25 July 2014

O essencial e o acessório

Nos últimos dias o Bloco de Esquerda tem estado em destaque nas páginas dos jornais e nos noticiários das televisões a propósito da saída de alguns aderentes do partido.

É interessante verificar que muitos dos órgãos de comunicação social que agora tanto comentaram este facto, são precisamente os mesmos que sistematicamente omitem os comunicados e as iniciativas do Bloco e até esquecem a cobertura jornalística das campanhas eleitorais.

Embora lamentando a saída de camaradas com quem trabalhei durante vários anos, é meu entendimento que um partido político não é uma entidade de carácter religioso a que se adere para a vida e onde quem sai passa a ser considerado como traidor ou apóstata. Para mim, um partido é um organismo dinâmico que congrega pessoas com afinidades políticas. Quando estas deixam de existir é natural que quem já não se sente ligado ao projecto o abandone, não pondo de parte a possibilidade de nos virmos a encontrar noutras lutas. De qualquer modo há aderentes que saem e outros que entram de novo.

Em democracia dramatizar estas situações, não é nada saudável e muito menos racional.
Por isso penso que o empolamento jornalístico motivado pela saída de alguns aderentes do Bloco, nos últimos dias, por mais qualificados que eles sejam, ou se deve a alguma falta de notícias interessantes ou se trata de vinganças mesquinhas por parte dos grupos económicos que detêm e controlam esses jornais e que “utilizam” os analistas do costume para lançar a confusão entre os cidadãos.

É preciso ter em conta, que desde o seu aparecimento, ao Bloco de Esquerda foi “decretada” a sua morte prematura, no entanto continuamos em actividade e, pelos vistos, incomodando os grupos responsáveis pela situação a que chegou o nosso país. Daí a sanha persecutória sem tamanho contra o Bloco a que se assiste há uns tempos a esta parte.

Reconheço a necessidade de muita reflexão e  debate dentro do partido e de aprofundamento da democracia, mas não só decorrente da situação criada, antes, como necessidade permanente de um grupo de pessoas com acção politica que não tem verdades absolutas nem reconhece mentores ideológicos.

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Era já do conhecimento público que Portugal é um país onde a desigualdade entre os mais ricos e os mais pobres é muito profunda, mas agora é o próprio Banco Central Europeu (BCE) que vem dizer que 1/4 da riqueza do país está na posse de apenas 1% da população.
É claro que este tipo de dados não é publicado pelo Instituto Nacional de Estatística desta forma tão crua e directa. Com uma tão grande discrepância entre os rendimentos dos cidadãos o que admira é que ainda haja quem apoie as políticas do governo.

Como se as más notícias não bastassem, Portugal é neste momento o país da Europa com a taxa de natalidade mais baixa, ao ponto de o número de nascimentos ser inferior ao dos óbitos. 

Com a pompa e circunstância do costume foram apresentadas como propostas, umas quantas medidas governamentais, alegadamente destinadas a promover o aumento da natalidade. No seu conjunto pecam por falta de consistência, não passam de promessas vãs, como alias tem sido hábito do governo Passos Coelho/Paulo Portas. A propósito das propostas para o IRS, o governo propõe-se diminuir as deduções a uns contribuintes como contrapartida á redução de taxas a outros. Mais uma trapalhada.

Obrigados a emigrar, sem empregos ou com empregos precários e com salários de miséria, sem apoios sociais decentes como é possível esperar que os jovens casais pensem em ter filhos. É conhecida a situação de empresas que obrigam jovens mulheres, candidatas a empregos a comprometerem-se a não engravidar durante o período de vigência do contrato de trabalho. Para combater a baixa natalidade é necessária uma sensibilidade social que este governo já provou que não tem.

 Na mesma lógica de restrições está a informação de que o ensino em Portugal perdeu mais de 100 mil alunos nos anos lectivos de 2011 e 2014. É um recuo de décadas que custará muito caro ao futuro do nosso país. Com esta grave situação, aliada ao facto de milhares de jovens licenciados terem sido obrigados a emigrar em busca de trabalho, temos um avolumar de  problemas entre mãos a curto prazo.

As ameaças de destruição de tudo o que é serviço público, viraram-se para a concretização de uma pretensão, já antes anunciada, a concessão/privatização dos STCP e do Metro do Porto. Como o estado pretende poupar nas indemnizações compensatórias, devidas pelo serviço público prestado, pode concluir-se que se seguem despedimentos, uma menor qualidade nos serviços, cortes nas carreiras e o consequente prejuízo para os utentes. O ciclo repete-se recorrentemente.

