08 August 2014

Loucuras de verão

O governo PSD/CDS decidiu afastar a Empresa de Manutenção de Equipamentos Ferroviários (EMEF), pertencente ao Grupo CP, da prestação de serviços de manutenção do Metro do Porto.
Há quem afirme que o futuro deste serviço já tem um destinatário, é a Bombardier, a mesma empresa que forneceu os veículos actualmente em serviço nas linhas de Metro do grande Porto.
Também há quem pense e com argumentos razoáveis, que este pode ser o primeiro passo para uma rápida privatização não só da exploração, como também da manutenção, dos serviços de transportes públicos no grande Porto, Metro e STCP.
Não é facilmente explicável como havendo uma empresa pública com “know-how” reconhecido, que emprega cerca de 60 trabalhadores em Guifões, se vai acabar com esta empresa e entregar o serviço a privados, sem haver a preocupação degarantir a integração dos trabalhadores na nova empresa a criar.
Os trabalhadores dos transportes públicos do Porto têm denunciado também que a qualidade dos serviços prestados aos cidadãos do grande Porto não será devidamente assegurada por concessionários, pois a sua finalidadeserá o lucro e não o serviço público, que pode ser deficitário do ponto de vista económico. Daí poderem ocorrer cortes em carreiras que não garantam lucros e dispensa de pessoal  quesempre  acarreta menos qualidade nos serviços ao  público.

Contrariando, mais uma vez, as afirmações do ministro da saúde e da própria administração do Hospital Garcia de Horta de Lisboa, os directores de serviço denunciam a situação de carência de meios humanos e a falta de meios técnicos ultrapassados e obsoletos que não garantem a qualidade de atendimento aos utentes que aqueles responsáveis consideram aceitável.
Esta situação é tanto mais estranha quando assistimos à debandada de médicos e enfermeiros para o estrangeiro, por não conseguirem trabalho no nosso país.

A saga-BES acaba de ter o seu clímax, com desenvolvimentos ainda mais graves do que as piores estimativas poderiam prever. O buraco nas contas do banco alcançou valores de mais de quatro mil e novecentos milhões de euros a despeito das diversas garantias dadas pelo governo e pelo Banco de Portugal de que tudo estava controlado no BES, como foi dito ainda há quinze dias. Agora sabe-se que afinal ocorreram fraudes e actividades criminosas por parte da sua administração.
Depois de vários comentadores terem, como é costume, posto a correr a possibilidade de o BES ter de aceder aos fundos da troika, destinados ao apoio a entidades bancárias, mas que não caem do céu e os portugueses terão de pagar, a pitonisa oficiosa do governo, o ex-ministro Marques Mendes, antecipou-se a dizer que o Banco de Portugal irá recapitalizar o BES entre 4 e 5 mil milhões de euros, utilizando os chamados fundos da troika, que acabarão por ser desembolsados pelos contribuintes ao contrário do que nos querem fazer crer. O sector financeiro nunca joga a feijões.
 Quem decide é o Banco de Portugal, diz o primeiro-ministro Passos Coelho a banhos no Algarve. Como o decisor é o mesmo que foi publicamente dizendo que tudo estava bem e sob controlo, não é caso para ficarmos sossegados.
É sintomático que o governo e o Presidente da República tenham tomado resoluções, mesmo legislativas, em segredo e às escondidas do povo português e dos seus representantes na Assembleia da República.
Neste último episódio da semana com Ricardo Salgado já afastado e indicados novos dirigentes do BES, só por coincidência, pessoas da área do PSD, como Victor Bento e um ex-governante, uma enorme desvalorização das acções do banco em bolsa, aceleraram o plano de intervenção do Banco de Portugal. Seguem-se novos capítulos e a série ainda não tem fim à vista.

Foi também indicado pelo governo o futuro comissário europeu. Trata-se do Engº. Carlos Moedas, até agora secretário de estado adjunto do primeiro-ministro e o rosto da implementação da austeridade, de acordo com os mandamentos do gigante bancário Goldman Sachs,seu anterior patrão. Para o nosso país que necessita com urgência de políticas de crescimento económico e de criação de emprego, um tal comissário europeu não parece o mais indicado para defender essa necessidade, ele que aplaudiusempre e zelosamente asmedidas de austeridade da troika. Por isso já se fala que tal indicação não passa de uma recompensa pelos serviços prestados à causa do empobrecimento e da austeridade, reiterado propósito de Carlos Moedas.

Após várias tréguas de cessar-fogo de curtíssima duração, continua o massacre desencadeado pelo estado de Israel contra os milhões de refugiados Palestinianos na faixa de Gaza. Por mais explicações que nos procurem dar, a realidade é que há centenas de mortes e milhares de feridos entre os Palestinianos, muitos deles ainda crianças vitimas de bombardeamentos a escolas, hospitais e refúgios das Nações Unidas, atacados sem a mínima complacência pelo exército israelita a pretexto de destruir os túneis que alegadamente permitem a entrada nos territórios ocupados por Israel. O mais recente pretexto dos falcões israelitas seria o rapto de um soldado, Hadar Goldin, de 23 anos, cuja libertação era condição para parar os ataques. Ora diz-se que aquele militar israelita foi morto em combate e não raptado, pelo que o pretexto seria falso.
O repúdio manifestado por todo o mundo e as declarações na ONU não impediram os Estados Unidos de fornecerem munições que permitem a continuação da agressão israelita. A hipocrisia tem rosto.
Israel nunca manifestou o mínimo respeito pelas condenações da ONU ou de qualquer organismo internacional, nem pelos direitos humanos. Parece que a única coisa que pode sensibilizar os dirigentes de Israel é atacar o seu enorme poder económico. Talvez um boicote aos produtos e marcas importados de Israel,concertado a nível internacional, muitos deles produzidos nas zonas ilegalmente ocupadas, fizesse repensar a agressividade contra o povo palestinianoe a absoluta insensibilidade face à opinião pública internacional.

6.08.2014

José Joaquim Ferreira dos Santos

Membro da Assembleia Municipal de Matosinhos pelo Bloco de Esquerda

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