13 December 2014

O “milagre” da recuperação

Nas últimas semanas temos assistido ao lançamento de uma campanha de propaganda eleitoral, à custa do erário público, por parte do governo que procura lançar a sua candidatura às próximas eleições legislativas, que terão lugar no outono do próximo ano.

A pretexto de apresentar o orçamento geral do estado, ministros e membros do governo têm aproveitado para propalar um discurso com que pretendem fazer crer, que toda a sua acção levou o país a sair da situação económica difícil em que se encontrava e que está no bom caminho da recuperação.

Ora a verdade apresenta-se bem mais negra do que a que procuram pintar.

Desde Janeiro tem havido penhoras de casas ao ritmo de 197 por dia, motivadas por dívidas não cobradas, nomeadamente aos bancos e o fisco.

Passos Coelho afirma ser falso que a taxa de desemprego tenha baixado mercê da emigração em massa, mas o certo é que já saíram do país centenas de milhares de jovens e menos jovens, muitos deles com formação superior, numa debandada que nem nos anos 60/70 do século passado teve par.
Só na segurança social o governo prepara o despedimento de cerca de 700 funcionários, não por não terem tarefas a desempenhar, mas porque decidiu alienar para as IPSS e Misericórdias parte das funções que a segurança social tem cumprido.

Também os jovens com dificuldades e problemas de aprendizagem perderam o direito no acesso às terapias de que tanto necessitam, porque o governo decidiu pelo seu corte.

Em termos de saúde, ao mesmo tempo que exportamos médicos e enfermeiros, que buscam no estrangeiro melhores condições de vida, os doentes enfrentam listas de espera maiores e piora o fornecimento de medicação. Simultaneamente negoceia-se a entrega de hospitais às Misericórdias.
A preocupação governamental em transferir para as autarquias a responsabilidade comas escolas, a chamada municipalização do ensino, visa baixar a qualidade da escola pública, numa espécie de escola para pobres favorecendo em contrapartida a escola privada, com o financiamento público aos estabelecimentos de ensino privados.

Este governo na sua ânsia de agradar às entidades financeiras só mostra preocupar-se com o cumprimento das metas impostas por Bruxelas em termos de défice. Para tal, não hesita em cortar ainda mais em salários e em pensões, indo ao ponto de aumentar a idade da reforma, para os 66 anos, num momento de grave crise de emprego e de trabalho.

Já agora porque  não falar dos escândalos dos vistos dourados, da venda do BPN,dos CTT, da TAP, da PT, do Banco Novo, da entrega a privados dos transportes colectivos do Porto e Lisboa. Enfim, dos grandes negócios em que este governo se meteu, sem cuidar dos interesses do país.

Se esta situação no país de desemprego, empobrecimento endividamento é o caminho certo do governo, então estamos muito mal. Este governo,que esquece as pessoas e idolatra os mercados,não merece a mínima confiança e quanto mais rapidamente for afastado, melhor.

Uma das falácias mais utilizadas pelo governo é a de que a oposição não apresenta propostas alternativas às suas. Pela parte do Bloco de Esquerda temos apresentado centenas de propostas que são ignoradas pelo governo e pela maioria parlamentar que o sustenta.
Também não corresponde à verdade que nos tenhamos limitado à comodidade do protesto, como afirmou António Costa no Congresso do PS, esqueceu que temos apresentado propostas, para muitos dos problemas do país, algumas apoiadas pelo PS.

Apesar de sistematicamente uma parte da comunicação social ter silenciado as nossas propostas, mais preocupada em apontar a data do fim do Bloco e outras premonições catastróficas do mesmo género, o Bloco mantem-se firme na luta contra a austeridade e contra a submissão aos interesses do capital financeiro.

A IX Convenção do Bloco de Esquerda mostrou que há diversidade política no partido, como sempre existiu, sem que isso impeça a unidade no essencial. Esta diversidade constitui uma das principais riquezas deste partido/movimento. O Bloco assume as diferenças e dá-lhes voz ao contrário de todos os outros partidos.

O Bloco de Esquerda elegeu uma direcção política, a Mesa Nacional, que conta com participação proporcional de todas as moções políticas apresentadas na Convenção. Foi a partir da Mesa Nacional que foi eleita uma Comissão Política para optimizar o trabalho de direcção da Mesa Nacional e uma Comissão Permanente que assegura o acompanhamento quotidiano do trabalho do partido. Nestas duas comissões têm voz todas as sensibilidades que chegaram à Convenção. Como porta-voz nacional foi indicada Catarina Martins. Estas resoluções foram votadas por maiorias absolutas.

Os comentadores do costume querem formatar todos os partidos à existência de líderes mais ou menos autocráticos, que arrastam equipas próprias quando entram e quando saem. Não compreendem que no Bloco a direcção é colegial e democrática, ninguém é excluído nem se exclui e todos os contributos são igualmente importantes e válidos.

Os ajustes que vão sendo feitos destinam-se a dotar o Bloco de maior operacionalidade, mais e melhor democracia e a melhorar a capacidade de intervenção na sociedade.

A política do Bloco de Esquerda prosseguirá firmemente contra a austeridade, contra a destruição do estado social, com a flexibilidade necessária e a abertura à negociação com todos os que recusem claramente as políticas de austeridade e os tratados orçamental e transatlântico, que impedem o crescimento e a criação de emprego e atacam a democracia.

Podem contar com um Bloco dialogante, mais firme, unido e lutador.

   3.12.2014
José Joaquim Ferreira dos Santos
Membro da Assembleia Municipal de Matosinhos pelo Bloco de Esquerda

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