21 August 2015

MIRAGENS DE VERÃO

Continuamos a assistir a uma pré campanha eleitoral, por parte dos partidos que se consideram a si próprios do arco da governação, sem a preocupação de perspectivarem o nosso papel na EU e as mútuas responsabilidades, a não se interrogarem sobre as economias emergentes e a não se questionarem sobre o tipo de desenvolvimento das economias asiáticas. Tudo isto para compreender melhor o mundo e delinear nele o nosso papel, a fim de que as propostas apresentadas melhorem efectivamente as condições de vida dos portugueses.

Depois de quatro anos de governo em que o povo português foi esmagado por cortes em salários e em pensões, por aumentos de impostos e por empobrecimento geral, basear um programa eleitoral em acusações a governos anteriores, sem nunca assumir os próprios erros, é no mínimo, pouco sério.

Alias, todos os pressupostos estão errados à partida pois o governo PSD/CDS afirma que foi apanhado desprevenido aquando da sua tomada de posse, pela real situação do país. É falso pois estiveram presentes de forma activa nas negociações com a troika e subscreveram o respectivo memorando. São os mesmos que saudaram efusivamente a sua chegada e disseram que o seu programa de governo iria mesmo além do da troika.

A realidade é bem outra. O famigerado ajustamento promovido pelo governo PSD/CDS após a sua tomada de posse e sob o comado das entidades financeiras internacionais, retirou aos salários 7,6 mil milhões de euros e entregou ao capital financeiro 2,5 mil milhões. Esta é a forma como o neoliberalismo vai recuperando os lucros que malbaratara com a economia de casino.

Nas suas constantes comparações entre a situação actual e a situação que se vivia em 2011, o governo esquece-se sistematicamente de uma que é fundamental para os trabalhadores portugueses. Em 2011, um em cada nove trabalhadores auferia o salário mínimo nacional, hoje, um em cada cinco trabalhadores recebe em troca do seu trabalho o salário mínimo. Esta é a real finalidade das políticas de austeridade, o empobrecimento da população, visando subjugar os trabalhadores pela precariedade, pelo desemprego e pela miséria.

As remunerações médias dos trabalhadores em Portugal também sofreram uma quebra de cerca de 2,5%. Em 2011 a média dos salários era de 971,5 euros, passou em 2015 a ser de 947 euros.
A utilização do layoff, bem como cortes nas horas de trabalho e outros truques do mesmo género estão a ser utilizados para diminuir o valor dos rendimentos do trabalho. Presentemente há mais de 80 empresas a utilizar este método de limitar os pagamentos de salários.

Outro indicador da falsidade da melhoria apregoada por Passos Coelho e Paulo Portas é o facto de 48.000 portugueses terem que recorrer diariamente a cantinas sociais para conseguir subsistir. Este é o país a que o governo se refere quando diz que tudo está melhor?

O tão proclamado crescimento das exportações tem sido contrabalançado por um aumento ainda maior das importações, o que voltou a desequilibrar a balança comercial com o exterior.  
 
 O governo apresenta como grande feito a subida do PIB, afirma até que ultrapassa o crescimento médio dos países da União Europeia. Estranho é que o PIB da Grécia, com todos os gigantescos problemas que os afligem, teve um crescimento de valores equivalentes.

Estas constatações, que são facilmente comprováveis por qualquer cidadão, devem servir de base para uma resposta contra a inevitabilidade a que nos querem condenar, no próximo dia 4 de Outubro.

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Agosto é o mês em que a maioria dos portugueses guarda para gozar uns dias de descanso, pelo menos para mudar um pouco de ambiente do costumeiro quotidiano.

Nem todos os Matosinhenses podem ir para o Algarve ou escolher férias no estrangeiro, por isso foi muito mau que o parque infantil instalado há muitos anos na Alameda Basílio Teles fosse encerrado para reconversão, precisamente neste período. A utilização dos brinquedos daquele parque, eram dos poucos momentos de lazer e convívio que muitos pais e avós podiam compartilhar com as suas crianças. Foi uma má opção quanto a mim.

Embora seja conhecida a preocupação da Câmara Municipal com a qualidade do ambiente, verificou-se nesta primeira metade do mês e em diversos locais de Matosinhos queixas de um pouco salutar mau cheiro. Já não bastava o péssimo cheiro nas imediações das instalações da estação de tratamento de resíduos de Leça da Palmeira, junto à praia do Aterro.

Esta situação não é agradável para os moradores, nem para os tão reclamados turistas, por isso impõe-se resolver o assunto com prioridade.

19.08.2015
José Joaquim Ferreira dos Santos
Membro da Assembleia Municipal de Matosinhos pelo Bloco de Esquerda

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