29 May 2017

PERPLEXIDADES

Após a diminuição sentida na oferta de transportes ferroviários, aquando do governo PSD/CDS, com a acção preponderante do então secretário de estado, Sérgio Monteiro, muito se tem falado, nos últimos tempos, acerca da necessidade de incentivar a utilização dos meios ferroviários como transporte de passageiros e de mercadorias.

As vantagens deste meio de transporte são inúmeras e reconhecidas, quer do ponto de vista económico, quer da forma de preservação do ambiente, ou como forma de alargar a mobilidade, mesmo para o exterior do país.

A prioridade que os governos têm vindo a dar ao transporte privado e ao automóvel levou, entre outras coisas, à construção atrabiliária de auto-estradas, algumas sem a mínima justificação e de utilidade muito duvidosa, em detrimento de investimentos nos caminhos-de-ferro, que certamente teriam poupado muitos milhões e assegurado uma mais efectiva ligação entre povoações.

Como sabemos, foram desactivadas muitas linhas de caminhos-de-ferro, algumas deixando ainda mais isoladas populações que tinham como meio de transporte o comboio e que passaram a ter grandes dificuldades de mobilidade.

Com a desagregação da empresa CP, as oficinas de manutenção, a exemplo da EMEF de Guifões, foram desactivadas, viram-se com insuficiente utilização ou mantêm-se parcialmente abandonadas.

 A retracção do investimento em material ferroviário, nomeadamente na sua necessária manutenção, tem levado ao abandono de composições e até ao seu abate para sucata. Estranhamente, em sua substituição, são alugadas composições à RENFE (Espanha), o que tem causado a maior perplexidade entre os trabalhadores da empresa e as pessoas que se preocupam com estas questões.

Um dos casos mais difíceis de entender aconteceu com as automotoras fabricadas pela SOREFAME, que a EMEF se propôs recuperar, mas que, após estarem abandonadas durante algum tempo foram desmanteladas e vendidas para sucata, substituídas por outras, as famosas “camelas”, alugadas à RENFE, utilizadas em ligações suburbanas, sendo a sua manutenção feita em Espanha.

Numa altura em que por toda a Europa se incentiva a utilização do caminho-de-ferro para o transporte de mercadorias e passageiros, é necessário criar as condições de investimento que permitam viabilizar o que possuímos, em vez de destruir as condições estruturais, como se tem verificado com a alienação de material e de instalações.

Opções apressadas e mal organizadas como aconteceu com a abertura a passageiros da linha de Leixões a Contumil, há anos atrás, não contribuem para dar maior prioridade ao uso do transporte ferroviário pelos utentes. Não basta fazer circular nas linhas algumas automotoras, sem estações intermédias, para que os utentes as passem a utilizar. Acções como esta não passam de fogo-de-vista, de “show off”, parecendo destinar-se acabar com a veleidade da utilização do transporte ferroviário.

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A direita política portuguesa continua com o seu estafado discurso de não-aceitação de que perdeu a maioria parlamentar nas Eleições Legislativas de 5 de Outubro de 2015. Dois anos depois já parece um problema psicológico de negação (e que caso para intervenção clínica).

A alteração política e social que se verificou no nosso país transmitiu aos portugueses alguma esperança e permitiu uma maior distensão, com o fim das constantes ameaças de cortes nos rendimentos e de aumentos de impostos. Estas alterações consubstanciaram-se numa maior confiança até por parte dos investidores e a consequente criação de emprego.
Está muito longe de ser o suficiente, mas já vai aparecendo nos índices de crescimento económico, nas baixas da taxa de desemprego e até na venda de divida pública a juros negativos.

O mais ridículo porém são as constantes declarações dos dirigentes do PSD e do CDS, corroborados pelos comentadores do costume, que num exercício de pura estultícia vêm dizendo que os bons resultados verificados se devem à acção do governo anterior, durante o qual, recorde-se, nada de positivo se verificava e só se pressentia um cada maior empobrecimento, mais desemprego, a completa destruição do Estado Social e a crescente saída para a emigração de jovens formados.

A estes faltava juntar-se o ex-governante de antes do 25 de Abril, o economista João Salgueiro, que acha que o que tem sido conseguido é independente da actuação do governo PS apoiado no parlamento pelo Bloco de Esquerda, pelo PCP e pelos Verdes.

Uma outra atitude face à Comissão Europeia ajudou a aumentar o amor-próprio dos nossos concidadãos, a erguer a cabeça e a seguir em frente, dando a volta à subserviência a que vínhamos sendo sujeitos. É preciso continuar com a reversão dos atropelos feitos aos direitos dos trabalhadores e com a reposição dos rendimentos do trabalho, como forma de contribuir para o crescimento económico do país, que deve ser o principal objectivo do governo.

22.05.2017

José Joaquim Ferreira dos Santos
Membro da Assembleia Municipal de Matosinhos pelo Bloco de Esquerda


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