01 October 2015

VOTO ÚTIL?

O discurso político da coligação PSD/CDS e dos comentadores de serviço, assume contornos de autêntico terrorismo verbal, com ameaças de que um voto que não seja na coligação é arriscar um governo radical e extremista. Ultrapassa até a decência, com Portas a perguntar em quem se deve votar, no bombeiro ou no incendiário. Logo ele!

A campanha eleitoral da coligação PSD/CDS ( PaF) decorre entre mentiras, de falsidades e promessas.

As inverdades nas declarações sobre a Segurança Social, com vista à sua privatização, como já está em curso com a passagem para as IPSS, das prerrogativas que deveriam manter-se na esfera pública, acompanham todas as manobras que têm sido feitas para privatizar a escola pública e a saúde.

Neste último caso, há negociatas em curso, retirando valências de hospitais públicos, para facilitar a vida a empresas que se dedicam à saúde privada.

O governo vem dizer que as contas da Segurança Social estão, de momento, com uma situação liquida positiva. O que não diz é que segundo a OCDE, Portugal é o país que mais cortou nas prestações sociais e nos apoios a idosos e doentes.

Por sua vez, as patranhas em torno dos números do desemprego e da criação de emprego, acompanhadas pela tentativa de ignorar o que foi a expulsão de centenas de milhares de jovens para o estrangeiro, já não enganam ninguém.

Sucedem-se os factos mais estranhos, as interferências de pessoas próximas do governo para influenciar a constituição das direcções dos agrupamentos escolares, como no caso das escolas de Monção, assim como a reabertura do ramal dos caminhos-de-ferro de Portalegre, às sextas e domingos, fechado há quatro anos e extraordinariamente reaberto em vésperas de eleições.

As acusações mútuas entre o PS e a coligação PSD/CDS sobre quem é responsável pela situação em que está o país não passam de tentativas de esconder a verdade. Não se pode esquecer as responsabilidades de Paulo Portas na compra dos inúteis submarinos ou do dirigente do PSD Marco António Costa no descalabro das contas da Câmara de Gaia, para além de serem próximos do PSD os banqueiros do BPN e do BPP, que tanto contribuíram para o aumento da divida pública portuguesa. Também não nos podemos esquecer que o buraco do BES foi precedido de informações do governo e do Presidente da Republica sobre a segurança e fiabilidade do banco. Os negócios em torno do BES são mais que estranhos, fraudulentos, como o caso da venda por ajuste directo ao governo chinês, do chamado BES INVESTIMENTO, que se diz ter servido para salvar o amigo de Passos Coelho, o banqueiro Ricciardi.

Sobre a questão de quem é que chamou a troika, convém lembrar que os banqueiros fizeram todas as pressões imagináveis sobre o ministro das finanças do governo PS e que o PSD manifestou o maior entusiasmo com a vinda da troika, chegando Passos Coelho a afirmar que o programa da troika seria o programa do seu governo e procuraria ir para além dele.    

Tudo tem sido feito para confundir e criar ruído junto dos eleitores, desde as falsas informações e promessas, passando pelas famigeradas consultas diárias sobre as intenções de voto destinadas a confundir ainda mais os eleitores.

Para não falar na chantagem do medo exercida sobre os eleitores para que não ousem ter uma alternativa de voto, na tradição da soberba de “ depois de nos, o caos”.

Não pode valer tudo em democracia, mesmo a manipulação das contas públicas para apresentar valores de acordo com a narrativa governamental. Isso devia ser criminalizado.

No próximo domingo, na altura de votar, deveremos ter em atenção o que interessa de facto para o nosso futuro, se uma continuação sem limite da austeridade e de empobrecimento ou mudar de vida com outras políticas mais justas, que permitam assegurar investimento na economia, que criem emprego e que melhorem as condições de vida de todos sem esquecer os mais frágeis e desamparados.

A estabilidade não advém de manter sempre os mesmos à frente do governo, mas de em cada momento conseguir o que de melhor se apresentar para todos.

A abstenção em nada ajuda a resolver o que consideramos estar mal e deixa a outros a possibilidade de decidirem por nós.

Nas últimas eleições a percentagem de votantes nos partidos do arco da governação PS, PSD/CDS, foi igual ao número dos abstencionistas. Com apenas 45% dos votos dos eleitores inscritos os três partidos elegeram 90% dos deputados. Passos e Portas conseguiram a maioria absoluta com apenas 33% dos votos em urna.

Quem não vota, vota em branco e deixa o seu poder na mão dos partidos da alternância e todos sofremos as consequências. Todos os direitos que temos foram duramente conquistados pelo povo, nunca nada nos foi dado.

Por isso votar é a nossa forma de fazer respeitar o nosso ponto de vista e a nossa vontade de melhorar a vida. Esse é de facto o único voto útil.

29.09.2015
José Joaquim Ferreira dos Santos
Membro da Assembleia Municipal de Matosinhos pelo Bloco de Esquerda

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