04 April 2016

ERROS QUE SE PAGAM CAROS

Mais um país da Europa foi vítima da barbárie de um ataque terrorista por um grupo que se auto-intitula estado islâmico, que nem é estado, nem islâmico, mas bandos agrupados em torno de ideias pseudo religiosas, as tentam impor a ferro e fogo, fazem a guerra em seu nome com numa crueldade sem limites.

Este crime hediondo veio somar o custo em vidas humanas ceifadas por estes loucos homicidas no Médio Oriente, em África e na Europa. Segundo o que vai sendo publicado, a troca de informações entre as autoridades dos diversos países é pouco eficiente e parece ser olhada com displicência conforme a sua origem. Como é costume, após as ocorrências trágicas são feitas declarações graves reafirmando a necessidade de colaboração entre todos, quando se apagam os holofotes vem o esquecimento, até novo massacre e novamente o mesmo blá, blá.

Desde longa data e Infelizmente, os países ocidentais nunca lidaram muito bem com os problemas levantados pelas diferenças de costumes e de credos religiosos e muitas vezes contribuíram em seu proveito para o exacerbar do radicalismo islâmico. Umas vezes porque colaboraram com esses grupos armando-os, treinando-os e financiando-os em nome de interesses geopolíticos de difícil compreensão, outras vezes, porque apesar de ter conhecimento das suas fontes de recrutamento e de financiamento, vão fechando os olhos e fingindo  não os ver.

Desde sempre o essencial seria travar as fontes de financiamento do terrorismo, nomeadamente a compra de petróleo proveniente dos campos petrolíferos ocupados pelos terroristas e igualmente impedir a venda de armamento, quer por traficantes, quer por países, fabricantes de armamento.

Sem travar esse grande e ominoso negócio, onde alguns ganham mesmo muito, não será possível pôr fim a esta loucura. De uma vez por todas deixemo-nos de hipocrisias, as armas sofisticadas usadas pelos terroristas, alimentam um enorme negócio sujo, mas também são facilmente identificáveis.

O que não faz sentido são políticas chauvinistas e de exclusão, baseadas numa islamofobia cega e acrítica.

Uma prática que se tem mostrado perversa é a teimosa tentativa de exportar para os países do Médio Oriente e outros as fórmulas democráticas de tipo ocidental, com as consequências desastrosas que conhecemos para os respectivos povos. A democracia nunca, mas nunca, foi construída por via de exportação.

Os povos do Iraque, da Líbia e da Síria, mas também do Afeganistão e países do centro de Africa têm sofrido horrores com o experimentalismo políticos dos Estados Unidos e dos aliados da NATO, que por vezes se serviram dos mais incríveis métodos e mentiras para justificar as suas acções. Agora que centenas de milhares de pessoas procuram fugir das guerras que nos seus países foram incentivadas, a Europa não se mostra capaz de lhes dar o devido apoio e tudo faz para, maldosamente, confundir refugiados e terroristas. A forma como formos capazes de apoiar os refugiados irá marcar o futuro da convivência entre os povos.

Responder com violência à violência, numa escalada de competição sem fim, conduz-nos a um beco de horror. Usemos a inteligência e ponhamos fim às fontes de financiamento destes grupos e à venda de armamentos. Não façamos mais o papel de tontos, ou não sabemos quem lucra milhares de milhões com todo este negócio?

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No nosso país, o Instituto Nacional de Estatística, INE, apresentou o número de 4,4% ,para  o défice do ano de 2015, depois dos acontecimentos do BANIF. Estes números contrariam, mais uma vez as previsões do governo PSD/CDS. Mesmo assim a direcção do CDS saiu à liça tentando fazer valer como boas, as performances a que o governo de que fez parte, conseguiu chegar.

O que não disseram foi nada sobre os milhões de euros desbaratados pela então ministra da agricultura, Assunção Cristas, que hipotecou os fundos para investimentos dos próximos anos, que deveriam ser utilizados no apoio aos pequenos e médios agricultores, sem que estes tenham sido beneficiários, nem os pequenos agricultores nem os pescadores. Quem lucrou foram os eucaliptadores e as celuloses. Nada disto parece ser importante para a direita.

O que vale é que há sempre futuro para os ex-membros dos ministérios. Que o diga o antigo presidente da UNICER, Pires de Lima, que apesar de tudo, transitou para a Media Capital, a empresa dona da TVI. Isto, é claro, nada tem a ver com promiscuidades entre a política e a comunicação social.

As democracias têm necessidade de criar meios eficazes para se defenderem da corrupção, contra a justicialização da política, por uma participação activa dos cidadãos. Sem isso corre-se o risco de se transformarem em meros entrepostos de interesses privados, facilmente manipuláveis e ao dispor de todos os populismos, isto é, precisamente o contrário do que é suposto esperar de um regime democrático.

30.03.2016
José Joaquim Ferreira dos Santos
Membro da Assembleia Municipal de Matosinhos pelo Bloco de Esquerda

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