16 January 2017

OS NEGÓCIOS DA BANCA

Continua a saga da Caixa Geral de Depósitos e da designação da sua administração que tão difícil se tem mostrado de designar, vá-se lá saber porquê.

O Dr. António Domingues, que foi indigitado pelo governo como gestor para a CGD, em condições de excepcionalidade que logo parecerem inaceitáveis, em termos salariais e em termos de cumprimento de obrigações como seria a entrega da declaração dos seus rendimentos ao Tribunal, recusou assegurar a manutenção da administração até à tomada de posse de novo gestor. De notar que essa é a prática em qualquer função pública. Esta espécie de birra, por parte de tão bem pago senhor diz bem da sua preocupação com o exercício do cargo para que tinha sido indicado.

É sabido o interesse da banca internacional e das entidades financeiras na privatização da CGD, como forma de controlar totalmente o sistema financeiro português. Desta ideia partilharam os partidos da direita PSD/CDS, enquanto estiveram no governo. Agora, hipocritamente, os seus dirigentes vêm afirmar que nada tiveram a ver com a situação a que chegou a Caixa.

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O Banco de Portugal, depois de todos os equívocos com a supervisão dos bancos como o BPP. BPN, o BPI e dos péssimos negócios que daí resultaram, com pesados custos para o erário público, inclina-se pra a venda do Novo Banco, resultante do escândalo do BES, a um fundo financeiro americano, o Lone Star Funds, como sendo o melhor colocado para isso.

Para evitar sermos apanhados desprevenidos por um negócio que nos pode vir a ficar caro, vamos a saber quem está por detrás deste fundo. Trata-se de um controverso milionário que  tem fama de tudo fazer, sem olhar a meios, para, aproveitando-se dos erros dos outros, investir de forma agressiva e aumentar assim os seus lucros. Já possui inúmeros investimentos em Portugal, como a marina de Vila Moura, grandes superfícies comerciais no Algarve e diversos empreendimentos imobiliários, mas que se saiba não tem qualquer prática na gestão bancária. As garantias por parte do Estado que este eventual candidato a comprador exigia são incomportáveis. Assim, se o negócio der lucro a Lone Star arrecada o lucro, se der prejuízo o Estado português paga. Este seria mais um negócio ruinoso, em torno da banca.

A opção que alguns de nós defende para este Banco e que vai fazendo caminha na sociedade, seria a nacionalização ou a integração na Caixa Geral de Depósitos, com vista a constituir uma forte entidade bancária nacional, que deveria assegurar o apoio financeiro à economia do nosso país.

Este negócio continua a ser dirigido pelo antigo secretário de Estado do governo de Passos Coelho, Sérgio Monteiro, contratado e principescamente pago pelo Fundo de Resolução Bancário, para a venda do Novo Banco, por mais estranha que esta situação nos pareça. Só para recordar, já foram pagos mais de 362 mil de euros a este senhor para tratar da venda.

O governo decidiu que a venda do Novo Banco não deveria acarretar custos para o erário público, o que seria muito meritório. Esperemos que os negócios, habitualmente confusos, do Banco de Portugal não obriguem a que o governo tenha de comprometer a palavra dada.

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A direita e os seus porta-vozes na comunicação social, procurando fazer esquecer as diferenças entre a situação social, política e económica que vigorou durante o mandato do governo PSD/CDS, continuam com as ameaças de catástrofe para o futuro próximo. Como a situação internacional se deteriora rapidamente, preconizam graves problemas para o governo de Portugal. São os juros que sobem, a divida pública que não baixa e o investimento que não cresce, mas não era esta a situação que se vivia antes?

Há de facto algumas diferenças, a taxa de desemprego em Novembro de 2016 era de 10,5%,o que comparada com a taxa de Dezembro de 2015 é uma grande descida, houve alguns, embora pequenos aumentos nos salários e nas pensões, a reposição de feriados que tinham sido cortados às ordens da troika, essa é a realidade, por mais que custe à direita.

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A primeira semana de 2017 fica marcada por dois acontecimentos infelizes. O falecimento do ex-Presidente da Republica Mário Soares e agora o falecimento do Presidente da Câmara de Matosinhos, Guilherme Pinto.

Do Dr. Mário Soares são abundantes as crónicas que o lembram, como uma das figuras que lutaram contra a ditadura e que a seu modo ajudou a construir o edifício democrático português.
De Guilherme Pinto devo dizer que manteve uma relação com o Bloco de Esquerda aberta e de confiança, independentemente das diferenças políticas que naturalmente existiam.
Às famílias enlutadas e ao Partido Socialista, o partido de ambos, endereço os meus sinceros pêsames.

11.01.2017

José Joaquim Ferreira dos Santos
Membro da Assembleia Municipal de Matosinhos pelo Bloco de Esquerda.


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