06 November 2015

TEMPOS DE CONSTRUÇÃO

A maioria dos governos, após 74, continuou com a política de “olha para o que digo não para o que faço”. O governo Passos/Portas não foi excepção, assim, apesar das imposições do Ministério das Finanças para a transparência nas contas das empresas, chegando ao ponto de dar automóveis em troca da exigência de facturas das compras efectuadas, o Tribunal de Contas veio denunciar que as Finanças omitiram 490 milhões de euros de despesa fiscal, valores atribuídos como benefícios fiscais nas contas de 2013.

O mesmo Tribunal veio dizer que, 79% das isenções fiscais foram atribuídas a Sociedades Gestoras (SGPS) e a holdings de dois dos principais beneficiários. Enfim um autêntico regabofe concedido pelo mesmo governo que passou o tempo a cortar em salários, pensões e nas prestações do estado social e a entregar fundos às grandes empresas. A transparência na acção ainda tem muito caminho a percorrer em Portugal.

As promessas governamentais pré-eleitorais, por exemplo, a prometida devolução da sobretaxa do IRS de cerca de 35%, afinal já dizem que poderá ser apenas de 10%, na condição que o nível da recolha de contribuições se mantenha.

Embora a informação oficial afirme que o desemprego baixou, a taxa de criação de emprego baixou igualmente, o que só não é um paradoxo, porque todos sabemos que estes números pouco têm a ver com a realidade, basta pensar que os trabalhadores a quem deixa de ser pago o subsídio de desemprego, deixam também de contar como desempregados.

O estranho pânico que invadiu as hostes da direita face à possibilidade de um governo com políticas diferentes já ultrapassou a fase de recomendações e de conselhos ao eleitorado, passando agora ao medo de depois de nós, o diluvio. Chegam ao ponto de apelar às entidades financeiras internacionais, os chamados credores, para que não mantenham a confiança no governo, tentando provocar um caos financeiro. São manobras da mais baixa politica e diz bem das intenções desta gente.

Paulo Portas, dirigente do CDS, que enche a boca de democracia, tem o despautério de afirmar que não há legitimidade política para um governo apoiado `a esquerda em Portugal.  

A direita para além de perder o governo está a perder a cabeça e entra num radicalismo de total insanidade.

Pedro Passos Coelho, indigitado por Cavaco Silva para formar governo, apresentou um elenco governamental composto por figuras de terceira linha do partido, porque os barões do PPD/PSD, apesar das atoardas de que um governo com apoio à esquerda seria um golpe de estado, não terão aceitado participar no mesmo.

A principal finalidade das negociações, que decorrem entre os partidos que se manifestam contra a continuação das políticas de austeridade, é arredar do poder a coligação de direita que levou à situação de empobrecimento generalizado do país e do seu povo.

Os comentadores do costume nas televisões e jornais estão na fase de lançar o medo entre a população ao tentarem confundir a actual situação política com aquilo a que chamam um novo PREC. Actuação demasiado infantil do tipo, vem aí o papão, sobre um povo saturado de os ouvir.
É sabido que sempre houve e haverá quem ponha à frente dos interesses do povo as suas próprias agendas e ambições pessoais. Do meu ponto de vista, a resposta dos democratas só pode ser a de negociar medidas que permitam construir uma alternativa de governo fiável, justo, sustentável que melhore as condições efectivas de vida dos portugueses.
Sem pressas para finalmente sabermos para onde caminhamos, todos.

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O ex-governo PSD/CDS utilizou todos os meios para, nos últimos tempos antes das eleições, procurar enganar os portugueses com todo o tipo de promessas. Foi o que se passou com a colocação de professores. Toda a gente se recorda do ministro Crato ter afirmado que a abertura do ano escolar seria exemplar.

Por Matosinhos, mais de um mês após o início das aulas ainda há muitos alunos sem professores. É o caso da Escola Secundário Gonçalves Zarco, onde cerca de 200 alunos continuam sem ter aulas de Matemática e de Português, por demora no processo de substituição de professores. Uma escola pública a funcionar com regularidade e de qualidade é condição para um país melhor. Por isso há tanta gente a opor-se ao que se chama a municipalização do ensino, que pela desresponsabilização pode levar a uma maior degradação do ensino. Onde está a tão famosa autonomia?

Uma grande empresa do nosso concelho que recebeu fundos europeus para investimentos, está a despedir pessoal. Trata-se da UNICER. Fechou a fábrica de Santarém, despedindo 170 trabalhadores  ao mesmo tempo que contratualiza com outra empresa o enchimento de sumos que produzia. Também na fábrica de Leça do Balio estão a promover a rescisão de contratos com trabalhadores, alguns com vários anos de casa. Os trabalhadores da UNICER dizem não aceitar esta arbitrariedade e prometem lutar pelos seus postos de trabalho.

04.11.2015

José Joaquim Ferreira dos Santos
Membro da Assembleia Municipal de Matosinhos pelo Bloco de Esquerda

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