Os trabalhadores dos STCP e do Metro repudiaram a concessão/privatização, não só pelos prejuízos que acarreta para as suas carreiras, mas pelos enormes riscos para a continuação do serviço aos utentes como o conhecemos. Cabe-nos solidarizarmo-nos com eles, contra mais esta medida neo-liberal de entrega à iniciativa privada de serviços públicos.
A obsessão pelo lucro leva a que tudo, mesmo tudo seja mercantilizável. Tal filosofia política  está a mudar de forma assustadora a sociedade. Para onde vamos?

 23.07.2014
José Joaquim Ferreira dos Santos
Membro da Assembleia Municipal de Matosinhos pelo Bloco de Esquerda

18 July 2014

Uma semana atribulada

O facto noticiado de haver cidadãos, no Algarve, que esperam uma consulta de oftalmologia há cinco anos mereceu do ministro da saúde o comentário de que tal é inadmissível.

Inadmissível, de facto, é o desinvestimento que tem vindo a ser feito na saúde pública, não só no Algarve, mas em todo o país. Todos conhecemos situações, nos mais diversos estabelecimentos de saúde, em que consultas e outros actos médicos são adiados por falta de recursos humanos, médicos e de enfermagem, como se tem verificado no Hospital do litoral Alentejano.
Os médicos manifestam de forma recorrente o seu descontentamento com a situação, tendo realizado uma greve nacional com elevada participação, como forma de repúdio pelas medidas tomadas pelo governo para este sector. Os porta-vozes do costume apressaram-se a dizer que a greve foi política e que os prejudicados são os utentes. No entanto, o mais estranho deste discurso foi a afirmação do senhor ministro ao dizer que os clientes da medicina privada tinham sido todos atendidos. Como publicidade aos estabelecimentos de saúde privados não podia ser melhor. Uma coisa que o senhor ministro se esqueceu de referir é que aos hospitais públicos têm sido retiradas valências, principalmente aquelas que existem em estabelecimentos privados de saúde nas proximidades, como é o caso do hospital de Matosinhos. Faz parte da estratégia de eliminação dos serviços públicos de qualidade, como é o Serviço Nacional de Saúde.
 A mais recente “invenção” do governo é a abordagem de câmaras municipais para transferir para o poder municipal a responsabilidade dos centros de saúde. Á primeira vista parece-me ser mais uma tentativa de alijar responsabilidades e quiçá de preparar a privatização total.
Outro serviço público que há muito tempo está sob a constante ameaça dos governos é a educação. Não há sossego no quotidiano das escolas. Não são só os estranhos acordos estabelecidos com a já chamada “indústria do ensino”, que chega a estabelecer contractos com colégios privados em locais onde existem escolas públicas. O governo lançou a ideia de municipalizar a educação, isto é passar para as câmaras municipais a obrigação constitucionalmente cometida ao estado de assegurar um serviço público de educação de qualidade. Apressadamente, algumas câmaras responderam afirmativamente e até mostraram interesse em assumir responsabilidades no âmbito pedagógico, da contratação e gestão do pessoal docente. Esta ideia, de eficácia duvidosa, constitui um retrocesso e já foi experimentada noutros países da Europa com resultados muito negativos.
A assunção de competências no campo do pessoal não docente, dos transportes escolares e refeições, da manutenção dos edifícios já têm sido transferidas para algumas câmaras. Há casos em que essa transferência foi benéfica, mas isso não pode significar a passagem para o âmbito local da responsabilidade da educação no seu todo, que deve continuar a competir ao estado central. Qualquer alteração deve ser objecto de amplo debate público que envolva os professores e associações de pais, mas não pode ser mais um processo em cima do joelho, precipitado, sem se perceber bem onde nos leva.
Estamos habituados a ser bombardeados com afirmações do género que os investimentos públicos não geram riqueza e que apenas constituem despesa. É necessário desconstruir tais afirmações.
Sabe-se que o aumento do número de turistas no grande Porto acarretou centenas de milhares de euros para a economia da região.
Foi ou não investimento público que promoveu as consideráveis melhorias realizadas no aeroporto, no terminal de passageiros de Leixões, no Metro, na Casa da Música, nos apoios prestados à construção de hotéis, ou aos diversos eventos culturais e artísticos que regularmente acontecem no grande Porto, contribuindo para incentivar o turismo e trazer a vaga de visitantes que enchem as nossas cidades.
Daí que a firmação de que só o investimento privado é criador de riqueza cai pela base. É mais uma afirmação gratuita oriunda do pensamento único que não corresponde à verdade, mas que por tantas vezes ser repetida, tende a lançar a maior confusão e a tornar-se verdade absoluta.
Uma situação que deve merecer uma cuidada atenção de todos, mas sobretudo dos autarcas de Matosinhos e das autoridades nacionais foi o anúncio, por parte do Hospital Pedro Hispano, de que vêm recebendo, para além de idosos e crianças com fome, também grávidas, o que constitui um grave problema para o desenvolvimento saudável da futura criança.
Num país cujo governo  tem como preocupação única o pagamento de uma divida, cuja origem nem sequer está devidamente esclarecida, os cidadãos têm a obrigação da solidariedade ética com os mais fracos e desprotegidos e  parar a degradação da qualidade de vida, custe o que custar.

