07 September 2015

DEBATES SÉRIOS, PRECISAM-SE

Os eleitores portugueses esperam, legitimamente, que a campanha eleitoral para as legislativas 2015 constitua uma ocasião privilegiada de debate de ideias e de propostas destinadas a melhorar as suas condições de vida.

Pelo contrário, aquilo a que assistimos entre os partidos do chamado arco da governação, o centrão político, são as tricas e mexericos e até insultos, a “politiquice”, que em nada contribuem para a clarificação do que se propõem fazer, antes pelo contrário, afastam os cidadãos do que é fundamental ser discutido, o que tem a ver com a sua vida e o seu futuro. Mas parece interessar a alguns. O escamotear a informação, o ruído, o “faits-divers”, que enche páginas e páginas de jornais e revistas e horas nas televisões, só pode interessar à abstenção, o que em tempos tão difíceis é inadmissível.

Já ninguém aguenta

É o confronto de propostas políticas, de debates esclarecedores que pode armar os eleitores e orientar escolhas. Felizmente há sectores políticos se não se comportam desta maneira e há quem ocupe uma parte do seu tempo de forma útil ,a debater e a construir alternativas a este estado de coisas.

No passado fim-de-semana, numa escola do Porto, realizou-se o Fórum Socialismo 2015 onde, em mais de quarenta mesas de debate, aderentes do Bloco de Esquerda discutiram, com a ajuda de convidados especializados nos assuntos em debate, as questões relacionados com o trabalho, a saúde, a economia, a política internacional, a juventude, a educação e a cultura, entre outras. Nestes três dias passaram por este Fórum mais de quinhentas pessoas, o que diz bem do interesse suscitado pela diversidade dos temas em análise.

Está mais do que na hora de tomarmos o futuro nas mãos e lutar por melhorar as nossas condições de vida, com maior esclarecimento e empenhamento. Para fenómenos mais complexos exigem-se respostas mais inovadoras. E foi isso que se tentou.

Não é possível continuar a aceitar passivamente a inevitabilidade das políticas de austeridade que nos têm sido impostas nos últimos anos.

Contrariamente ao que o governo PSD/CDS e alguns média nos têm procurado fazer crer, são inúmeros os economistas, dos mais reputados, nacional e internacionalmente e até prémios-nobel, que afirmam claramente que as dividas que as contas públicas do nosso país e de outros países da Europa apresentam, são impagáveis. A chantagem exercida pelas instâncias financeiras com a cumplicidade activa do governo de Passos / Portas, tem como função a extorsão do valor do rendimento do trabalho a favor do bolso dos banqueiros.

A exigência de sacrifícios sempre aos mesmos, aos trabalhadores e reformados sob o pretexto do pagamento da dívida e dos respectivos juros, é inadmissível e deve ser rejeitada.

A crise financeira internacional não foi provocada pelas dívidas soberanas, mas pela economia de casino em que os banqueiros gananciosamente jogaram. 

É sobejamente conhecido o destino de uma parte substancial do famigerado empréstimo da troika, que  foi direitinha para salvar a banca dos desvarios megalómanos em que se meteu e dos investimento fraudulentos em que participou.

Outra das malfeitorias que os governos têm provocado são as privatizações que destruíram a maior parte do património do Estado. A teoria de que a gestão privada é melhor do que a gestão pública não passa de mais uma falácia que os partidos do bloco central têm utilizado para justificar as suas acções bem nefastas para a economia portuguesa. As falências de bancos e de empresas privadas são disso um exemplo.

É falso ser indiferente para os utentes que a gestão de uma empresa ou serviço seja pública ou privada. Desde logo porque a gestão pública se destina a prestar um serviço nas condições mais sustentáveis e não à busca sistemática e até gananciosa do lucro. Há um outro plano em que as privatizações afectam os trabalhadores e o povo em geral. Ficamos sempre mais pobres, solvemos as dívidas, pagamos preços mais altos pelos serviços e vimos o que é de todos reverter para os bolsos de uns poucos. Com as privatizações o Estado perde uma forma de financiamento não desprezível. A compensação será por via do aumento de impostos e assim os trabalhadores acabam por ser duplamente prejudicados.

É inusitada a desfaçatez do primeiro-ministro ao apelar ao voto do centro para acabar com as desigualdades sociais. O governo PSD/CDS foi quem mais promoveu o aprofundamento das desigualdades ao aumentar os impostos sobre os rendimentos do trabalho, ao mesmo tempo que baixava as contribuições dos patrões. Daí que a luta contra as privatizações, quer dos transportes públicos, quer de qualquer outro sector devem merecer o apoio e a solidariedade de todos. Esta é uma luta pelo nosso futuro e na defesa do património público, isto é , do que pertence a  todos.


2.09.2015
José Joaquim Ferreira dos Santos
Membro da Assembleia Municipal de Matosinhos pelo Bloco de Esquerda

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