02 July 2014

Novamente a banca

Contrariamente ao que é constantemente afirmado pelo ministério da saúde, nem tudo ou mesmo muito pouco vai bem pela saúde pública no nosso país. O governo PSD/CDS mantem-se firme na anunciada intenção de destruir o Serviço Nacional de Saúde.

A direcção do Hospital de S. João apresentou a sua demissão, por considerar que os cortes nos financiamentos prejudicam gravemente a manutenção dos serviços de saúde prestados naquele hospital. Convém lembrar que o Hospital de S. João foi o que apresentou melhor índice de produtividade do país.

A opinião dos dirigentes do Hospital de S. João é partilhada por muitos médicos que por todo o país, já ameaçaram com greves contra as medidas governamentais.

Os cortes em medicamentos avançados e modernos para doenças mais complexas, impede o acesso aos doentes com menos possibilidades económicas.

Toda esta conjuntura aponta claramente para aquilo que tem sido denunciado como a criação de um serviço de saúde para ricos, entregue às entidades privadas que têm vindo a instalar-se, com todas as condições, enquanto para os pobres restará um serviço assistencial, de menos recursos, sem condições e transformando os hospitais públicos em pouco mais do que centros de saúde maiores.

Sob a ameaça dos dirigentes hospitalares, o ministério apressou-se a pôr água na fervura, apesar denada estar ainda resolvido, prova que a luta vale sempre a pena. Entretanto os sessenta e seis directores do S. João vão manter a sua demissão em aberto até que os compromissos se concretizem, continuando no exercício de funções para não provocar rupturas na prestação dos cuidados de saúde.

Também o ministério d educação, acrescentando às centenas de escolas já encerradas por todo o país, veio anunciar a sua intensão de encerrar mais 311 escolas, sabendo-se já que o maior número vai recair no interior norte do país.

As desculpas que são apresentadas para estes encerramentos encobrem a finalidade real que são os motivos economicistas do governo, para pôr fim à escolapública. Este é mais um contributo para aumentar a desertificação do interior, de onde foram retirados outros serviços como os tribunais, os correios, as repartições de finanças, os serviços de saúde e os transportes públicos.

Mais uma vez se pode afirmar que estas medidas coordenadas se destinam a destruir os serviços públicos de qualidade e a entregar à iniciativa privada tudo o que possa produzir lucros.

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Nesta país de faz de conta, quem não de lembra de ouvir as lições do senhor Ricardo Salgado, administrador do Banco Espirito Santo, com declarações contra os trabalhadores e contra os portugueses em geral, parecendo estar sempre acima de tudo e de todos.

Com o escândalo em torno do grupo BES posto a descoberto, caiu mais uma máscara, a desta personagem, tão peremptório inimigo da democracia portuguesa e dos avanços que esta promoveu na vida quotidiana.Neste tempo de memória curta, ainda nos lembramos , por exemplo da sua influencia  na vinda da troika e da sua presença como comentador no quotidiano dos telejornais, saudando efusivamente a sua chegada.

Há suspeitas de actividades criminosas em todo o universo BES, por todo o lado e para todos os gostos, lavagem de dinheiro, fugas aos impostos, negócios escuros nas filiais dos Estados Unidos e o desaparecimento de mais de 5 mil milhões de euros no BES-Angola. Tudo isto levou o Banco de Portugal a exigir a alteração da administração e o afastamento da família Espirito Santo da gestão do Banco.

Como estas coisas andam sempre ligadas, o ex-braço direito de Ricardo Salgado, Amílcar Morais Pires será o seu indigitado sucessor, embora, juntamente com o outro possível candidato, José Maria Ricciardi, sejam arguidos em processos ligados à manipulação de mercados com acções da EDP.Como substituto do actual lugar ocupado por Morais Pires fala-se do deputado do PSD, Paulo Mota Pinto. Claro que se trata de meras coincidências. No final veremos como tudo fica “arranjadinho”.

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Muito se tem falado e escrito sobre a necessidade da unidade entre as forças de esquerda para um projecto de governo, capaz de se opor à unidade da direita. Confronta-se assim as esquerdas com a inevitabilidade em imitar a direita, correndo o riso de, na pressa, se fazerem alianças contra-natura e sem princípios.

Para que se estabeleçam entendimentos à esquerda são necessários denominadores comuns, como a recusa do Tratado Orçamental e a reestruturação da dívida pública, como forma de libertar fundos para o investimento e criação de emprego, mas também uma defesa intransigente dos serviços públicos e do estado social.

Sem estes pressupostos garantidos, a mera substituição de um governo por outro não passará de mais do mesmo.

Quanto a mim, o afastamento do actual governo transformou-se num imperativo nacional, dados os malefícios que acarretou para Portugal e para os portugueses

25.06.2014
José Joaquim Ferreira dos Santos

Membro da Assembleia Municipal de Matosinhos pelo Bloco de Esquerda

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