01 September 2016

TURISMO E TRÂNSITO

O Concelho de Matosinhos e a sua autarquia têm procurado afirmar-se como polo de atracção turística, quer pelas suas praias, pelos seus interesses históricos e culturais, como pela sua gastronomia. Tudo isto está muito bem, mas implica uma maior coordenação entre os diferentes serviços municipais e  as entidades ligadas a este sector económico.

Cuidar para que haja uma maior visibilidade dos pontos de interesse do município, devidamente assinalados e enquadrados seria de grande interesse, para munícipes e turistas.

A gastronomia é um dos pontos fortes para atrair visitantes ao nosso concelho, mas as montras actuais, na Rua Heróis de França e nas ruas adjacentes, têm um ar pouco cuidado que não constitui a melhor mostra para atrair clientes, pois não basta a inegável qualidade do peixe e do marisco, é necessário, igualmente, cuidar da apresentação no espaço exterior dos estabelecimentos hoteleiros.

A indústria do turismo não tem que ser levada à prática pelas autoridades municipais, mas o incentivo deve partir daí. O turismo de hoje implica formas de cativar os visitantes, como a edição de desdobráveis informativos e a venda de recordações e merchandising inventivo, mas pouco disto existe em Matosinhos, apesar de existir no município uma Escola Superior de Design que mantém ligações com a Câmara.

Não é que se pretenda, de modo algum, que haja um tratamento especial para turistas, a exemplo do que se vem verificando em outros locais, onde, ao pretender alargar espaços para alojar visitantes se está a expulsar moradores e comerciantes dos centros das cidades, correndo o risco de matar a galinha dos ovos de ouro, ao acabar com a vivencia real que os turistas procuram, outra coisa diferente é saber aproveitar as oportunidades que o turismo pode trazer do ponto de vista económico.

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Há, no entanto, questões que não se entendem muito bem e que entram em contradição com as preocupações tantas vezes afirmadas de transformar Matosinhos num centro turístico.

Qual a razão para se fazerem, precisamente durante Agosto, período de férias, as obras de requalificação do piso de tantas ruas e as rotundas, condicionando o trânsito dentro da cidade e dificultando o acesso de todos, turistas ou não, aos diferentes locais?

Algumas das requalificações são efectivamente necessárias, mas porquê realiza-las em Agosto, provocando prejuízos aos comerciantes e arrelias aos moradores e visitantes.

Os cadernos de encargos devem ser taxativos em relação à data de entrega das obras, porque se verifica muitas vezes que são escassos os trabalhadores nas obras e que estas se arrastam demasiadamente por períodos longos.

Por outro lado, o ordenamento do trânsito automóvel é indispensável numa cidade com a dimensão que Matosinhos já atingiu, mas não pode ser apenas entendido como a cobrança de taxas de estacionamento em todas as ruas, mesmo para aos respectivos moradores.

Nos nossos dias a ordenação do trânsito automóvel passa, obrigatoriamente, pela melhoria da prestação de serviços de transportes públicos colectivos, para assegurar, de facto, a mobilidade dos cidadãos.

As ruas com estacionamento pago ajuda ao afastamento de possíveis compradores do comércio tradicional, direccionando-os preferencialmente para as grandes superfícies, com estacionamentos grátis e fácil.

Não se pode confundir o ordenamento do trânsito automóvel e do estacionamento com uma qualquer tentação de caça niqueis, que vai sobrecarregar ainda mais os matosinhenses e que estes podem não entender muito bem.

Por outro lado, quando se realizam requalificações nos pisos das vias, têm de ser previstas com antecedência coordenações com os servidores das águas e saneamento, telefones, electricidade, gás e outros, para evitar que poucos dias após o fim dessa obra estejam a ser abertos novamente buracos, cuja reparação nem sempre é a melhor e é certo e sabido que aí vão surgir futuros buracos.

Também se nota que nas ruas que recebem obras de requalificação, o nivelamento das tampas de intervenção, habitualmente, ficam desniveladas o que provoca ressaltos na condução e pode originar sérios problemas nas viaturas que são obrigadas a passar sobre elas ou a desviar-se bruscamente.

Para bem dos que vivem no concelho ou dos que o visitam é necessário procurar melhorar a prestação destes serviços aos matosinhenses.

31.08.2016
José Joaquim Ferreira dos Santos
Membro da Assembleia Municipal de Matosinhos pelo Bloco de Esquerda


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