22 December 2014

A verdade é como o azeite …

A campanha contra as instituições da democracia e nomeadamente contra o parlamento utiliza todos os meios, mesmo os menos honestos.

Embora haja deputados de quem os portugueses nunca tenham sequer ouvido o som da voz ou conhecido qualquer iniciativa, há outros que procuram dar à comunidade o melhor contributo que podem e sabem.

Qualquer coisa serve para denegrir o papel do parlamento, o número de deputados, o seu custo e mordomias, passando pela forma de representação dos mesmos, até o que é mais grave, à divulgação de falsidades.

Uma alegada carta escrita por uma jovem estudante, reportando-se a uma visita de estudo à Assembleia da Republica, onde terá visto deputados em atitudes menos consentâneas com os seus deveres durante uma sessão plenária, foi utilizada sem pudor da forma mais mediática, por um conhecido comentador no seu programa televisivo semanal.

Ora acontece que, após alguma rápida investigação, se ficou a saber que a alegada aluna não podia ter assistido a nada disso porque, no dia referido não houve sessão plenária, nem tenha havido qualquer visita de estudo.

O mínimo que se poderia esperar de quem tem responsabilidades com a informação pública e que até em tempos foi dirigente de um partido político, seria uma atenção mais cuidada na “informação” que passa, e não a usar de forma leviana, ajudando ao coro do populismo e a lançar mais confusão.
A democracia não é concebível sem partidos políticos. Cabe aos partidos proporem os melhores e é no parlamento que os partidos se enfrentam no debate das suas propostas políticas, que devem espelhar a vontade dos seus eleitores. Se usufruem de privilégios inusitados esse será outro assunto e os eleitores são soberanos para lhes pôr cobro.

Pedia-se a quem já teve assento naquela instituição uma outra atitude mais inteligente, o que não aconteceu. O rastilho deste “não acontecimento” alimentou a comunicação e as redes sociais, denegrindo ainda mais o parlamento.  

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O IRS, o imposto que recai sobre o rendimento das pessoas a nível individual, sofreu um aumento brutal durante o consulado do ministro Vitor Gaspar. As manobras agora executadas pelo governo, em torno de uma alteração do IRS para 2015, não vão repor a situação anterior. As promessas de devolução de uma parte das taxas cobradas, no caso dos valores cobrados no total do imposto, atingirem totais que são verdadeiramente irreais, não passam de promessas enganosas.
O peso que a carga fiscal tem no orçamento familiar dos portugueses não merece qualquer interesse por parte dos governantes. A sua única preocupação neste momento é iludir mais uma vez os eleitores, pensando nas eleições legislativas que se aproximam.

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São inúmeras as entidades nacionais e internacionais que reconhecem que as metas prometidas pelo governo PSD/CDS em termos de crescimento da economia, de exportações, de limites do défice ou de criação de emprego não são exequíveis.

Quanto à criação de emprego todos sabemos que a baixa da taxa de desemprego é completamente fictícia e que advém da saída em massa de jovens para o estrangeiro e da colocação de trabalhadores em empresas como estagiários, sem direitos nem saídas de futuro, mas que implicam o pagamento pelo Estado do custo do respectivo estágio.

Todos sabemos as razões porque os jovens procuram no estrangeiro melhores condições de vida, mas o que condeno é a displicência governamental perante tamanha sangria do país e o incentivo dos jovens a emigrar e nada fazer para impedir a saída de toda uma geração cujo investimento na sua formação tanto custou ao erário público.

A esta situação de circulação de jovens geralmente com boa formação, chamam os eurocratas “circulação fertilizante de elites”, o que identifica exactamente o que pretendem com estas manobras.
A entrega da maior parte das empresas que faziam parte do sector empresarial do estado à iniciativa privada tem constituído péssimos negócios para Portugal. Podemos falar da EDP, da REN, dos CTT, da Caixa Seguros, dos combustíveis, agora da PT e da ameaça de privatização da TAP e CP-CARGA, dos transportes públicos de Lisboa e Porto. São sempre vendas ao desbarato pelo Estado, negócios ruinosos para todos nós. A mesma coisa para os negócios de venda de bancos levados à falência por fraudes e incúria, de que a parte boa é vendida a baixos preços e a parte má fica por conta do erário público.

Já é do conhecimento público que a crise do BES/GES era conhecida há muitos anos, mas a teia de interesses tecida por Ricardo Salgado veio sendo reunida e escondida atrás de ligações preferenciais que passaram por favores, como férias na sua mansão no Brasil, a importantes dirigentes políticos e conhecidos comentadores.

O governo parece ter desistido de governar para o país, mas podem ter a certeza de que ainda há quem não tenha desistido deste mesmo país.

7.12.2015

José Joaquim Ferreira dos Santos
Membro da Assembleia Municipal de Matosinhos pelo Bloco de Esquerda

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