12 October 2015

ELEIÇÕES LEGISLATIVAS

As eleições Legislativas 2015, como já era de esperar, decorreram com a serenidade democrática própria do povo português.

Num breve e sucinto balanço confirmou-se que a coligação PSD/CDS,  crismada de PàF, não conseguiu a maioria absoluta que pretendia e contrariamente ao que os seus líderes procuram dar a entender, perdeu centenas de milhares de votos face às últimas eleições. Foi, aliás, a única força política que perdeu eleitores.

A campanha do PS começou mal, com tropeções de iniciante na propaganda e ziguezagueante nas questões políticas centrais. Não foi capaz de se demarcar claramente da política de submissão às exigências da União Europeia e das instâncias financeiras, não foi clara quanto ao Tratado Orçamental e aos consequentes cortes, acabando por não convencer os eleitores de que estaria disposto a fazer a diferença em relação ao governo cessante, por isso não se distanciou da política governamental e não conseguiu aumentar suficientemente a sua votação. Penso que o problema não teve a ver com a sua aproximação à esquerda, mas antes pelo contrário, com a sua indefinição face às políticas do governo.

A campanha do Bloco de Esquerda procurou manter uma linguagem clara e uma maior verticalidade de posições, com a denúncia das políticas de austeridade, das suas causas e consequências, pela defesa do emprego e das pensões de reforma e do estado social. 
Disse a verdade aos eleitores, sem esquecer a apresentação de propostas alternativas. Foi por essa razão que mais de meio milhão de portugueses lhe concedeu a sua confiança, aumentando o número de votos e de mandatos. Foi um voto de quem não desistiu do país, de quem pretende continuar a viver e a trabalhar aqui, de quem recusa a continuação da política de empobrecimento. Na noite eleitoral reafirmou que não será pela falta do voto do partido que a direita, sem maioria, formará governo.

A CDU aumentou o número de votos e o seu grupo parlamentar, num eleitorado que tradicionalmente é muito homogéneo.

Dos partidos que surgiram nos últimos tempos apenas o PAN conseguiu eleger um deputado. Também aconteceu que, apesar das inúmeras sondagens e tendências de voto terem indicado que seria de outros partidos a entrada de novos deputados no Parlamento, as sondagens falharam.

Infelizmente para a democracia a abstenção também aumentou, é a mais elevada de sempre, mercê de uma campanha eleitoral em que os grandes partidos não se mostraram interessados em clarificar as suas posições, antes, branquearam os 4 anos de austeridade e degladiaram-se  em intermináveis debates em torno de questões históricas, sem aprofundar as causas e as consequências das políticas de que são responsáveis de facto e de apontarem saídas para a situação a que conduziram o país.

Por mais que procurem esconder os factos e mascarar a baixa de votos e mandatos com manifestações de arrogância e de falsa politica de abertura, o certo é que a coligação PSD/CDS perdeu 28 mandatos e não está em condições de governar, se não contar com a viabilização de outra força politica para fazer passar no Parlamento o Programa e o Orçamento de Estado.

O PS pela voz de António Costa já afirmou a sua recusa em viabilizar um governo de “mais do mesmo”, da coligação de direita. Veremos como vai manter esse propósito ou se vai ficar prisioneiro das políticas e dos interesses que têm sido defendidos nos últimos anos.

Ninguém duvide que a política governamental que se segue é a continuação da política de austeridade e de destruição do estado social, agora sem a necessidade das falaciosas leituras de indicadores nem das falsas promessas eleitorais que foram feitas. O Bloco de Esquerda deixou bem claro que tudo fará para que a coligação de direita não forme governo, aguardemos pela resposta dos restantes partidos sobre o repto que foi lançado.

Não nos esqueçamos que uma larga maioria dos eleitores votam para romper com a continuação da governação da coligação PSD/CDS. Respeitar a vontade dos eleitores é a obrigação das direcções partidárias, sem manifestar receio das ingerências inaceitáveis da União Europeia e muito menos dos comentadores do costume que não perderam tempo e já iniciaram a sua campanha de pressão e desinformação.

Precisamos urgentemente de políticos com visão de futuro para o país.

6.10.2015

José Joaquim Ferreira dos Santos
Membro da Assembleia Municipal de Matosinhos pelo Bloco de Esquerda

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