14 March 2015

CONTRADIÇÕES

O programa amplamente anunciado pelo Banco Central Europeu (BCE) permitiu injecções de capital na banca, nomeadamente dos países sob resgate.

Essa intervenção do BCE deveria promover o investimento nas economias nacionais. Tal não aconteceu porque a banca privada está mais interessada nos investimentos de carácter especulativo do que em financiar a economia.

É assim que assistimos às propostas de fusões bancárias, às OPA’S (Ofertas Públicas de Aquisição) e outras aventuras interbancárias com que a economia nada beneficia, mas que vai dar aos banqueiros e financeiros a possibilidade de embolsar enormes lucros.

Esta é uma das razões por que se impõe um controlo público sobre a banca na forma que melhor sirva a economia, para que os investimentos sejam direccionados, efectivamente, para o desenvolvimento e para a criação de emprego e não se dispersem por negociatas sem qualquer ligação com as necessidades reais da sociedade, mas que acabam sempre por ser pagas pelo erário público.

O país está muito melhor, diz o governo, mas o grupo Bloomberg, insuspeito de simpatias esquerdistas, afirma que Portugal faz parte dos dez países onde vai ser mais difícil viver e trabalhar em 2015.

Até o presidente do Parlamento Europeu, Martin Schultz, diz que: “ Estamos a pedir sacrifícios aos cidadãos, ao país, para aceitarem salários mais baixos, impostos mais altos e menos serviços públicos. E para quê? Para salvar os bancos.”

A Segurança Social portuguesa tem 14 novos directores, por acaso todos próximos do governo PSD/CDS. Estes novos directores foram recrutados pela Comissão de Recrutamento e Selecção para a Administração Pública (CRESAP), que propõe três possíveis titulares dos quais o governo nomeia um. A cor do cartão de filiação foi a escolha predominante. É caso para nos interrogarmos qual é o papel da CRESAP e se a escolha prévia é feita para inglês ver.

Há portugueses que sofreram penhoras por dívidas à Segurança Social, mesmo que depois se verifique que essas dívidas não existiam. Enquanto isso Pedro Passos Coelho, esteve em divida durante anos, sem que nada se passasse. Mas   este é o mesmo cidadão que, enquanto primeiro-ministro foi implacável com quem se atrasou no pagamento ao fisco. Enfim, olhem para o que digo, não olhem para o que faço. Só que em democracia, a lei tem que ser igual para todos.

Para o Presidente da República, na sua preocupação de apoiar o governo e os governantes, a discussão em torno das dívidas de Passos Coelho não passam de controvérsias ou jogadas políticas em tempo pré-eleitoral. Dada a sua parcialidade nunca este senhor se pode reclamar de presidente de todos os portugueses. Continua, no entanto, a procurar imiscuir-se na escolha de um futuro Presidente da República, traçando o seu perfil não escondendo a sua preferência por um destinatário certo.

É recorrente os partidos do governo afirmarem que a oposição não apresenta propostas e que se limita a protestar. É mais uma afirmação desonesta. Nos últimos tempos tem havido a apresentação de inúmeras propostas por parte do Bloco de Esquerda, nem sempre do conhecimento público pelo esquecimento que a comunicação social, intencionalmente ou não, faz da actividade dos partidos. Para além de propostas contra o enriquecimento injustificado, foram apresentadas propostas concretas para apoiar a natalidade, pelo alargamento da adopção, propostas de política fiscal, propostas contra a corrupção, propostas para aumentar o controlo e a regulação da banca e outras. Se isto não é uma política propositiva, o que será?

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Esta semana apareceu em toda a comunicação social mais noticiário sobre os feitos desse grupo terrorista que dá pelo nome de Estado Islâmico. Para além dos inúmero crimes cometidos contra pessoas indefesas resolveram iniciar a destruição de importantes estações arqueológicas no norte do Iraque, como em Nimrod, onde derrubaram à marretada estátuas e construções sob o pretexto de destruir ídolos. Agora aconteceu na região de Mossul, na cidade de Matra, património mundial desde 1985. São actos sucessivos de selvajaria e de ignorância.

A história relata o papel importante dos muçulmanos no intercâmbio cultural entre oriente e ocidente na preservação de culturas, nomeadamente grega, estudando e traduzindo textos e tratados que sem isso estariam definitivamente perdidos para a humanidade. Como é possível agora estes pseudo seguidores do islão comportarem-se desta forma bárbara e destruidora para com jóias da criação humano.

Tais actos bárbaros, os crimes contra seres humanos e crimes contra testemunhos do desenvolvimento cultural da história devem merecer o mais vivo repúdio por parte de todos os que consideram a cultura como o bem mais precioso a legar a outros.
Convém não esquecer a responsabilidade que as intervenções militares de países ocidentais, sob variados pretextos, tiveram no despoletar de toda esta situação. Os países ocidentais e a NATO não saem de mãos limpas de toda esta barbárie.

11.03.2015

José Joaquim Ferreira dos Santos
Membro da Assembleia Municipal de Matosinhos pelo Bloco de Esquerda

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