19 January 2015

A RESPOSTA É A ESPERANÇA

A semana passada constituiu uma prova de fogo das capacidades de resistência republicana à barbárie terrorista. Não só porque foi Paris a vítima do atentado sendo directamente visado  um órgão de comunicação social, independentemente de estarmos ou não de acordo com a sua orientação redactorial.

Os atentados terroristas contra o semanário satírico “Charlie Hebdo” e contra um supermercado judeu, provocaram dezassete mortos e alguns feridos, e não há nada que os possam justificar. O direito à liberdade de opinião e de expressão, que sempre defendi foi, mais uma vez, maculado com sangue.

A resposta não pode ser a reposição da pena de morte ou o fecho das fronteiras dentro da zona Schengen como se ouviu já, pois isso não passa de política de olho por olho e dente por dente, tornando-nos iguais aos perpetradores e nada de acordo com a democracia e a liberdade.

A resposta só pode ser dada de forma política e democrática, por todos, incluindo os muçulmanos, a quem cabe uma acção pedagógica essencial, repudiando o terrorismo e afirmando a vontade de defender a liberdade e a democracia e os seus pilares, um dos quais é a liberdade de expressão, mas também a livre circulação de pessoas, evitando uma paranóia securitária na União Europeia. Só a democracia é inclusiva e aqui cabemos todos.

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Aparentemente acabou o consulado de Alberto João Jardim na Madeira, soube-se que este senhor mesmo antes de abandonar o lugar onde “reinou” durante quatro décadas, transferiu verbas importantes para empresas ligadas a pessoas que o acompanharam durante o seu longo consulado absoluto sobre aquela região autónoma.

Da forma como as coisas funcionam na Madeira é interessante verificar como ainda há cerca de um mês a Assembleia Legislativa da Madeira votar maioritariamente um aumento das subvenções aos partidos e agora repetida a votação, num tempo pós-Jardim acabou por aprovar uma redução dessas mesmas subvenções que pode ir até cerca de metade dos valores que tinha sido anteriormente aprovados. Tão rápida mudança de atitude dos deputados levanta sérias questões sobre a verticalidade dos mesmos.

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As notícias que lemos nos jornais confirmam o que muitos como eu têm  escrito acerca de um cada vez mais extenso fosso cavado entre os rendimentos dos que trabalham e os daqueles que se limitam a especular financeiramente.

Há poucos dias foram publicadas informações sobre o espantoso aumento de vendas de automóveis ligeiros de luxo, no nosso país. Ao mesmo tempo eram publicadas análises que demonstravam o aumento do número famílias que se declararam insolventes.

Parecem aprofundar-se cada vez mais as diferenças entre os que mais têm e aqueles que apesar de trabalharem não se afastam do limiar da pobreza.

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Por sua vez, Pedro Passos Coelho, primeiro-ministro, não se cansa de afirmar que o governo não faz milagres, mas que a sua preocupação é por o país na ordem. O governo pode não fazer milagres, mas que tem mentido muito, lá isso tem.

Por exemplo, contrariamente ao que os governantes têm afirmado, a taxa de desemprego no nosso país voltou a subir. A criação de emprego, mesmo segundo as controversas fórmulas governamentais, voltou a retrair. Só nos últimos três meses a economia destruiu vinte e oito mil postos de trabalho. Estas informações foram publicadas pelo Instituto Nacional de Estatística.

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Voltaram às primeiras páginas dos jornais escândalos com os empréstimos swaps. Desta vez envolvendo o actual Secretário de Estado dos Transportes, Sérgio Monteiro. Este senhor negociou em 2010 empréstimos swaps através da empresa ELOS para o TGV, manifestamente em prejuízo do Estado. Com a tomada de posse do governo PSD/CDS, Sérgio Monteiro assumiu a pasta da Secretaria de Estado dos Transportes e negociou a transferência destes empréstimos para a PARPUBLICA, empresa que gere as participações do Estado, o que trouxe ao Estado um prejuízo de 152,9 milhões de Euros. E são estes mesmos senhores, tão idóneos, que tanto procuram cortar nos transportes públicos, muito mais preocupados em entrega-los à iniciativa privada do que em prestar serviço aos cidadãos.

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Como sempre a esperança reside na possibilidade de ultrapassar a ideia da inevitabilidade, do não há nada a fazer e de agarrarmos o futuro nas nossas mãos, a exemplo do que tem vindo a ser feito na Grécia, com o Syriza e no Estado Espanhol, com o Podemos, onde milhões de cidadãos ultrapassaram os medos e estão a construir uma nova esperança, pondo fim à agenda da inevitabilidade. Nem tudo será fácil, mas como está, não há futuro. Que sejam bem-sucedidos.

14.01.2015

José Joaquim Ferreira dos Santos
Membro da Assembleia Municipal de Matosinhos pelo Bloco de Esquerda

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