09 May 2015

COERÊNCIA PRECISA-SE

A impunidade com que a administração pública encara os banqueiros, que por fraudes causaram milhares de milhões de euros de prejuízo ao erário público,  constitui um dos grandes escândalos dos nossos dias.

A fraude do BPN causou um rombo de pelo menos 4.691 milhões de euros nas contas portuguesas. Um dos responsáveis por tal situação foi Manuel Dias Loureiro, ex-ministro de Cavaco Silva, o qual mesmo depois do “caso” BPN foi mantido pelo Presidente da República, como conselheiro de Estado. Este é o mesmo senhor que “fugiu” para fora do país e nunca foi incomodado pela justiça.

Tudo isto se torna ainda  mais inverosímil pelo facto de termos assistido ao seu elogio por parte do primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, a mesma pessoa acusada de crimes  de colarinho branco, dizendo então, o primeiro-ministro, que Dias Coelho  é um empresário bem-sucedido, metódico e exigente. Com tais atitudes Passos Coelho arrisca-se a ter de ouvir asserções populares como, “diz-me com quem andas, dir-te-ei quem és”. Os critérios éticos de Passos Coelho andam muito em baixo e têm de ser rapidamente revistos.

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Procurando justificar as medidas tomadas face ao emprego/desemprego e os anúncios de criação de postos de trabalho, o governo PSD/CDS mais uma vez engana os portugueses omitindo parte das informações. Na realidade 6 em cada 10 dos postos de trabalho, que o governo afirma ter criado, não passam de estágios sem qualquer garantia de continuidade e os que são remunerados, são-no em grande parte pagos pelo estado.

Esta situação, aliada a serem retirados das listagens de desempregados aqueles que desistem de continuar a procurar emprego e os que deixam de ter direito ao subsídio de desemprego, constitui uma manipulação das taxas de desemprego de que o governo se ufana.

A criação de institutos e outras entidades para promover intercâmbios entre jovens europeus e não só , com a finalidade de conseguir voluntários, alegadamente para obter experiências enriquecimento pessoal, são outra forma de enganar os jovens que pensam emigrar para trabalhar.

Outra enorme falácia é o anúncio de que há agora menos jovens desempregados do que em 2011. Para além de ser mentira, basta ter em conta as centenas de milhares de jovens que se viram obrigados a emigrar para conseguir melhorar as suas condições de vida, todos temos conhecimento de familiares e amigos nestas condições, por isso não é fácil enganarmo-nos.

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A Assembleia Municipal de Matosinhos foi chamada a tomar posição sobre diversos assuntos de que os matosinhenses devem tomar conhecimento.

Um dos assuntos tem a ver com a proposta de contratação de 80 colaboradores ao abrigo das medidas de contrato de emprego-inserção, isto é, empregar inscritos no Instituto de Emprego e Formação Profissional, IEFP em situação de desemprego e que auferem o respectivo subsidio acrescido de um pequeno abono. Para além do facto de estes trabalhadores serem contratados a prazo e no fim do contrato voltarem para o desemprego, o mais grave é que se destinam a dar apoio a crianças com dificuldades educativas especiais, o que requer qualificações que em principio não possuem e mesmo os que terão como encargo a preparação das refeições para os alunos do primeiro ciclo, não é liquido que estejam preparados para tal fim. Trata-se, tão só, de serem usados para “tapar buracos”, onde qualquer um serve.

Se estes trabalhadores são necessários permanentemente, porque não são contratados de forma permanente, adquirindo as competências de que necessitam para assegurarem a prestação de um serviço de qualidade como as nossas crianças merecem. Por tal motivo o Bloco de Esquerda não pôde votar a favor.

Outro dos pontos a tratar tinha a ver com o chamado “negócio das petrolíferas”, que se arrasta há anos e que se refere à divida pelas empresas relativa a taxas municipais e também à saída dos depósitos de combustíveis do parque de Real, devendo os terrenos reverter para o município, tendo uma parte já sido  paga em dinheiro. Como não pareceu ao Bloco de Esquerda que este assunto complexo esteja completamente claro e  transparente  do ponto de vista da salvaguarda dos interesses dos matosinhenses, o voto só podia ser desfavorável.

Por sua vez o debate em torno da permuta de terrenos entre o município e a empresa proprietária do Norteshooping, a IMOCLUB, ocupou uma parte importante da reunião. Trata-se da  troca de uma parcela junto ao cemitério da Senhora da Hora pelo espaço ocupado pelo parque de estacionamento a céu aberto, entre o centro comercial e a Rua da Madorninha que se prevê vir  ser utilizado para alargar o referido centro comercial. O Bloco de Esquerda, em coerência com as posições que tem defendido, nomeadamente com a necessidade de apoiar o comércio tradicional de rua, contra a descaracterização completa da cidade e porque as alegadas melhorias nas redes viárias envolventes não foram apresentadas e não puderam  ser analisadas, teve que votar contra mais uma vez, porque os interesses matosinhenses não lhe pareceram suficientemente salvaguardados .

Para nós a defesa dos interesses dos matosinhenses não constou apenas do programa eleitoral do Bloco de Esquerda, constituí uma bandeira de luta quotidiana e assim continuará a ser.


6.05.2015
José Joaquim Ferreira dos Santos
Membro da Assembleia Municipal de Matosinhos pelo Bloco de Esquerda 

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