17 November 2015

MUDANÇA IMPRESCINDÍVEL

O governo PSD/CDS, indigitado pelo Presidente da República, sem apoio maioritário na Assembleia ada Republica, viu o seu programa rejeitado por uma maioria de 123 deputados.

 As eleições de 4 de Outubro elegeram 230 deputados para a Assembleia da Republica, tendo o eleitorado dado 36,8 % dos votos à coligação e 32,4% ao PS. O Bloco de Esquerda recolheu 10,2% e a CDU 8,3%.

Apesar disso a direita continua a narrativa de que as eleições foram para eleger um governo e que foi a coligação PSD/CDS quem ganhou. Nada mais falacioso.

O BE lançou, ainda na pré-campanha, um repto ao PS com a apresentação de condições para um eventual apoio a um governo PS, e a CDU sempre afirmou a sua vontade em impedir a continuação de um governo de direita.

Foi assim que tiveram início, numa nova conjuntura parlamentar favorável à esquerda, as negociações interpartidárias com vista a acordar compromissos para um futuro governo, assente noutra política.

 Reafirma-se que a principal razão que levou o Bloco de Esquerda a lançar o repto ao PS, para que fosse possível um governo contra a austeridade e contra o empobrecimento, foi o de afastar da governação uma direita incapaz e completamente desinteressada em defender os interesses da maioria dos portugueses, não esquecendo que propiciou um enriquecimento rápido e muitas vezes inexplicável aos mais ricos.

Todas as manobras tentadas para atrasar o inevitável, isto é o chumbo do programa do governo minoritário na Assembleia da Republica, mostram bem como a direita procurou manter-se no poder, contra tudo e contra a maioria dos eleitores portugueses. O que o país está a assistir é uma espécie de teatro. Não seria mais transparente e rápido a Passos Coelho comunicar ao PR que sem apoio parlamentar não valia a pena constituir governo. Não é isso que se faz por essa Europa fora?

A direita agarra-se ao poder como uma lapa, vai buscar os fantasmas ao armário para aterrorizar os mais incautos. Proclamam aos quatro ventos que, depois de nós é o caos
Vai-se desdobrando em abaixo assinados de empresários, certamente os que mais lucraram com as suas medidas. Tudo muito ensaiado para ajudar ao drama.

O argumento de que a negociação à esquerda terá sido muito demorada é mais uma falácia, conforme se pode aquilatar pelo tempo que habitualmente demoram, por toda a Europa, as negociações para formar governos.

Para nós a formação de um governo pressupõe um entendimento sobre políticas a executar e não um mero negócio de nomes e lugares. É isso que a direita, quer os seus partidos quer os seus apoiantes, não entendem. Para nós não vale tudo.

As inqualificáveis croniquetas e os comentários sobre as negociações, tantas vezes maldosos e sem sentido, revelam muito da cultura democrática dos seus autores. O que lhes interessa não é um debate de ideias, mas as tricas e mexericos próprios da infrapolítica em que navegam.

Entretêm-se agora na adivinhação de quem serão os futuros ministros, tendo até a pitonisa oficial, Luis Marques Mendes, criado já uma lista de ministeriáveis, independentemente do que o PS venha a decidir.

Os anúncios de última hora da melhoria da situação económica e financeira do nosso país entram em profunda contradição com as informações de que só durante 2015 se declararam em falência mais de 6.400 pessoas.

Ao mesmo tempo foram noticiados novos milionários e o aumento da fortuna de outros, para quem a situação do país foi altamente favorável. Para já 19 das 20 empresas cotadas na bolsa portuguesa têm as suas sedes em paraísos fiscais, fugindo assim ao pagamento de impostos no país onde realizam os seus negócios e produzem a riqueza que obtêm.

Estas entidades que, antecipando os ataques que se propõem desferir contra um governo que não seja de direita, já sorriem pelo facto de a bolsa ter entrado no vermelho na última 2ª.feira, a exemplo do resto da Europa.  

Uma das razões porque a direita se tem esforçado por alargar o seu prazo de validade no poder tem a ver com a necessidade de assinar os contratos de concessão dos transportes públicos de Lisboa e Porto e de ultimar a venda ao desbarato da TAP. As rendas que deverão ser pagas aos concessionários ou as indemnizações a pagar em caso de reversão desses contratos podem constituir um rombo muito importante no erário público. Negócios apressados por um governo a prazo, lesando o erário público, são actos criminosos.

É para contrariar todas estas negociatas que é necessário afastar a direita do poder, de acordo com a vontade expressa pelos eleitores em 4 de Outubro. Será difícil a mudança, mas a alternativa  não é impossível. Haja esperança!

11.11.2015
José Joaquim Ferreira dos Santos
Membro da Assembleia Municipal de Matosinhos pelo Bloco de Esquerda

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