13 September 2016

VOZES DO VERÃO QUENTE

Ao mesmo tempo que os partidos de direita tudo fazem para criar um clima de desconfiança na economia com invocações mefistofélicas, a recuperação lá se vai fazendo da situação em que deixaram o país, embora lenta, temos também as agências de rating a imiscuírem-se novamente nas questões que dizem respeito à gestão da coisa pública e a que só a democracia portuguesa deve dar resposta.

As agências Moody`s e Standard & Poor’s, vieram dizer que estão muito preocupadas com as despesas que em Portugal estão a ser feitas com a saúde e com as pensões de reforma, porque podem tornar-se insustentáveis dentro de pouco tempo.

Ora, o que estes senhores não dizem é que estas preocupações têm a ver com o facto de estes dois sectores serem tão apetecíveis pelas entidades privadas.

No sector da saúde constata-se a existência de inúmeros grupos económicos a investir em hospitais e clinicas, tentando competir com o Serviço Nacional de Saúde, por vezes de forma pouco consentânea, procurando todos os meios para aceder aos fundos do estado e usando a ADSE como principal sustentáculo financeiro da sua actividade.

Quanto às pensões de reforma, todos sabem que é um velho sonho das empresas financeiras o alargamento dos chamados seguros de pensões que substituiriam as pensões de reforma pagas pela Segurança Social, com a possibilidade, largamente verificada em países como os Estados Unidos de, ao ocorrerem falências dessas empresas, os segurados ficarem sem nada.

Sejamos sérios, nós também sabemos que temos de perspectivar estes sectores, sobretudo com racionalidade e justiça social.

Não nos deixemos enganar, nem pelas afirmações fora de tom e de mau perder de Passos Coelho e Montenegro, ou pelas previsões de pitonisa dramática de Rangel, nem pelas inconsequências de Assunção Cristas e muito menos pela propaganda direccionada pelas empresas detentores do poder financeiro.

Não esqueçamos os quatro anos em que Passos Coelho se limitou a empobrecer o país e a obedecer aos ditames da troika e em que Assunção Cristas não foi capaz de uma negociação na Europa que não fosse prejudicial à agricultura e às pescas. De nada valem as declarações tonitruantes e mais ou menos patéticas que façam no calor do verão, nos cursos para jotinhas dos respectivos partidos.

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O tratado transatlântico de comércio, TTIP, acordo mais do que secreto entre governos, está em maus lençóis. Começa a ser visto por muitos dirigentes europeus como uma forma de as multinacionais americanas voltarem a controlar o comércio no ocidente, com uma submissão dos países e governos aos interesses da alta finança. Esta situação não se compagina, de forma nenhuma, com a prática democrática.

Esta tentativa de retomar os lucros abalados com a crise de 2008, precisamente provocada pelas aventuras financeiras, só pode interessar aos americanos. Seria mais uma arma secreta para impor as políticas neoliberais, em que as questões sociais são completamente submetidas aos interesses financeiros.

Os defensores, no nosso país, deste acordo coincidem com os defensores da austeridade, que aplaudiram a chegada da troika e começam a pronunciar-se, utilizando os recorrentes comentadores na comunicação social, procurando acicatar ainda mais a animosidade da direita à solução governativa.

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Este verão tem sido extraordinariamente quente, certamente mercê do aquecimento global que alguns teimam em negar.

Uma das consequências tem sido o desenvolvimento dos incêndios que destroem uma parte importante do património natural no nosso país.

Para além do contributo do calor e da seca, a mão humana é responsável por esta catástrofe, ou de forma criminosa ou por negligência, que não deixa de ser criminosa também. A falta de limpeza das matas e das bermas das estradas, a não abertura de corta fogos ou aceiros, ou a persistência em plantar uma espécie única de árvores, sem a preocupação de diversificar, leva a que todos os anos os incêndios se repitam fatalmente. Depois são as promessas de que irão ser tomadas Medidas, mas que mal começa a chover são esquecidas.

Embora Matosinhos não tenha um coberto florestal significativo, também no nosso concelho subsistem situações perigosas deste ponto de vista, bouças onde persiste o mato alto, bermas de estrada onde o mato seco é um perigoso rastilho para acendimentos e por exemplo a chamada mata de Sendim onde o mato alto, só por acaso este ano, ainda não ardeu.

É indispensável que a Autoridade de Protecção Civil do concelho averigúe e tome as medidas previstas legalmente para evitar a possibilidade de incêndios no mato em Matosinhos. A existência de planos devidamente testados, como prevenção é sempre preferível ao combate ao fogo, por mais eficiente que pareça.

É sempre melhor prevenir do que remediar.

7.09.2016
José Joaquim Ferreira dos Santos
Membro da Assembleia Municipal de Matosinhos pelo Bloco de Esquerda

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