30 October 2015

UM DISCURSO INDIGNO

A direita portuguesa, dos partidos ao Presidente da República, criou uma nova figura para a democracia portuguesa, a tradição. Estranha figura esta que nada tem a ver com democracia. Os democratas têm por timbre que a soberania reside no povo e em mais ninguém. O povo eleitor designa mandatários, mas a soberania é sua e apenas sua.

Cavaco Silva reiterou o seu papel de padrinho da direita e do governo PSD/CDS, indigitou Pedro Passos Coelho para formar governo, sabendo de antemão que será um governo a prazo e fez declarações graves sobre a constitucionalidade de um governo à esquerda com juízos de valor e com ameaças falaciosas sobre o que interessa mais aos portugueses. Um discurso do tempo da guerra fria, sectário e indigno da mais alta figura do Estado.

As declarações que fez ultrapassam as suas competências e os atributos do seu cargo. A sua atitude é de todo irresponsável e diz bem do que tem sido a sua linha de actuação na política portuguesa ao longo de 35 anos no exercício das diferentes funções que tem exercido.

Decidiu que os portugueses que votaram contra a continuação das políticas de austeridade, portanto contra o PSD/CDS, que por acaso são a maioria dos eleitores, são portugueses de 2ª, não merecem confiança.

Decidiu ainda que os partidos de esquerda não são credíveis, são anti europeístas e que o PS só pode coligar-se à direita, numa atitude de confronto em relação à vontade manifestada. pelos portugueses. Assim um milhão de pessoas que votaram nos partidos de esquerda, não valem nada, os seus votos não são iguais aos da direita.

As considerações que desenvolveu no seu discurso foram no mínimo pouco isentas. Ignorou completamente 60% do eleitorado, favorecendo claramente a minoria. As lamentações que formulou são, por si só, um apoio descarado às forças de direita, que não tem possibilidades de fazer passar o seu programa na Assembleia da Republica. O PR tentou fazer uma inaceitável chantagem com os deputados do PS e criar instabilidade ao dizer que não daria posse a um outro governo.

Este discurso de Cavaco Silva foi completamente contraditório com o que tem dito acerca da necessidade de um governo estável e com apoio na Assembleia da Republica.

Como o resultado das eleições não é o que imaginou recorre à crispação e ao sectarismo.
Os representantes dos partidos de direita, Paulo Portas, Marco António Costa, Nuno Melo e outros, permitiram-se fazer as declarações videntes e contraditórias, a que já nos habituaram.

A violência do discurso leva-me a questionar o que está por detrás da absoluta necessidade em manter o poder a todo o custo, por parte da coligação PSD/CDS e do seu presidente. Será apenas a apetência pelo poder ou haverá algo mais, como a necessidade de esconder uma situação financeira muito diferente da que tem sido apregoada ou ainda, o medo de verem tornados públicos mais escândalos? Brevemente  o saberemos.

O que quer que seja mantem a direita bastante preocupada com a possibilidade de um governo PS, apoiado na Assembleia da Republica pelos partidos à esquerda e não é, por certo, a alteração da situação para onde arrastaram os portugueses.

A quantidade de boatos, juízos de valor e de afirmações falsas utilizadas por governantes e comentadores para atacar a possibilidade de um outro governo, são no mínimo estranhas. O que não sabem inventam. A verborreia é avassaladora.   

A campanha em curso na comunicação social, enquadrada pelos inúmeros comentadores ao serviço da direita, constitui uma vergonhosa manifestação de falta de sentido democrático, de isenção, de espirito critico, mais, falta de respeito pelos eleitores que demonstraram claramente a sua opção por uma solução governamental diferente.
Realmente é insuportável e é urgente que tudo isto mude, para limpar o ambiente politico português.

27.10.2015
José Joaquim Ferreira dos Santos
Membro da Assembleia Municipal de Matosinhos pelo Bloco de Esquerda


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