11 January 2016

ALIMENTAR A ESPERANÇA

Os votos formulados para 2016, por algumas individualidades, não podem fazer esquecer o que foi a sua prática nos últimos anos ou até nos últimos meses.

Não se entende como é possível apelar aos portugueses para que defendam o modelo político económico e social que levou Portugal ao sucesso, como o fez o Presidente da Republica, se ele próprio não tivesse sido conivente com os quatro anos de austeridade cega e violenta.

Afinados no mesmo diapasão os partidos, que foram retirados do poder porque não conseguiram formar governo contra a maioria parlamentar, só sabem continuar a minimizar a capacidade democrática da actual maioria parlamentar poder levar a bom termo o propósito de apoio ao governo do PS.

Não adianta aparecer com uma marmita para o almoço, como demagogicamente fez o candidato à Presidência Marcelo Rebelo de Sousa, quando nunca o vimos denunciar as medidas que promoveram o empobrecimento dos portugueses. Vimo-lo sim, no apoio explícito ao governo PSD/CDS e conhecemos as suas ligações, por exemplo, a Ricardo Salgado. Este candidato tem vindo a gerir ao longo dos anos uma agenda pessoal, apoiada por uma parte da comunicação social, o que o leva agora a dizer que não fará uma campanha onerosa. Claro, não precisa disso, teve muitos anos de exposição televisiva semanal, paga.

Por tudo isso, não é invulgar ouvir dizer que Rebelo de Sousa, mais mediático e mediatizavel que Cavaco Silva, de terem a mesma linha de pensamento político.

Não chega apelar à esperança dos portugueses, se não se procurar concretizar essa mesma esperança em algo palpável e mensurável, para que tudo não passe aos olhos da população de meras promessas. O Bloco de Esquerda está no acordo parlamentar com toda a boa vontade e com o sincero interesse em derrotar o que foram as políticas de direita. O que não podem é esperar que se esqueça tudo aquilo porque tem lutado, em nome de um alegado pragmatismo, como propõe o presidente da Câmara de Gaia, Eduardo Victor Rodrigues, o que equivaleria a aprovar acriticamente tudo o que o governo decidisse, mesmo contra os interesses da população.

Sabemos bem que não é possível, de imediato, reverter todas as políticas de esbulho que o governo anterior promoveu, mas há algumas medidas que vão sendo tomadas que trazem um sentimento de esperança que não pode ser delapidado. Precisamos muito do pão, mas também de criatividade e de esperança.

Os arautos da desgraça passam a vida a dizer que não é possível reverter as políticas porque não há fundos disponíveis. Continuam com a narrativa habitual de que não há alternativa à austeridade. São necessárias medidas que se preocupem mais com as populações do que com os lucros da alta finança. São possíveis outras políticas para fazer diferente e melhor: acabar com as ruinosas parcerias público-privadas; proceder à cobrança dos impostos devidos pela actividade comercial e industriais realizadas no nosso país; acabar com privilégios e isenções de pagamento de impostos; taxar as grandes fortunas; controlar a banca intervencionada pelo Estado, o que vai proporcionar fundos para redistribuir e para investir na economia, dinamizando-a com vista à criação de emprego e de riqueza. Estas medidas não são meras utopias, foram experimentadas noutros países e com sucesso. Nada fazer ou apenas obedecer aos ditames dos eurocratas não eleitos não contribui para melhorar as condições de vida do povo. E isso foi o que fizemos nestes últimos quatro anos, sem grandes êxitos.  

Uma coisa é certa no novo ciclo político criado após as Eleições de 4 de Outubro, a Política retomou o primado de que tinha sido arredada e isso permite aos portugueses debaterem entre si as alternativas possíveis.

Os acontecimentos dos últimos anos e nomeadamente nos últimos meses mostraram a importância do Presidente da Republica como garante do cumprimento da Constituição e como representante da Republica nas relações externas. Nesse sentido a Eleição presidencial de 24 de Janeiro será um importante momento para a nossa vida política e como tal deve ser encarado por todos.

Não há vitórias eleitorais previamente asseguradas, contrariamente ao que nos querem fazer crer. Em democracia cabe exclusivamente ao eleitorado decidir dos resultados e não a qualquer grupo organizado, explícito ou mais ou menos secreto.

Isto, mesmo titubeante e de empurrão, tem mesmo de andar.


5.01.2016
José Joaquim Ferreira dos Santos
Membro da Assembleia da Municipal de Matosinhos pelo Bloco de Esquerda

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