02 September 2014

Onde pára o verão?

Este ano até o Verão foi de férias para outras paragens.
Ouvimos constantemente dizer que já não se sabe quando é Verão ou quando é Inverno, que o mês de Agosto já não é o que era, porque chove e as temperaturas são muito abaixo do que era habitual. É interessante tentar perceber o que se passa.
As profundas alterações climáticas vividas nos últimos tempos são causadas, em grande medida, pelos erros cometidos pela actividade humana desregulada contra o que em princípio deveria ser o equilíbrio da natureza.

Um estudo publicado na semana passada na revista Science procura demonstrar que dois terços do degelo verificado nos glaciares e nas calotes polares entre 1991 e 2010, estão relacionados com as emissões de gases com efeitos de estufa, resultantes da queima de combustíveis fósseis.

Este estudo, realizado por investigadores austríacos e canadianos, mostra que a perda de massa nos glaciares tem subido exponencialmente nos últimos anos.

Estas conclusões, que colhem apoio junto de muitos outros especialistas, constituem uma violenta, mas pertinente resposta, àqueles que afirmam que as mudanças climáticas não são culpa das actividades humanas, mas fenómenos naturais.

No mesmo quadrante destas preocupações, a organização que estuda as medições da pegada ecológica deixada pela acção dos seres humanos no planeta, informa que, este ano a partir de 19 de Agosto, o mundo entrou em défice,  relativamente aos recursos que a natureza consegue produzir num ano. Isto é, em oito meses conseguimos esbanjar os recursos que são produzidos num ano civil.

É tal a desregulação que acrescentamos ainda mais o défice ecológico   a redução das reservas naturais e aumentamos a emissão de CO2 para a atmosfera.

É de ter em conta que este esbanjamento de recursos tem uma distribuição geográfica mundial muitíssimo desigual e por isso alguns autores defendem a tese de que as mudanças climáticas têm mais a ver com o modo de produção capitalista do que com as emissões de CO2 que provocam o aquecimento global.

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Se até o Verão foi para parte incerta, por cá tido continua igual. Mantém-se o ataque do governo ao Serviço Nacional de Saúde (SNS) e aos profissionais que lhe dão corpo com dedicação e profissionalismo.
As consecutivas acções de luta desenvolvidas por médicos, enfermeiros e pessoal auxiliar destinam-se a chamar a atenção para os problemas que o SNS atravessa e a contribuir para que esta importante conquista da democracia não seja destruída pelo desinvestimento a que se assiste e pela entrega à iniciativa privada de muitas das valências dos hospitais públicos.
Os 105 estabelecimentos hospitalares privados já somam 28% das camas de internamento e estão a tirar vantagens do litígio entre  o governo e as associações sindicais do sector da saúde.

É caso para perguntar quais as reais pretensões do Ministério ao continuar com o braço de ferro que mantém com os trabalhadores da saúde.
Por exemplo, quando os enfermeiros se queixam de exaustão por excesso de horas de trabalho, o senhor ministro com a habitual arrogância, vem afirmar que, se estão exaustos é porque exercem funções em diversos locais.
A única finalidade do governo parece mesmo ser a de cortar nos financiamentos sociais e privatizar todo o estado social, dando aos privados o que for susceptível de gerar lucros e destruindo todo o resto, numa perspectiva neo-liberal. A quebra nos apoios sociais é enorme. Cerca de 137.000 beneficiários passaram a não receber apoios sociais, entre crianças sem abono de família, idosos sem complemento de reforma e desempregados sem subsídio de desemprego.

Enquanto isto, o ministério da defesa gasta, só em contratações de acessorias jurídicas,  mais de meio milhão de euros, quando tem um gabinete jurídico ao seu serviço.

No seguimento do escândalo BES o governo prepara-se para vender ao desbarato a seguradora Fidelidade ao grupo americano Apollo.
A seguradora constava do acervo do BES com o valor de mais de 500 milhões, vai e segundo a imprensa, ser vendida por pouco mais de 50 milhões, em mais um alegado investimento para capitalizar a empresa seguradora.
Também as negociações em torno do Espírito Santo Saúde, que engloba vários estabelecimentos de saúde, configuram outro ruinoso negócio.
Os grandes e opacos negócios do governo continuam.
 Estes negócios têm uma estranha semelhança com a venda do BPN ao BIC angolano por uma soma simbólica, livre de despesas e sujeitando o estado a pagar indemnizações ao comprador.
As desculpas de que estes são negócios entre privados e de que o estado nada tem a dizer, são  como já sabemos, a mais completa falácia, pois quando há asneira são sempre os pobres portugueses que pagam.

26.08.2014
José Joaquim Ferreira dos Santos
Membro da Assembleia Municipal de Matosinhos pelo Bloco de Esquerda

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