28 August 2015

TEMPO DE PROMESSAS VÃS

As eleições democráticas pressupõem um prévio debate de ideias e de propostas entre os concorrentes de forma a que os eleitores possam aquilatar claramente da justeza de cada uma das candidaturas. Sem um tal debate e a falta de escolhas é posta em causa a democraticidade eleitoral. 

O desrespeito total pelas normas da democracia, evidenciado pela coligação PSD/CDS, aliás em sintonia com tudo o que se vem passando tanto na U.E. como em alguns dos países da Europa, está bem expresso no episódio da recusa da coligação governamental em participar nos debates eleitorais na televisão, excepto se for representada em conjunto por Passos Coelho e Paulo Portas. O ridículo desta exigência ultrapassa qualquer compreensão.

A verdadeira razão para esta pretensão parece ser o receio em debater a real situação do país, muito longe das declarações falaciosas com que se dirigem aos portugueses, quer sobre a criação de emprego, quer sobre as exportações e os diversos índices martelados ao sabor dos seus interesses. A coligação PSD/CDS procura assim esconder num programa vago, sem contas e sem profundidade as suas verdadeiras intenções.

No discurso do governo e dos seus apoiantes saem pequenas pérolas como, por exemplo, afirmar que com o programa eleitoral que apresentam vão colocar Portugal entre as dez economias mais competitivas do mundo. Não se consegue entender se desse grupo fazem parte países como a Tailândia, a China ou a Índia, com as suas inumanas condições de trabalho, sem direitos e de salários baixíssimos. Estas afirmações ou são tontice de quem acredita no Pai Natal ou são engodo para parvos. Felizmente os portugueses já ultrapassaram a fase dos milagres.

Após quatro anos da mais violenta austeridade sobre os trabalhadores e o povo português, assistimos agora a um sem número de promessas de benesses que levam a pensar que um saco azul de fundos foi cuidadosamente guardado para as vésperas das eleições.
No ministério de Crato, depois de todos os cortes cegos verificados na educação, fala-se na libertação de fundos para a Parque escolar fazer obras nas escolas, precisamente naquelas que o ministério congelou. Falta dizer que essas obras só serão realizadas após as eleições.

No campo da saúde os trabalhadores têm denunciado as condições em que funcionam os hospitais do Algarve, nomeadamente em relação à existência de casos de tuberculose entre o pessoal, devido à falta do rastreio médico e que está previsto legalmente. Por que alguns trabalhadores de saúde adoeceram a questão veio a público. O director Pedro Nunes apressou-se a dizer que não era verdade. Agora, que mais cinco trabalhadores apresentaram sinais de terem contraído tuberculose, numa versão mais benigna, como ficamos? Quem mente e quem fala verdade?

Ainda no âmbito da saúde, depois de ter dispensado médicos e enfermeiros durante os quatro anos do seu mandato, o governo informa, que irá admitir mais pessoal de enfermagem. A única coisa estranha nisto tudo, é que apesar de há muito tempo ser reclamada a necessidade de mais profissionais só agora, a mês e meio das eleições, tal necessidade foi reconhecida.

É recorrente serem tardios os pagamentos aos agricultores de indemnizações por mau tempo, secas ou enxurradas, mas neste momento já foi prometido o pagamento antecipado das indemnizações da seca prolongada deste ano.

De forma completamente diferente está a ser encarada a reivindicação dos pescadores de sardinha em ver prolongada o período de faina e a necessária renegociação das quotas de pesca, evitando que a espécie seja posta em causa. A obediência às instâncias europeias (o bom comportamento como lhe chama a ministra Cristas) isto é, a incapacidade de se opor às mesmas leva o governo a esquecer as necessidades dos pescadores e da indústria que deles depende

Um estudo científico da distribuição da espécie na costa, dos períodos de reprodução e crescimento e uma renegociação das quotas de captura de acordo com as necessidades de manutenção dos stocks, pode ajudar a economia das pescas e a indústria conserveira. Para isso era necessário um governo que não estivesse mais reocupado em obedecer do que em defender os interesses dos cidadãos portugueses.

Estas são algumas das razões pelas quais em 4 de Outubro os portugueses se devem questionar se querem continuar a ser governados pelas instâncias financeiras internacionais, cujo único interesse é extorquir o mais possível ao valor do nosso trabalho ou escolher alternativas, quem dê garantias de colocar à frente de tudo a defesa dos interesses do nosso povo.

Não baixemos os braços, não desistamos do nosso país.


26.08.2015
José Joaquim Ferreira dos Santos
Membro da Assembleia Municipal de Matosinhos pelo Bloco de Esquerda

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