18 February 2016

UMA TRISTE CAMPANHA

Qualquer governo Europeu, que tenha a ousadia de apresentar propostas políticas alternativas às que são emanadas pela comissão de finanças da União Europeias, terá que contar com ataques violentos como aqueles a que o Estado Português está a sofrer neste momento.

É o neoliberalismo que comanda hoje a economia mundial, aplica uma receita única, quem sai do esquema pré-definido é duramente atacado, mesmo que se tratem de escolhas democráticas.

O mais grave é que estes ataques não são apenas desferidos pela banca e por agências de notação financeira. Há igualmente em Portugal, banqueiros, políticos, fazedores de opinião avençados, que colocando interesses alheios aos dos portugueses acima de tudo, colaboram fielmente nesta campanha de intoxicação.

Nesta campanha tem assumido um papel relevante o euro deputado do PSD, Paulo Rangel, nas suas intervenções na comunicação social e nos discursos que faz no Parlamente Europeu. Usa uma linguagem trauliteira e mesmo deslocada no tempo em que vivemos.

Para os neoliberais a nossa economia não tem uma importância especial, mas o que têm como objectivo e de que verdadeiramente se trata é de dar uma resposta exemplar, que impeça a proliferação de mais exemplos no sul da Europa, de luta contra a austeridade e contra o empobrecimento geral dos povos, que podem não ter ficado suficientemente convencidos com a actuação, perfeitamente terrorista, contra a Grécia.

Uma elevada divida ou a dificuldade em baixar o défice não podem ser motivo para humilhar um povo e reduzi-lo à condição de mera colónia da banca internacional. Aliás, isso não acontece com outros países como a Itália ou a Espanha, com condições não muito diferentes.

Quanto a Portugal pegou a moda de vários responsáveis europeus se arrogarem o direito de vir dar conselhos e até ameaçar com um ar paternalista e condescendente, o que só nos prejudica.

          As entidades financeiras habituaram-se a que o governo de Portugal se comportasse como um mero mandarete às suas ordens, incapaz de se impor ou de defender dignamente os seus interesses. Foi o período do bom aluno que tanto prejuízo causou à economia do nosso país. Tratou-se de transferir rapidamente fundos dos bolsos dos trabalhadores e do povo para os bolsos dos financeiros, como se verificou com os fundos entregues aos bancos resgatados, grande parte dos quais provenientes dos empréstimos recebidos da troika. Ao povo cabia baixar a cabeça e pagar.

É por isso que uma nova experiencia governativa, com outros apoios e outras perspectivas políticas lhes causa um enorme nervosismo, traído por atitudes inqualificáveis e é por isso que tudo procuram fazer, mesmo mentindo, para a inviabilizar.

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O descaramento de Pedro Passos Coelho já raia a insanidade. Há dias afirmou que o BANIF, enquanto foi primeiro-ministro era um banco que dava lucro. Ora em 2013 foram injectados pelo Estado no BANIF, durante o governo PSD/CDS, mil milhões de euros para o capitalizar. A própria União Europeia avisou por diversas vezes que o banco estava em situação de falência. O presidente do PSD com esta afirmação quer fazer dos portugueses tolos. Se o banco dava lucro porque não lhe foi cobrado o empréstimo que o Estado lhe concedeu? Porque foi prolongada a situação até às eleições legislativas?

Outro acontecimento, que para Passos Coelho é um não assunto, é a entrada do seu amigo Miguel Relvas no mundo da banca, por compra pela sua empresa, PIVOT-SGPS, do banco EFISA, uma parte do BPN que agora foi vendida por 38 milhões de euros. É necessário dizer que este banco possui uma licença bancária internacional e que desde 2010 foram injectados no EFISA, 90 milhões de euros do erário público. Convém, igualmente, saber que desta empresa PIVOT-SGPS fazem parte Miguel Relvas e Francisco Nogueira Leite, que estiveram com Passos Coelho na administração da TECNOFORMA a tal empresa que usou e abusou de fundos comunitários, para formar construtores de aeroportos. Suspeita-se que por detrás destas negociatas estará também o dedo de Manuel Dias Loureiro, que foi membro do conselho de Estado de Cavaco Silva.

É por estas e por outras que a luta contra a corrupção deve ser encarada por todos os democratas como um dos principais desígnios da democracia, como forma de reganhar a confiança e a participação dos cidadãos.

      17.02.2016
José Joaquim Ferreira dos Santos
Membro da Assembleia Municipal de Matosinhos pelo Bloco de Esquerda

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