02 January 2017

BOM ANO

O ano de 2016 acaba sem deixar grandes saudades a nível mundial. Uma parte da humanidade mostrou a sua face mais negra, por actos e por omissões.

O terrorismo, tendo por base o auto proclamado estado islâmico, que como sabemos não é um estado e que utiliza o islamismo como forma de encobrir a sua realidade de autêntico banditismo, quase fez esquecer as grotescas acções que lhe deram origem.

Desde o armamento pelos Estados Unidos, dos talibãs no Afeganistão, para lutarem contra a União Soviética, passando pelas intervenções dos países ocidentais no Iraque, na Líbia, na Síria e no centro da África, todas estas acções contribuíram de forma decisiva para acicatar os ânimos de radicais no recrutamento de mais aliados, sempre apoiados pelos capitais das monarquias do golfo, para chegar à situação em que nos encontramos hoje.

Claro que esta pode ser uma visão muito simplista, pois há que ter em conta os ominosos interesses em torno do petróleo e da gigantesca e criminosa indústria de armamento, para quem não é escandaloso vender armas, simultaneamente, a todos os contendores.

É por tudo isto que uma condenação veemente e clara de todos os actos terroristas que ensanguentam o nosso tempo, não pode deixar de condenar, também, as loucuras intervencionistas que lhe deram origem. E nisso, no Ocidente, ninguém tem as mãos limpas.

O clima de suspeita e medo instalado em todo o mundo tem servido, a contento, os interesses da extrema-direita, por vezes escondida por detrás do mais desbragado populismo.

As intervenções dos países ocidentais, uns a coberto da NATO, outros sem sequer essa cobertura, provocaram uma enorme multidão de refugiados que fugindo à guerra têm deambulado por diversos países, sem casa, sem país e sem destino e sem futuro.    

A Europa constitui uma miragem para a maioria desses refugiados, mas a Europa não tem sabido dar resposta a estas pessoas que a procuram para refazer as suas vidas. Uns países por puro egoísmo, outros, por pressão das forças xenófobas e racistas não têm contribuído para afastar das garras do radicalismo tantos jovens que nelas têm caído.

Não se trata de uma questão moralista mas de humanidade, de direitos humanos, que deve merecer a atenção dos europeus em geral e da União Europeia em particular. Sem um investimento muito forte na criação de condições de vida nos próprios países, a situação dos refugiados constitui um pesado fardo para toda a Europa. Sem medidas desse tipo, sem uma atenção especial `aqueles países, a quem foram destruídas as fontes de rendimento, a Europa e o mundo pouco podem fazer para parar o clima de terror em que se vive.

Que 2017 traga mais inteligência, diplomacia, responsabilidade e firmeza aos dirigentes de todos os países para ultrapassar o buraco em que, consciente ou inconscientemente, nos meteram.

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No nosso país continuamos a assistir a uma situação, por parte da oposição de direita, de autêntica negação. Por exemplo, para o comentador de serviço do PSD na Antena 1 e RTP, Nuno Morais Sarmento, já não se pode falar em contradições entre trabalho e capital, embora este senhor não consiga dizer a razão da existência de muito ricos e muito pobres. Segundo ele essa é uma visão ultrapassada, Marxista. Qual será a designação preferida para este auto intitulado social-democrata?

É que a pretenção de uma colaboração entre os trabalhadores e os patrões parece-se muito com um princípio defendido pelos regimes corporativos e nós portugueses sabemos bem o que tais regimes significam. Será essa a nova proposta do PSD?

Mais uma proposta oriunda do mesmo sector político, desta vez da autoria de Rui Rio, ex-presidente da Câmara do Porto, seria a de criar um novo imposto para pagar os juros da dívida pública. Para quem ainda tivesse algumas dúvidas, esta proposta diz bem da preocupação primeira destes políticos em satisfazer os interesses dos chamados credores, pondo para detrás das costas os interesses dos portugueses.

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O Tribunal de Contas apresentou o seu relatório anual referente a 2015, sobre as Contas Gerais do Estado. Nesse relatório constata-se a existência de “erros materialmente relevantes” nas contas apresentadas pelo então governo PSD/CDS. Este relatório contradiz os índices apresentados pelo governo Pedro Passos Coelho, sobre crescimento e sobre o défice então apresentados. E é ele quem primeiro fala de ocultações e encenações.

Outra conclusão, que resulta desses documentos é que já foram gastos pelo Estado, isto é, pelo erário público, mais de 14.300 milhões de Euros no apoio à banca privada, o equivalente a dez anos de subsídio de desemprego, ou seja 8% do PIB anual. Afinal quem é que andou a viver acima das suas possibilidades?

Basta! Este dinheiro é indispensável para investir no crescimento da economia, para investir na melhoria das condições de vida dos portugueses. Não é possível continuar a pagar as loucuras cometidas banqueiros desonestos. A continuar assim, não teremos um futuro digno como país e povo independentes.


27.12.2016
José Joaquim Ferreira dos Santos
Membro da Assembleia Municipal de Matosinhos pelo Bloco de Esquerda

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