17 October 2016

TRAPALHADAS COM RESPOSTA

Com a aproximação da data, para a apresentação do Orçamento de 2017  à União Europeia, recomeçaram as acções inadmissíveis de chantagem sobre o governo, agora alargadas até 2020, sob o pretexto que, até essa data, o governo português terá tempo para ajustar as contas do défice.

Depois da violência das políticas de empobrecimento levadas à prática pelo anterior governo, sob o alto patrocínio da União Europeia, as ameaças de cortes nos fundos estruturais só vem comprovar o interesse da alta finança internacional em manter nos limites da pobreza os povos do sul, visando a manutenção de um exército de mão-de-obra de reserva, barata e obediente.

A ala mais ortodoxa do neoliberalismo na União Europeia esforça-se por fazer vingar os processos de multas e de congelamentos de fundos, por incumprimento dos objectivos do défice de 2015, não tendo em conta que o governo responsável por esse incumprimento passou todo o seu mandato a cumprir fielmente as suas ordens.

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As fantasias propaladas por Passos Coelho acerca da situação em que deixou o país, não passam disso mesmo, fantasias. A dívida externa continuava a crescer, a taxa de desemprego era cada vez mais alta e as famosas exportações tinham já entrado em derrapagem. A única solução que propunha para não ultrapassar os limites impostos ao défice, era cortar nos salários e nas prestações sociais.

As falsidades acerca da possível bancarrota só serviram para encobrir as negociatas dos bancos falidos e para justificar o pedido de resgate, a fim de salvar as entidades bancarias. O violento serviço da divida que agora somos obrigados a pagar, não teve a ver com o termos vivido acima das nossas possibilidades, como puseram a correr publicamente, mas com a necessidade de pagar os desatinos dos banqueiros desonestos na sua actividade de economia de casino.

Tudo isto com o conhecimento cúmplice do presidente da República, Cavaco Silva, que, também beneficiou com os lucros provenientes das jogadas do BPN, a mesma personalidade impoluta, que, sabe-se agora, nem sequer pagava por inteiro o IMI referente à sua casa no Algarve. O tal que dizia que para serem tão sérios como ele teriam que nascer duas vezes.

Ora são estes  senhores que agora gritam contra os impostos indirectos e contra o lançamento de um imposto sobre as propriedades imobiliárias de valor superior a quinhentos mil euros , que também se manifestam contra a abertura às Finanças das contas bancárias, os mesmos que em 2005 exigiam a abertura do sigilo bancário. Enfim, um completo chorrilho de trapaças e de jogos escuros.

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A banca portuguesa vem agora dizer que tem quatro mil milhões de euros parados por falta de recurso ao crédito por parte das empresas. Mas o que se passa é que as pequenas empresas têm imensas dificuldades em aceder a financiamento, pois as condições são bastante apertadas. Este aperto às condições de acesso ao crédito é o contrário do que se verifica com a cobrança do crédito malparado no valor de muitas dezenas de milhares de milhões de grandes devedores, que podiam legalmente ser obrigados a pagar porque possuem bens próprios e facilmente identificáveis.

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Os pescadores das artes de cerco da sardinha, representados pela Federação Sindical do Sector das Pescas exigem que em 2017, a captura de sardinha veja a sua quota aumentada para 23 mil toneladas, assegurando que há produção de sardinha em quantidade suficiente para permitir este aumento de quota.

É sabido que, motivado pelo aquecimento global do planeta, os cardumes de sardinha tendem a desviar-se para águas mais frias, sendo agora capturáveis nas costas mais a norte, na Inglaterra. Daí a necessidade de um outro olhar sobre as questões do ambiente.

A forma displicente, para não utilizar outro termo mais duro, como o governo anterior e a ex-ministra Assunção Cristas em particular, encararam a questão das pescas, nomeadamente da sardinha, face às quotas impostas pela União Europeia, diz bem do desinteresse que manifestaram com a produção nacional e com a substituição de importações, apesar da retórica contrária.

A soberania alimentar é um factor dos mais importantes na sustentabilidade de um povo e na sua independência.

Além do mais, a criação de emprego na agricultura e nas pescas e nas indústrias ligadas a estes sectores, assegurando um nível de rendimentos justo e digno, não é nada despiciendo.

Vamos tentar acabar com o fatalismo?

12.10.2016
José Joaquim Ferreira dos Santos
Membro da Assembleia Municipal de Matosinhos pelo Bloco de Esquerda


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