam estas modas, salvaguardadas as devidas diferenças, e tal prática começa a ser copiada por meros oportunistas para enganar o eleitorado com as suas promessas que caem ao primeiro assalto argumentativo.

Pode ser este o caso de gente que ao não conseguir fazer vingar as suas pretensões e ao serem rejeitados pelos seus partidos como candidatos, apresentam-se com projectos pessoais procuram fazer-se passar por independentes para mais facilmente terem acesso a tempo de antena, sem que se lhes conheça qualquer pensamento critico sobre a “coisa pública”.

Outros há que depois de se servirem, durante décadas da capa dos partidos como suporte para sua promoção política, se pretendem afirmar como fora dos grupos partidários e até contra eles, declarando-se apenas obedientes à defesa intrépida ao “partido do sítio” onde pretendem instalar-se, para desenvolver as suas vaidades pessoais e tantas vezes interesses mesquinhos.

Criou-se a ideia que ser candidato que se diz independente, é uma mais-valia em relação aos candidatos partidários. Mas, são independentes de quê? São super-heróis impolutos, que ficam imunizados às pressões? E isso existe mesmo? Já agora, a quem responsabilizar politicamente no caso de alguma coisa correr mal?

É evidente que cada um pode afirmar as suas propostas, se as tiver, o que não pode é impedir ser contraditado e até, se for caso disso, que a sua demagogia seja denunciada publicamente.

Uma barreira eficaz para evitar o desenvolvimento desta apropriação indevida da democracia, é exercitar mais e mais democracia participativa, em que os cidadãos tenham voz activa e não se deixem representar por esta espécie de caciques, que embora eleitos só representam os seus próprios interesses.

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O Bloco de Esquerda habituou desde sempre o seu eleitorado e os cidadãos em geral a uma grande clareza de métodos e procedimentos, a uma frontalidade sem tibiezas. Esta prática é conhecida dos Matosinhenses desde as Eleições Autárquicas de 2001.

No Bloco de Esquerda de Matosinhos não vigora o centralismo democrático, isto é, os seus elementos não estão obrigados a defender posições com que não se sintam identificados, mas as resoluções tomadas colectivamente são-no depois de um debate aturado e da auscultação do maior número de pessoas possível, numa proposta de consenso mínimo.

O Programa Autárquico do Bloco para Matosinhos está em debate e elaboração e, como é seu timbre, tem um objectivo único, a melhoria das condições de vida dos Matosinhenses, nomeadamente daqueles que têm uma maior fragilidade económica, nomeadamente dos idosos, das crianças e dos cidadãos portadores de deficiência.

Para apresentar um programa que seja credível temos como bandeiras principais a defesa intransigente de uma democracia participada, uma transparência absoluta nos procedimentos, numa verdadeira cultura de cidadania e de participação. Só assim será possível retomar a confiança dos cidadãos, evitando o seu afastamento e levando-os à participação, indispensável para uma democracia viva, exigente e responsável.

Outra bandeira de luta que erguemos é a do combate intransigente contra a corrupção, seja qual for a forma que revesta.

O Bloco de Esquerda é um partido inclusivo, procura integrar democraticamente as diferenças, sem as escamotear ou excluir.

Todos são bem-vindos, mas aqueles que quiserem trabalhar connosco, é com estas balizas que têm que contar. Não baixaremos nunca essas nossas bandeiras.

Na apresentação da candidatura às diferentes estruturas autárquicas de Matosinhos foram anunciadas algumas das propostas que estão ser trabalhadas, por isso apelamos aos Matosinhenses para que nos façam chegar as suas questões e as suas propostas que nos irão ajudar a formar o nosso programa como o têm feito já muitos cidadãos do nosso concelho.

Estamos no momento de celebrar Abril, trazendo à memória acontecimentos e amigos que já partiram e esta será a nossa forma de os honrar. 

 Que seja o povo a ordenar dentro de ti, oh cidade!

26.04.2017
José Joaquim Ferreira dos Santos
Membro da Assembleia Municipal de Matosinhos pelo Bloco de Esquerda

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