11 September 2015

NEGOCIATAS E ELEIÇÕES

Apesar de estarmos a menos de um mês de eleições, houve mais uma negociata estranha do governo, a entrega da gestão dos STCP e do Metro a entidades privadas, em condições que ainda não são absolutamente claras, mas que pelo processo utilizado nos parecem muito obscuras. Trata-se de um ajuste directo de empresas que valem 870 milhões e que o governo PSD/CDS não hesitou em entregar numa manobra apressada, ao ponto de a análise dos processos demorar apenas poucas horas. Tudo isto é mais do que razão para perguntar, o porquê de toda esta pressa.

As afirmações do secretário de estado Sérgio Monteiro, de que não haverá alterações nos preços, nem nos serviços prestados, não passa de uma máscara pois os utentes não esquecem o que se passou com a destruição da Rodoviária Nacional, cujas empresas que lhe sucederam não acompanharam os serviços que até então os utentes usufruíam, e muitas localidades deixaram de ser servidas de transportes, por alegada falta de rentabilidade.   
  
O Metro do Porto será, em princípio, entregue à empresa francesa Transdev e a STCP á espanhola Alsa Nacional Express, o secretário de estado alega que haverá uma grande poupança, mas também já se sabe que haverá pagamento de rendas pela operação destes concessionários.

Os trabalhadores dos transportes públicos do Porto têm manifestado a sua oposição a estas medidas governamentais que em nada beneficiam nem utentes nem trabalhadores.

Defendendo a transparência, o Bloco de Esquerda apresentou uma providência cautelar visando impedir esta tão apressada concessão de um serviço essencial para os utentes do grande Porto.

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Outra medida em cima do joelho foi o desmantelamento do Laboratório Militar de produtos médicos e farmacêuticos, que o governo se propõe dispersar por várias entidades. O Laboratório Militar é a única entidade pública com capacidade para produzir produtos farmacêuticos e medicamentosos para fornecer o Serviço Nacional de Saúde, passando até pela produção de vacinas e outros. Os trabalhadores civis consideram muito estranho o facto de uma medida como esta ser tomada a menos de trinta dias de eleições. Esta entidade vinha já sendo subaproveitada por escassez de mão-de-obra. Por aqui se pode aquilatar da força dos Laboratórios Médicos em termos de poderio económico, que tudo atropela e a fraqueza do governo incapaz de defender os interesses nacionais.

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A comunicação social trouxe a público informações sobre um dos compradores da TAP, o americano David Neeleman, dono da empresa de aviação Azul, no Brasil, que estaria a atravessar uma situação de falência técnica nas empresas de que é proprietário. A ser assim tratou-se de mais um brilhante negócio do governo PSD/CDS que ainda nos irá custar bem caro. Assim vamos a ver o que irá acontecer à TAP, cuja venda nos foi apresentada como única alternativa para a sua manutenção.

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São questões como estas que os portugueses gostariam de ver debatidas entre os candidatos às próximas eleições. Em vez disso assistimos a trocas de mexericos entre os líderes dos partidos do chamado arco do poder, como se estas eleições se destinassem a eleger um primeiro-ministro e não 230 deputados para a Assembleia da Republica. Esta confusão promove o desinteresse dos cidadãos e não contribui em nada para uma participação democrática, como a que neste momento o país necessita para ultrapassar os graves problemas em que os desvarios financeiros nos mergulharam.

Por mais argumentos que se aduzam, a abstenção não interessa nem ao país nem defende  os interesses dos eleitores.  As fórmulas repetidas à exaustão do tipo, “não vale a pena”, “são todos iguais” e outras do género, destinam-se a desmotivar os eleitores e a deixar a decisão nas mãos dos de sempre. Quem assim pensa, entrega o seu futuro nas mãos de outros, ao mesmo tempo que se demite do futuro do país.


O voto útil é aquele que permite políticas alternativas e que defende, de facto, os interesses dos cidadãos eleitores, por isso tem de ser um voto consciente.

9.09.2015
José Joaquim Ferreira dos Santos
Membro da Assembleia Municipal de Matosinhos pelo Bloco de Esquerda

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