26 November 2015

SOBERANIA DEMOCRÁTICA

Os massacres terroristas em Paris vieram criar um clima pesado e de medo entre os europeus, que é precisamente o que os terroristas pretendem. A resposta das democracias terá que ser firme, colectiva e articulada, indo à raiz do problema, boicotando as suas fontes de financiamento, a venda clandestina de petróleo e a compra de armamento. Mas a luta terá que fazer-se em vários tabuleiros.

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Finalmente António Costa foi indigitado para formar um governo apoiado pela maioria dos deputados eleitos em 4 de Outubro. Perdeu-se muito tempo com as manobras da direita para se manter no poder, mas a democracia acabou por falar mais alto.

A despeito das enfáticas declarações da direita sobre a possibilidade do caos financeiro e económico no caso de haver um governo do PS apoiado no Parlamento pelos partidos à sua esquerda, pelo contrário, de momento o que vemos é a colocação de bilhetes de Tesouro com taxas negativos, isto é, com os investidores a pagar para comprar Bilhetes do Tesouro enquanto a Bolsa de Valores Portuguesa a negoceia acima da média europeia.

Enfim, só pode ser mais um erro de cálculo dos dirigentes da direita e dos seus apoiantes, prática a que os governos PSD/CDS nos habituaram ao longo dos últimos anos.

A constante afirmação nos órgãos da comunicação social de que está instalado um clima de instabilidade, não passa de falso alarme, destinado, esse sim, a desestabilizar a sociedade portuguesa.
Pedro Passos Coelho fez afirmações na televisão insultuosas para a maioria de deputados eleitos para a Assembleia da República. As desconfianças acerca da honestidade das intenções dos partidos que apoiam o PS mostram bem a forma retorcida como este senhor encara o exercício da política. O que não pode é pensar que os outros têm essa mesma visão.

Um exemplo, entre muitos, foi a promessa, durante a campanha eleitoral, do reembolso da sobretaxa do IRS, fazendo constar que seria possível devolver 37% da taxa recebida. Bastou menos de um mês após as eleições para ficarmos a saber que, afinal, tal não é possível. Mais uma vez tratou-se de propaganda fraudulenta, mentirosa. Não adianta nada o primeiro-ministro continuar a afirmar que não houve manipulação de contas pelo governo, que já ninguém acredita.

A venda apressada e trapalhona da TAP é outra questão que está a gerar controvérsia. A banca para o financiamento da operação impôs uma cláusula, que em caso de incumprimento por parte dos compradores, o Estado Português será obrigado recomprar a empresa. Só agora são conhecidas estas particularidades do fantástico negócio feito pelo governo escondido atrás da PARPUBLICA, que é a empresa encarregue de tratar dos ruinosos negócios de vendas de património público.

O que já se sabe é que a empresa AZUL, no Brasil, do empresário David Neeleman, que junto com Humberto Pedrosa formou a Gatway, se encontra insolvente, daí se compreender melhor a preocupação da banca. Enfim, mais um grande negócio do governo PSD/CDS de que a vítima é mais uma vez o erário público e por conseguinte todos os portugueses. É por isso que se começa a dizer que esta é mais uma parceria público-privada, em que se houver lucro é para o privado, se correr mal o Estado paga. Não se trata de uma venda, mas de uma renda.

Entretanto os debates na comunicação social, nomeadamente na RTP, povoados por apoiantes do governo demitido, mostram a dificuldade em clarificar a situação do país, impedindo de apresentar com clareza as alternativas propostas pela esquerda, na maioria das vezes ausente desses debates. A discussão ficava-se por juízos de valor, desinformação ou temas em torno de questões que diziam pouco aos cidadãos.

Também as interferências externas na política do país são constantes. Até os burocratas da União Europeia têm o desplante de opinar sobre o que os portugueses devem ou não fazer, para agradarem às todo-poderosas instituições financeiras.

Até o embaixador dos Estados Unidos da América, Robert Sherman, numa entrevista radiofónica mostrou a sua preocupação pelo facto de os portugueses terem escolhido deputados que abrem a possibilidade à indigitação de um governo do PS, apoiado pelos partidos à esquerda. É uma situação inadmissível.

Um governo do PS, apoiado no Parlamento pelos partidos à Esquerda deverá credibilizar-se pela sua acção política e assim fazer-se respeitar como governo de um país democrático e soberano, independentemente da situação financeira. A pastosa subserviência em que nos temos movido não pode continuar, põe em causa valores essênciais da dignidade deste velho país.

 Este é o momento de afastar a direita do poder e de finalmente mostrar que é possível fazer diferente, apesar de sempre nos terem dito que não havia alternativa. É um tempo de esperança.

25.11.2015
José Joaquim Ferreira dos Santos
Membro da Assembleia Municipal de Matosinhos pelo Bloco de Esquerda

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