13 March 2015

MUDANÇAS NECESSÁRIAS

A situação de crise que os portugueses continuam a atravessar não se compadece com atitudes dúbias por parte dos dirigentes políticos.

É imprescindível que as forças políticas assumam oposições claras com propostas alternativas que permitam escolhas e opções por parte dos cidadãos.

A não apresentação de propostas credíveis e afirmações como as que o Secretário-Geral do PS fez na reunião com empresários chineses, dizendo que o país está melhor do que há quatro anos, não contribuem para clarificar a situação política no nosso país. A explicação dada, perante a polémica, não é susceptível de merecer aceitação. As declarações institucionais não podem contrariar as propostas políticas, nem o público-alvo se deixa levar por cantos de sereia.

As centenas de milhares de desempregados, inscritos ou escondidos, a maior parte dos quais sem qualquer apoio social, os jovens obrigados a emigrar por falta de oportunidades, os dois milhões de cidadãos abaixo do limiar de pobreza não podem estar de acordo com as afirmações do Dr. António Costa.

As mais recentes informações sobre o continuo crescimento do valor da divida pública, a constatação de que a balança comercial voltou a estar desequilibrada pelo aumento do valor das importações face às exportações, contrariam essas afirmações inopinadas.

ação das políticas europeias de austeridade pelo euro grupo, a Comissão Europeia, apenas uma semana depois, publica um relatório em que que afirma que o país necessita de continuar a ser vigiado por mostrar enormes desequilíbrios internos, e porque os resultados conseguidos não são os melhores. Como se não tivessem sido precisamente os autores das políticas que o governo impôs e que provocaram os desequilíbrios.
Em que ficamos? O governo português é um exemplo de sucesso ou é um desastre?
Só a coragem política pode dar esperança aos cidadãos portugueses para ousar ultrapassar a crise e repor a economia no caminho do crescimento, que permita a criação de emprego e a melhoria dos desequilíbrios.

A crise provocou  desde 2010, um aumento do número de pessoas no limiar de pobreza que alcança já 210 milhares, o que diz bem do fracasso das políticas de austeridade e o crescimento do fosso entre ricos e pobres.

Após ter brilhado ao lado do ministro das finanças alemão, a ministra das finanças, Maria Luís Albuquerque, afirmou que é necessário relativizar a emigração dos jovens, como forma de justificar o facto de os nossos licenciados terem que procurar oportunidades no estrangeiro, porque em Portugal não as conseguem.

Entretanto, por mais que o governo afirme que não tomou posição contra o governo eleito na Grécia, por mais protestos que, juntamente com o governo do estado espanhol enviem para Bruxelas, nada pode invalidar as declarações do primeiro-ministro sobre o conto para crianças ou  as de Bruno Maçães, secretário de estado dos assuntos europeus que diz, em relação ao Syriza, aquilo que vocês têm de compreender sobre os revolucionários em qualquer lado, eles querem que tudo fique pior. Como posição de um responsável por assuntos europeus é bem sintomático.

Nos últimos dias, uma investigação jornalística vinda  a público torna claro que uma coisa é o que se diz outra, bem diferente, o que se faz. Pedro Passos Coelho tem passado o seu mandato a dizer que quem quer renegociar a divida pública é caloteiro. Ora quem quer negociar uma divida pretende pagar o que deve. Este senhor ficou a dever à segurança social vários anos de prestações, tendo tal divida prescrevido. Agora, porque foi apanhado pela informação pública, resolveu pagá-la e tem o topete de dizer que pagou voluntariamente o que devia. Temos visto o fisco a promover penhoras, muitas vezes por escassas centenas de euros, podemos é estranhar que neste caso, por milhares de euros se ter deixado prescrever tal divida. Em democracia a lei deve ser igual para todos, sem quaisquer excessões. O primeiro-ministro tem obrigação de dar explicações detalhadas aos portugueses, sem o que este caso se irá juntar ao da Tecnoforma e outros, que ensombram o seu currículo.


Portugal necessita ultrapassar este apodrecimento da situação política, para poder ter esperança no retomar de uma normalidade democrática e de implementação de medidas que permitam a saída da crise e a melhoria das condições de vida dos cidadãos. 


3.03.2015
José Joaquim Ferreira dos Santos
Membro da Assembleia Municipal de Matosinhos pelo Bloco de Esquerda

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