07 March 2016

QUE CAMINHOS?

O Orçamento de Estado para 2016 foi aprovado na generalidade pelos partidos da esquerda parlamentar e apesar da fragilidade que lhe possamos apontar, vem mostrar que são possíveis outros caminhos, outras políticas para além da austeridade.

Por mais que esta constatação custe aos partidos de direita, minoritários nas ultimas eleições legislativas, os portugueses começam agora a aperceber-se de que a narrativa do, não há alternativa, era tão falsa como o são as mentirolas de Paulo Portas sobre a imposição de um imposto sucessório com efeitos retroactivos ou a revelação, de Pedro Passos Coelho, de que foi durante o seu governo que a austeridade foi arredada ou ainda, que a social-democracia foi a sua ideologia de sempre.

Perante tanta farsa política é interessante verificar que alguns dos comentadores, que tanta desconfiança mostraram na possibilidade de um governo PS apoiado na Assembleia da Republica pelos partidos de esquerda, dizem agora que afinal a geringonça, como tão depreciativamente apelidaram a alternativa criada, parece conseguir funcionar.

Mesmo a União Europeia, que tanto se bateu e bate por um governo obediente como o foi o dos últimos quatro anos, viu-se obrigada a admitir que o resultado da avaliação do último ano está longe de ser o que nos foi propagandeado como uma recuperação da economia e do défice. Se alguma coisa mudou da nossa parte o mesmo não se pode dizer da máquina da UE, incapaz de uma leitura realista da situação.

O grupo de peritos da Comissão Europeia continua com a sua obsessão, quanto aos salários que devem continuar baixos, às facilidades nos despedimentos, isto é, à permanência do regime de empobrecimento da sociedade, enquanto buscam formas de entregar os fundos públicos para resgate da banca falida, pelos jogos de economia de casino.

É curioso verificar que nos países que sofreram com as imposições neoliberais europeias com vista a repor os lucros da alta finança, Espanha, Irlanda, Grécia e Portugal, as populações cansadas de serem espoliadas tentaram novas alternativas do governo. Em todos eles, porém, a União Europeia ao invés de tentar perceber o que se passou, não hesita em atacar as decisões democráticas dos povos.

O que não pode deixar de ser estranho é que essa profunda preocupação com as questões financeiras, mais do que com a economia, não seja acompanhada por preocupações de caracter social, conforme se pode comprovar pela absoluta inércia com a questão dos refugiados que constitui a mais vergonhosa nódoa da política europeia. Tal inércia torna a União Europeia incapaz de impedir as acções dos países da Europa do centro como a Áustria, Polónia, Hungria e a Bélgica, mas também da Dinamarca.

As ameaças de fecho de fronteiras, do tratamento indigno dos fugitivos da guerra, guerra de que os governos europeus não são inocentes e de que muitos têm as mãos sujas, acrescida da incapacidade para gerar políticas comuns, são olhadas com a maior displicência por parte dos órgãos dirigentes europeus.

Os enormes desafios que se colocam à governação de Portugal, implicam que olhemos com realismo e firmeza para as reformas que se afiguram necessárias para melhorar as condições de vida do nosso povo, a recuperação dos rendimentos dos trabalhadores, das pensões de reforma, mas também da criação de emprego e da melhoria das prestações do estado social. Há muito, muito caminho a fazer. Nós já demos pequenos passos, mas é preciso muito mais para que se torne um projecto firme com políticas de verdade e transparência. Claro que não depende só de nós, mas saibamos fazer ouvir a nossa voz noutros fóruns. Este país velhinho tem de ter futuro.

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Com o fim da agenda eleitoral do último trimestre, começam a surgir propostas de candidatos autárquicos para Matosinhos. O que é que se propõem fazer? Tudo isto antes de apresentarem qualquer linha de esboço ou projecto de programa do a que se propõem. Trata-se de projectos pessoais ou para o concelho?

Um concelho como o nosso, também tem problemas sociais importantes, merece propostas sérias, pensadas e debatidas, que coloquem as questões sociais em prioridade.

O nosso concelho deve ao mar a razão do seu crescimento. As pescas, a indústria conserveira, o porto de Leixões, a refinaria de Leça da Palmeira, algumas outras indústrias e os serviços, transformaram esta, que foi uma zona primordialmente agrícola, num concelho de desenvolvimento desigual e variado.

O núcleo de Matosinhos do Bloco de Esquerda iniciou o debate interno e está a desenvolver esforços para criar condições de apresentação de um programa eleitoral autárquico que responda às necessidades de Matosinhos de desenvolvimento sustentável, de criação de emprego, de defesa do ambiente e por uma maior participação dos cidadãos na vida do concelho. Questões como as pescas, as indústrias do mar, o turismo e a segurança e socorro serão pontos que constarão nesse debate. Como sempre, entre nós, são mais importantes as políticas do que os figurantes.


2.03.2016
José Joaquim Ferreira dos Sanos
Membro da Assembleia Municipal de Matosinhos pelo Bloco de Esquerda

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