26 November 2015

O TERROR NÃO VENCERÁ

No último fim-de-semana um violentíssimo ataque terrorista sacudiu Paris. Mais de cento e trinta mortos e cerca de trezentos e cinquenta feridos dizem bem do crime cometido. Este acto terrorista foi já reivindicado por um chamado estado islâmico (Daesh), que nada tem de estado, que se organiza de forma militar e se esconde atrás do islamismo. O que é repudiado pelos verdadeiros islamitas.

O que até agora se sabe é que os seus executantes tinham, na sua maioria, nacionalidades europeias.
Esta atrocidade mostra bem do que fogem as centenas de milhares de pessoas que procuram asilo na Europa. Não podem por isso ser confundidos com os algozes de quem buscam refúgio.

Confundir os terroristas com os refugiados que pedem asilo na Europa é um erro grosseiro e está de acordo com aquilo que o terrorismo pretende, criar medo e caos nos países ocidentais.  

Sobre o fenómeno do terrorismo muitas interrogações se levantam: quem é esta gente; quem os financia; quem os arma e qual a finalidade da sua barbara actuação. Os países ocidentais não podem continuar a fingir que ignoram as respostas a estas perguntas. Têm sido apresentadas propostas por diversas vezes no Parlamento Europeu visando o bloqueio da venda de armas e para impedir a compra de petróleo aos países sob dominação de grupos terroristas, a fim de bloquear as suas fontes de financiamento. Tudo em vão. Nem respostas têm merecido. As armas continuam a chegar-lhes e não só por via de traficantes. O petróleo continua a ser comprado clandestinamente, embora sejam conhecidas as vias que segue. Tudo isto com a cumplicidade de estados do Médio Oriente, que obtêm lucros fabulosos destas operações. Para não falar do contrabando de relíquias históricas, que aparecem à venda em várias partes do mundo, como em Londres, por exemplo.

Em Beirute ocorreu na mesma semana um atentado com muitas vítimas, perpetrado pelo mesmo grupo de terroristas. Ao mesmo tempo que arderam tendas-abrigo de um acampamento de migrantes em Calais, na Costa francesa.

Não tenho a pretenção de dizer muito de novo, mas devo afirmar que esta não é uma guerra de civilizações, mas actos de puro terrorismo e que como tal devem ser encarados.

Estas acções têm como alvo a Europa, a democracia e a solidariedade com os povos em fuga. Não entender esta realidade é fazer o jogo dos terroristas e dos que na sombra os apoiam. Convém não esquecer que o ódio, a intolerância, a xenofobia, o medo, a hipocrisia e a ganancia são o alimento do terrorismo.

A resposta das democracias deverá ser firme e em cooperação para que a defesa de valores como a liberdade e os direitos humanos não seja ultrapassada pelos interesses financeiros dos negociantes de petróleo e de armas. Não pode portanto ser do mesmo tipo dos ataques, antes solidária, construtiva e tolerante, evitando generalizações falsas.

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No nosso país a maioria de deputados na Assembleia da Republica recusou o programa do governo PSD/CDS, mais não foi do que o funcionamento das instituições democráticas.

A direita não aceitou este facto e desencadeou uma campanha virulenta contra a nova realidade política imposta pelo voto dos portugueses, mostrando bem o entendimento canhestro que têm da democracia e o pouco respeito que lhes merece a Constituição da Republica. Disso já todos tínhamos conhecimento basta pensar que o governo PSD/CDS não foi capaz de apresentar um único Orçamento Geral do Estado que se configurasse com a lei primordial da Republica ou na forma como os seus dirigentes se referem às forças políticas que constituem a oposição, recusando-se a reconhecer que no conjunto são maioritárias.

A ignorância dos mecanismos democráticos vai ao ponto de repudiarem violentamente os acordos pós eleitorais entre partidos, excepto se fossem os seus e que são prática habitual   noutros países da Europa.

São os termos insultuosos como Paulo Portas se refere aos partidos que somaram 62% dos votos, como “essa geringonça”, ou a ridícula manigância inventada por Passos Coelho com dissolução do Parlamento por uma apressada revisão constitucional, sem pés nem cabeça.

A linguagem utilizada e o teor incendiário das suas tomadas de posição, denota a ligeireza e o desvario destes senhores, digo melhor, destes irresponsáveis.

Outra prática que intentam, tem a ver com o “dividir para reinar”, e para isso procuram dizer que muitos votantes do PS estão descontentes com o processo de entendimento encontrado à esquerda. O que não dizem é quantos votantes do PSD estão absolutamente insatisfeitos com as afirmações desconexas que têm sido por eles emitidas.

A instabilidade política introduzida pela atitude de Cavaco Silva só pode ser assacada a quem tem uma visão restrita aos próprios interesses da democracia, como aliás desde há anos se verifica.

Também os comentadores, fazedores de opinião e agora adivinhadores de futuros ministeriáveis, levaram os seus ódios a alturas inusitadas. Em alguns casos raiam o terrorismo verbal, sendo em geral grosseiros, muito pouco inteligentes e até machistas.

Também sabemos que alguns estão apenas a tratar das suas vidinhas.
Os portugueses merecem um governo que promova políticas que resolvam os problemas que enfrentamos e que previna possibilidades de novas dificuldades. Em quatro anos os portugueses já se aperceberam que não será com um governo PSD/CDS, subserviente à Europa e aos mercados. E isso não podemos esquecer. Já chega.

18.11.2015
José Joaquim Ferreira dos Santos
Membro da Assembleia Municipal de Matosinhos pelo Bloco de Esquerda

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