26 October 2015

HAJA BOM SENSO!

O irrevogável ministro em fim de mandato, Paulo Portas, tem-se arrogado no direito de dar lições de democracia aos portugueses. Todos os truques teatrais em que sempre foi mestre lhe servem para tentar dizer que o seu partido, embora tenha recebido menos votos, tem uma preponderância especial que lhe permite ser governo, o que já não pode acontecer com os partidos de esquerda porque não tendo tradição de poder, são partidos de protesto.

Este senhor parece procurar fazer esquecer casos como o dos sobreiros, do caso Portucale, da Universidade Moderna, dos submarinos e dos documentos do ministério da defesa, ele que se apresenta como um indefectível defensor da estabilidade e da permanência de Portugal na UE já se manifestou no passado, bem como o seu partido, contra a adesão de Portugal à CEE.

Ninguém com bom senso pode entender o que este senhor quer dizer quando fala em “sequestro dos votos”, que a coligação PSD/CDS estará a viver.

A habitual arrogância do ministro Portas foi expressa na rapidez em apresentar a sua pretensão em assumir antes dos votos apurados, para além da vice-presidência, também uma pasta ligada aos negócios estrangeiros.

Os argumentos que ouvimos da parte de dirigentes da coligação e de alguns dirigentes do PS, são tão espalhafatosos que caem no ridículo. As contas que apresentam são falaciosas e não correspondem à realidade. Efectivamente 62% dos votantes recusaram a continuação das medidas de austeridade e de empobrecimento.

O que mais se ouviu nas ruas e nas sessões públicas, antes e durante a campanha eleitoral, foi a necessidade de um entendimento do PS com a esquerda. Estes anseios da população não se compaginam com as afirmações daqueles que se consideram porta-vozes do povo português, sem que ninguém os tenha mandatado, de que o povo não votou para isto.

Por seu lado, os comentadores do costume estão em pânico, o que não sabem inventam, num primarismo, num infantilismo de afirmações, que fazem saltar os nervos aos mais calmos.  

Os eurocratas, preocupados com as alterações que um novo governo possa trazer, continuam a pressionar a apresentação de um projecto de orçamento de estado, que o governo ainda no poder, obviamente, não tem condições para produzir. Multiplicam-se em opiniões, em pareceres e recados ao país.

O tão recentemente proclamado apego à democracia por parte da coligação PSD/CDS não tem correspondência com os actos levados à prática pelo governo.

As mais recentes informações vindas a público, oriundas de institutos internacionais, mostram que a situação económica do nosso país não é bem aquela que o governo PSD/CDS proclama.

Por que razão o governo não apresenta o programa de PEC que enviou para Bruxelas?

A falta de crescimento sério da economia e a elevada emigração são os sinais mais visíveis. Será que este desfasamento tem alguma coisa a ver com a pressão exercida, a todos os níveis, para a manutenção no poder da coligação?

Não adianta que o porta-voz do PSD, Marco António Costa, venha tentar defender a honra do convento, porque os portugueses já conhecem a fiabilidade das suas informações, depois do episódio da situação financeira da Câmara Municipal de Gaia de que era vice-presidente.

Este é o governo que, após terem sido convocadas as eleições legislativas, promoveu uma série de alterações de cargos públicos e de nomeações. O que não é legal nem ético. Estes boys não se sujeitaram a nenhum concurso público, nem à supervisão da CRESAP. Estão neste caso pessoas ligadas ao Ministério da Segurança Social, da Defesa, pessoas da confiança Paulo Portas. Alguns foram nomeados para cargos que até foram inventados agora. Decididamente a transparência não é o maior defeito da coligação PSD/CDS, conforme o provam os constantes atropelos à legalidade democrática, escândalos de vária ordem, nomeações a desoras. Enfim, um fartar vilanagem.

Contra todos os malefícios que o governo PSD/CDS provocou na sociedade portuguesa só outro governo pode dar a esperança de melhoria das condições de vida e de respeito pelos direitos adquiridos ao longo de muitas lutas.

Por isso impõe-se uma mudança de rumo e novas soluções governativas que se oponham ao estafado e acomodatício discurso do não há alternativas.

No meio do histerismo da comunicação social e longe dos seus olhares, as negociações do PS à esquerda estão a decorrer. Espera-se que cheguem a bom porto.

21.10.2015
José Joaquim Ferreira dos Santos
Membro da Assembleia Municipal de Matosinhos pelo Bloco de Esquerda

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