02 April 2017

CONTRADITÓRIO

Com a compilação final do défice das contas públicas de 2016 em 2,1% do PIB, apresentado pelo INE, Instituto Nacional de Estatística, Portugal vai sair do Procedimento por Défice Excessivo, PDE, essa invenção malévola da Comissão Europeia apenas para os países do sul da Europa, porque por exemplo, a França não foi considerada abrangida embora incorresse no mesmo Procedimento.

Convém não esquecer que este défice só foi conseguido com o sacrifício e o esforço dos portugueses, que viram congelados os seus rendimentos e sentiram muitos cortes no financiamento dos serviços, como ensino e saúde.

O papel do governo do PS, um pouco amenizado pela acção dos partidos que apoiam o governo no Parlamento, foi preocupar-se mais com a baixa do défice do que com o proporcionar uma melhoria sensível das condições de vida do povo português.

O Presidente da Republica congratulou-se com a baixa do défice e afirmou que este facto se deve mais ao povo português do que à acção dos governos independentemente das políticas e dos programas serem diferentes. Estas declarações inserem-se na política de consenso, defendida pelo Presidente, mas não corresponde à verdade dos factos. O governo anterior obedecendo acriticamente aos ditames da Comissão Europeia, por inépcia e incompetência, nunca conseguiu baixar o défice apesar dos sucessivos cortes e de prejudicar seriamente os interesses dos portugueses.

O crescimento económico acima da média da Europa é uma prova do esforço e resiliência do povo para ultrapassar as sequelas da crise financeira que nos foi imposta.

Porém é curioso verificar a forma como a direita política menospreza tudo o que o governo PS tem conseguido, mesmo que insuficiente, o que mostra bem a incapacidade em acompanhar a evolução da situação no nosso país. Esta é a forma que encontra de demonstrar o seu afastamento face aos interesses do povo português.

Pedro Passos Coelho mantem o seu posicionamento de permanente negação, procurando encontrar sempre desculpas e subterfúgios para negar o que está à vista de todos.

Apesar de terem afirmado inúmeras vezes no parlamento e em declarações diversas, o PSD e o CDS e alguns comentadores que a carga fiscal em 2016 teve um enorme aumento. Nada mais falso. As informações mais recentes dizem que a carga fiscal em 2016 baixou 0,4% do PIB, o equivalente a 740 milhões de euros. Os impostos directos baixaram 0,5% do PIB e os impostos indirectos tiveram um agravamento de 0,1%, no total o peso dos impostos baixou de 25,4% para 25% do PIB.

Comprova-se que o rendimento das famílias subiu cerca de 3%, ora estes resultados são a prova que, realmente, havia alternativas às políticas de austeridade, como aquelas que nos tentaram convencer ano após ano, ao longo de quatro anos que eram sem alternativa.

Esperemos para ver o que dizem e fazem as agências de notação financeira, Fitch e Standard and Poor’s, que continuam a não reconhecer o esforço da economia portuguesa para sair da crise e mantêm a notação financeira de Portugal ao nível de lixo, prejudicando em muito o acesso aos financiamentos com juros mais razoáveis.  

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Nos últimos tempos voltaram a ocorrer vários ataques de caracter terrorista, uns reivindicados pelo chamado estado islâmico, outros, que parecem inspirar-se na notoriedade dada, pelos média, aos primeiros.

Aparte o facto de todos serem causadores de terror, vítimas mortais e de feridos graves, por isso merecedores do mais vivo repúdio, é necessário debruçarmo-nos sobre as suas origens.

Para evitar aproveitamentos oportunistas por parte dos diversos populismos, convém não esquecer que a origem destas organizações se deve, em grande parte, às intervenções dos países ocidentais, pela ganância em se apoderarem dos lucros do petróleo para o que não hesitaram em apoiar as ditaduras do Médio Oriente, a origem e financiadoras do terrorismo chamado islâmico.

Há quem se interrogue sobre quem está a ganhar com o comércio de armas sofisticadas e de ultima geração usadas por estas organizações terroristas, em países onde a maioria do povo vive em condições miseráveis.

Outras intervenções, por exemplo no Norte de África exacerbaram grupos de marginais para promover ataques devastadores e genocidas.

É necessário pensar e agir de outra forma para se conseguir alguma viabilidade de êxito, e para atacar os problemas de absoluta carência de meios e a falência social existentes nesses países, levando ao isolamento desses grupos de bandidos, garantindo às populações, um mínimo de condições de vida dignas.

Sem isso, parece sempre que a hipocrisia das respostas que têm sido desenhadas se destinam mais a esgotar material de guerra e a filar o petróleo do que a tratar dos reais problemas das pessoas.

28.03.2017

José Joaquim Ferreira dos Santos
Membro da Assembleia Municipal de Matosinhos pelo Bloco de Esquerda

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