01 February 2016

ELEIÇÕES E OUTROS FACTOS

Marcelo Rebelo de Sousa foi eleito Presidente da República à primeira volta com 52,1% dos votos, numas eleições em que a abstenção de foi de 51%. A vitória desta candidatura, que se afirmou sem propaganda nem cartazes, esqueceu que teve fotos inteiras em capas jornais, inúmeras reportagens, além da presença semanal na televisão, durante muitos anos de propaganda sem contraditório. Marcelo embora presente na vida política nunca foi um ganhador, mas é Presidente da República enquanto comentador de televisão.

As candidaturas apoiadas pelo PS ao terem preferido digladiar-se entre si em vez promoverem a apresentação de ideias, aumentaram o afastamento de muitos possíveis eleitores que não se revêem neste tipo de diatribes. Assim inviabilizaram uma possível passagem à segunda volta.

A candidatura apoiada pelo Bloco de Esquerda tinha como propósito lutar contra a abstenção mobilizando o eleitorado e impedir uma vitória da direita à primeira volta. O primeiro desiderato foi cumprido com uma boa votação na candidatura, o segundo constituiu uma derrota para toda a esquerda, com as implicações que veremos a seguir.

É de salientar o resultado obtido pela candidata Marisa Matias, apoiada pelo Bloco de Esquerda, que alcançou o terceiro melhor resultado com 10,13%. Indo buscar votos a diferentes sectores da sociedade. Foi a candidatura que mais cresceu politicamente. O que vem provar que os resultados obtidos pelo Bloco não são nenhum epifenómeno, mas decorrem de uma consolidada confiança dos eleitores em quem lhes fala a verdade, põe em causa a fatalidade e lhes incute esperança na alteração das suas condições de vida, sem sofismas e sem ocultar factos. Sente-se crescer um movimento de esperança no país que pode vir a alterar pressupostos tidos como já adquiridos pela direita e pelo poder financeiro.

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A EFISA era a estrutura de investimento do BPN, Com a separação do banco falido, a EFISA tornou-se apetecível, assim chamou a atenção de uma empresa, a PIVOT, constituída por investidores como Miguel Relvas.

Só falta saber se o Banco de Portugal irá avalisar o facto de Miguel Relvas ser accionista desta empresa, porque parece legitimo questionar se haverá legalidade nestes negócios, sim, porque de ética nem é bom falar. Será mais um chico esperto a entrar para a banca?

O escândalo em torno da atribuição de vistos Gold ainda não terminou. As escutas telefónicas que resultaram na acusação apanharam um dirigente do PSD, o comentador televisivo Luis Marques Mendes a solicitar por diversas vezes favores ao então presidente do Instituto de Registos e Notariado, António Figueiredo. Umas vezes para facilitar a atribuição de nacionalidade portuguesa a mais do que uma cidadã estrangeira, outras para resolver problemas com o cartão de cidadão de uma sua filha. Inquietantes promiscuidades.

A despeito de todas as evidências de encobrimento da situação em que deixou as finanças públicas, a ex-ministra Maria Luis Albuquerque tem o desplante de afirmar que o governo PS é incompetente, porque não se terá apercebido antes e denunciou agora mais um buraco de 800 milhões de euros, provenientes do desfasamento das receitas fiscais. A mentira tem perna curta e o facto de terem escondido todos estes problemas tem a ver com o esperarem ganhar as eleições legislativas e voltarem a martelar as contas impunemente.

Sabe-se que o BANIF foi entregue ao SANTANDER, da forma apressada e nas condições de saldo que espantou toda a gente, gravosas para o erário público, por ordem expressa de Bruxelas e do Banco Central Europeu. O governo PSD/CDS procurou atrasar a resolução deste problema enquanto os eurocratas continuaram, assim, a sua tarefa de concentrar o capital financeiro, de preferência fazendo os custos recair sobre os contribuintes. É o sonho de todas as grandes entidades financeiras, como a Goldman Sachs e as famigeradas agências de notação financeira e já agora do próprio BCE.

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Por tudo isto, os próximos tempos serão de um permanente alerta para todos aqueles que não desistem do país. Uma onda  de esperança está  erguer-se, não a defraudemos.

 27.01.2016
José Joaquim Ferreira dos Santos
Membro da Assembleia Municipal de Matosinhos pelo Bloco de Esquerda

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