28 December 2015

NOVO CICLO

A despeito das dificuldades continuarem a aparecer, provenientes das armadilhas deixadas pelo ex-governo do PSD/CDS, paulatinamente vão sendo alteradas algumas das malfeitorias levadas a cabo pelos ex-governantes.

As razões que levaram o Bloco de Esquerda a participar no compromisso de apoio parlamentar a um governo do PS foram exclusivamente o de retirar o poder à coligação de direita e tentar reverter a situação de empobrecimento sistemático dos trabalhadores. Não nos movem ambições de poder pessoal, nem mesquinhos interesses mal explicados. O compromisso é claro e transparente.

As medidas para ajudar a repor os rendimentos retirados pela austeridade podem não ocorrer com a celeridade que os portugueses necessitam, mas a mudança de atitude e do sentido da política já se faz sentir.

A nova surpresa que representa o buraco do BANIF, que sempre negaram como susceptível de causar prejuízo aos portugueses, é mais um factor de descrédito para a entidade com responsabilidade na regulação do sistema bancário português. Não só tem acarretado um gigantesco prejuízo para a economia, como tem contribuído de forma muito clara para os problemas sociais que o nosso país atravessa.

A compra da participação do Estado no BANIF, pelo Banco Santander-Totta por 150 milhões, conforme tem sido divulgado, vai fazer com que os custos dos desvarios cometidos pelas administrações bancárias, no valor de muitos centenas de milhões, voltem mais uma vez a recair sobre os contribuintes. É indispensável um inquérito parlamentar à questão BANIF e as respectivas consequências para todos os responsáveis e também para o regulador.

Fala-se que a Caixa Geral de Depósitos necessita de 400 milhões para se capitalizar. No entanto há gestores a ganhar salários altíssimos, reformas milionárias e indemnizações escandalosas a pessoas que trabalharam apenas escassos meses. Já chega, basta!

Os buracos do sistema financeiro não podem continuar a ser tapados pelo erário público. A solução pode passar pela fórmula, “controlo público em nome do interesse público quando o dinheiro público está em jogo”. Ao mesmo tempo que a entidade que promove o controlo não deve continuar a ser paga pelos bancos, que devia controlar.

Em poucos anos foram muitos os bancos, que por gestão incapaz ou fraudulenta, obrigaram o Estado a pagar os seus desvarios. Quando a banca dá lucros, as administrações não hesitam em distribuir dividendos milionários aos seus investidores, quando as coisas correm mal, apela-se ao Estado e cá estão os contribuintes para pagar.

A banca portuguesa se estivesse ao serviço do desenvolvimento da economia deveria canalizar o investimento para os sectores produtivos, criando condições para que a industria, a agricultura e o comércio se desenvolvessem, como incentivo à criação de emprego. Ao invés disso, a banca continua a privilegiar o financiamento de bens de consumo ou a compra de habitações, distorcendo as prioridades, mas alcançando lucros mais rápidos. O exemplo mais evidente é o facto de Portugal em plena crise ser o campeão da importação de automóveis de luxo, na Europa.

Os negócios pouco claros que levaram à venda da TAP, já depois do governo ter sido demitido, são agora um ponto de honra para Paulo Portas, que continua a apelidar de forma insultuosa o acordo entre os partidos à esquerda do PS, de “geringonça”, e de “utopias esquerdistas” e que apregoa as suas falaciosas ameaças acerca de quem paga os salários e a compra dos aviões. Estas declarações parecem denotar que efectivamente os interesses por detrás destes negócios são completamente alheios às necessidades do país.

A continuada narrativa de que a gestão privada é melhor ou mais eficiente do que uma gestão pública não passa de propaganda neoliberal, sem nada que a confirme de forma cientifica. A não ser assim e como a banca é de gestão privada, como se explicam os constantes buracos que têm surgido nas instituições bancárias?

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O Solstício de Inverno prepara o planeta para o regresso do Sol, é um momento de passagem e de mudança, um anseio por um novo ciclo de vida.

Estamos em plena época de Natal. Sem olharmos para ela, apenas, com os olhos do consumismo desbragado, porque é muito mais do que isso, é urgente aprofundar a solidariedade entre os homens e entre os povos. Tenhamos pelo menos o bom senso de parar um pouco para pensar em nós e na generosidade da mãe-Terra.

22.12.2015

José Joaquim Ferreira dos Santos
Membro da Assembleia Municipal de Matosinhos pelo Bloco de Esquerda

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