09 August 2016

PONTOS DE VISTA

Sempre me manifestei pela defesa da maior liberdade para o exercício da informação, que considero ponto de honra de qualquer democracia saudável. Infelizmente, no nosso país, uma grande parte dos órgãos da comunicação social não respeita a inteligência dos seus leitores, fazendo-se porta-voz das posições mais conservadoras, sem ter em conta o direito ao contraditório e a pluralidade de opiniões.

Os órgãos de comunicação social de propriedade privada podem alegar, incorrectamente embora, que obedecem a ordens ,  mas a rádio e a televisão públicas têm deveres democráticos que custa ver serem menosprezados.

É por isso que o exemplo de pluralidade do Jornal de Matosinhos, que admite nas suas páginas as mais diversas opiniões, deveria merecer o maior respeito por parte das diferentes entidades matosinhenses, públicas e privadas.  

A violência que nos últimos tempos tem ocupado as primeiras páginas dos média é o sintoma de que alguma coisa vai muito mal no planeta, neste tempo que vivemos.

Para além dos atentados terroristas levados a efeito por elementos dos diferentes grupos jihadistas e outros, assiste-se a fenómenos de mimetização desses crimes, agora cometidos por indivíduos sem aparente ligação a tais grupos, os chamados “lobos solitários”, que são um novo e grave problema para a sociedade.

Tudo deve ser objecto de informação, mas um tratamento demasiado exaustivo e a repetição constante de imagens ligadas a atentados pode despoletar, em pessoas com problemas sociopsicológicos, os piores efeitos e levar à sua multiplicação. Podem as imagens horrendas destes crimes, levar à glorificação dos seus autores, pelas horas que lhes são dedicadas a nível mundial.

Já por diversas vezes tenho afirmado que uma parte importante da responsabilidade destes acontecimentos resulta da incapacidade dos chamados países ocidentais em entender e lidar com as realidades diferentes de outros povos e de outras civilizações. O desemprego, a pobreza e a guetização social em que vivem, ajudam a contextualizar alguns destes problemas.

Para além disso os negócios dos gigantes da indústria armamentista e dos traficantes de armas têm uma importância muito relevante no mundo capitalista, pese embora a multidão de vítimas de danos colaterais que provoca. Bem sabemos que os materiais bélicos sofisticados que são usados custam muito dinheiro e dão muito lucro.

A mentira insensível e criminosa que levou à invasão do Iraque e à intervenção na Líbia e na Síria exacerbou os ódios e provocou a capacidade de recrutamento das organizações terroristas. Tudo isto, aliado à situação, sempre adiada, que se vive na Palestina.

Não é possível esquecer o papel exercido nesse ominoso conluio, do ultimamente muito falado ex-presidente da comissão europeia, Durão Barroso.

O impedimento de tráfico de armas e da compra de petróleo proveniente das zonas ocupadas, são formas de combate a este estado de coisas que podem ter mais êxito do que os discursos mais ou menos inflamados que são usados pelos dirigentes ocidentais após cada ataque criminoso.

###

Após um período em que se verificou toda a espécie de chantagens sobre o governo português, a propósito de possíveis sanções da União Europeia, por défice excessivo, foi a própria Comissão que decidiu anular qualquer multa, impondo um défice máximo de 2,5% ao orçamento de 2016.

Desde sempre os partidos de esquerda defenderam que as sanções eram inaceitáveis e constituíam um caso inédito entre todas as inconformidades verificadas por muitos dos países europeus.

Foi a defesa competente dos interesses de Portugal e dos portugueses, por parte do governo e dos partidos que o apoiam no parlamento, que pressionou no sentido desta resolução.  

Afinal nada do que foi apregoado pelos arautos da desgraça sobre a falta de confiança por parte da UE na “geringonça” se veio a confirmar. Não é com subserviência, mas com firme defesa de princípios que se conquista o respeito internacional.

 ###

Em Portugal não são muitos os empresários que mereçam essa designação, a maior parte não passa de patrões com uma precária formação técnica e ainda menor sensibilidade social.
Isto não é uma diabolização dos patrões, como pretendem as organizações patronais, mas uma constatação baseada na análise da realidade, até por que há quem pense de outra forma.
Os patrões portugueses ao mesmo tempo que afirmam que apenas a iniciativa privada cria empregos, são absolutamente subsídio-dependentes, esperando do Estado todas as possibilidades de apoio financeiro, como por exemplo, a de o Estado pagar estágios de formação a trabalhadores que são sistematicamente substituídos por outros estagiários, constituindo uma forma de mão-de-obra grátis.
A deficiente formação de consciência social por parte do patronato é uma das causas de uma sociedade tão desigual, injusta e desequilibrada como a nossa.
A crise, provocada pela economia de casino da finança internacional, a descapitalização das empresas,a falta de investimento privado, acompanhada por uma sanha privatizadora que destruiu uma parte do sector empresarial do Estado levaram a economia ao estado calamitoso em que se encontra.

É tal a preocupação da direita em favorecer a iniciativa privada, que o Presidente da Republica vetou o diploma do Parlamento que propunha a nova constituição para os transportes colectivos do Porto e do Metro, porque esta não previa a entrada de capital privado nessas empresas. Esta posição está na linha da privatização de tudo o que for possível, sempre procurada pelas forças da direita portuguesa.

Como sabemos, pelo exemplo de Matosinhos, não será por via de transportadoras privadas que teremos transportes públicos de qualidade a suprir as reais necessidades dos munícipes.

        3.08.2016
José Joaquim Ferreira dos Santos
Membro da Assembleia Municipal de Matosinhos pelo Bloco de Esquerda

No comments:

Visitas

Contador de visitas