10 June 2016

PARA CLARIFICAR

Em nome da necessidade de reformar a Segurança Social Pública, as questões que hoje são colocadas pela direita para promover a sua privatização, já não são novas e têm aparecido recorrentemente ao longo do tempo.

As companhias de seguros continuam a exercer uma pressão enorme para que os seguros de saúde sejam vistos como uma alternativa à segurança social, nem sempre da forma mais correcta e fazendo promessas das mais disparatadas, e que se duvida que sejam para cumprir.

A direita, na sua cruzada contra o estado social, tudo tem tentado para destruir a segurança social com vista a entregar a parte mais susceptível de ser rentabilizada, à chamada iniciativa privada, isto é às entidades financeiras que, na sombra, comandam de facto os propósitos expressos pelos partidos de direita no país e na Europa.

As vozes que se erguem a reclamar a reforma da segurança social, em nome do futuro da mesma, renovam a receita, mais não pretendem do que consumar a série de cortes em pensões e em prestações sociais que iniciaram durante o seu governo, para a tornar financeiramente apetecível.

Resta aos trabalhadores e ao povo estar vigilante e lutar para assegurar a continuação da segurança social no âmbito público, como apoio insubstituível a quem trabalha, exigindo, simultaneamente melhorias e simplificações no seu funcionamento.

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É uma questão sobejamente reconhecida, que a produção de energia por via nuclear é perigosa, mas com centrais nucleares obsoletas e envelhecidas, há muito passadas de data, então esse perigo é acrescido.

Portugal não possui centrais nucleares, mas pode sofrer as consequências da existência de várias centrais produtoras de energia nuclear existentes no estado Espanhol, de tecnologia já ultrapassada, nomeadamente a central de Almaraz, nas proximidades de Cáceres, próximo da fronteira com Portugal.

Os exemplos de grandes acidentes provocados por centrais como em 1979 em Three Mile Island, nos Estados Unidos, em 1986 em Chernobyl, na Ucrânia, antiga URSS ou Fukuchima no Japão em 2011, na sequência de um tsunami, que causaram terríveis consequências em mortos e feridos, deveriam ser suficientes para alertar os governos para o perigo do nuclear.

Após vários avisos sobre a perigosidade de Almaraz, motivados pelos inúmeros incidentes ali verificados, um movimento popular transfronteiriço exige o seu encerramento imediato em nome da saúde pública, dos dois lados da fronteira.

Esta é, em nome da precaução, a atitude mais correcta a tomar, especialmente depois de se saber que a central já deveria ter sido encerrada em 2010. Não é possível continuar com a cabeça metida na areia e a aceitar esta situação.

Há hoje formas de produzir energia eléctrica mais limpa, que devem substituir  as centrais nucleares, sobretudo as que já foram assinaladas como de maior perigosidade, pelo uso de tecnologias antiquadas.

As questões da defesa do meio ambiente, quer sejam ligadas à produção de energia, como é o caso Almaraz, quer sejam relativas ao controlo da água, como bem essencial, que não deve estar dependente dos interesses financeiros, mas sob controlo público e ainda da qualidade do ar e do ruido, assim como da qualidade de vida oferecida aos moradores, não podem estar desligadas das preocupações dos cidadãos, bem como dos que têm responsabilidades autárquicas.

Estas são questões que vou continuar a abordar, atendendo à importância que revestem para todos os munícipes.

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O constante apelo a consensos parece querer fazer esquecer que há diferenças profundas entre as propostas políticas entre a esquerda na sua diversidade e a direita, que se não forem clarificadas, correm o risco de desvirtuar completamente os projectos e confundir os eleitores.

Sobre a proposta de todas as forças representadas na Assembleia da Republica manifestarem o seu desacordo com as ameaças de sanções a direita, pela voz de Passos Coelho já veio dizer que nunca participará em “guerras” contra a Europa, no seguimento da sua obediência subserviente de aluno bem comportado. Ao mesmo tempo que vai denunciando, em Portugal e no estrangeiro, que a fórmula conseguida na Assembleia da Republica para a criação do actual governo é incapaz de assegurar a confiança dos investidores, que segundo as suas ideias só aceitarão trabalho escravo e a baixos salários.

Também aqui é necessário clarificar até onde vai o “patriotismo” da direita, ou se se fica por emblemas na lapela. Há atitudes que falam por si.

8.06.2016
José Joaquim Ferreira dos Santos
Membro da Assembleia Municipal de Matosinhos pelo Bloco de Esquerda

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