16.07.2014
José Joaquim Ferreira dos Santos

Membro da Assembleia Municipal de Matosinhos pelo Bloco de Esquerda

14 July 2014

Só a verdade é revolucionária

A diferença entre os números que são apresentados, a propósito da descida da taxa de desemprego,  e a realidade com que os portugueses convivem no dia-a-dia, é reconhecida por todos. Como é possível falar em baixa na taxa de desemprego, quando não há subida visível na criação de emprego? O governo diz que 150 mil inscritos deixaram de constar nas listas dos centros de emprego. Quantos destes desempregados se viram forçados a emigrar? Quantos desistiram de procurar emprego? Sabemos que mais de 50% dos desempregados não têm qualquer apoio social. Só com uma resposta a estas questões os números apresentados podem ser credíveis.

O que tem aumentado efectivamente é o trabalho temporário com salários de pouco mais de 500 euros, que abrangem todos os escalões etários e os diferentes sectores profissionais. São, neste momento, mais de 80 mil os trabalhadores nestas condições precárias. No entanto o provedor do trabalho temporário, Vitalino Canas, considera que este é um sinal de que a economia está em crescimento. Este é o crescimento que o neoliberalismo preconiza, trabalho sem direitos e mal pago, com fabulosos lucros para o capital.

Tendo em vista as eleições legislativas de 2015, o governo PSD/CDS já iniciou a campanha de promessas. Paulo Portas apressa-se a afirmar que os trabalhadores e pensionistas irão começar a recuperar os rendimentos a partir de 1 de Janeiro, irrevogavelmente.

A continuação do folhetim do BES desenvolve-se aos olhos de todos, apesar do Banco de Portugal declarar que o BES tem uma situação segura e assim procure acalmar os depositantes. O que não há dúvida é que este autêntico polvo, cujos tentáculos se abatem sobre toda a economia, perdeu na bolsa uma parte importante do aumento de capital que havia conseguido. Surgem algumas vozes de economistas que aventam a hipótese de recorrer aos apoios do estado, utilizando os milhões que estão de reserva do empréstimo da troika. No fim ainda acabamos por ser nós, os contribuintes, a pagar os desvarios da família Espírito Santo. Veremos o que se vai passar com a sucessão de Ricardo Salgado por Victor Bento, que exercia a presidência da SIBS e estava presente no conselho de administração da GALP.Quem o acompanha é João Moreira Rato, que dirigia o Instituto da divida publica. Atendendo a todas estas movimentações há quem fale numa OPA do PSD sobre o BES.

A Comunidade dos Países de Língua Oficial Portuguesa (CPLP) decidiu aceitar mais um país, a Guiné Equatorial. Este país africano, onde não se fala o português e cujas ligações ao nosso país e à CPLP são, no mínimo, longínquas, é governado por um ditador já há mais de trinta anos, Teodoro Obiang. São conhecidos e denunciados numerosos casos de tortura e o uso recorrente de penas de morte. As acusações de corrupção atingem o mais alto nível, como a imposição a que qualquer investidor estrangeiro se tenha de associar a um familiar do ditador. É este país onde não se respeitam os direitos humanos que se aceita como parte da CPLP,  e para o qual  foi incontrolável o apoio de Angola e de Moçambique. Não é que não haja outros maus exemplos nesta comunidade, mas em vez de contribuir para os ultrapassar, tende-se a piorar a situação. Temos todo o direito de saber as razões para uma tal admissão. Será que o petróleo limpa tudo?

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Cá por casa as Associações de Bombeiros Voluntários levaram as suas razões de queixa à Assembleia Municipal de Matosinhos, por ainda não terem recebido durante o corrente ano, apoios do município decorrentes do trabalho que executam em prol da população.

No decorrer da campanha eleitoral para as autárquicas de 2013, o Bloco de Esquerda apresentou propostas para tornar mais transparente a atribuição de fundos públicos que permitissem aos bombeiros exercer a sua missão com a maior  eficácia, sem a desnecessária multiplicação de meios.

Compete à Câmara Municipal garantir aos munícipes condições de segurança e de socorro em caso de acidente. Como em Matosinhos não há meios próprios para a Câmara assegurar tal serviço, este deveria ser contratualizado de forma clara, precisa e objectiva com as entidades habilitadas para tal, neste caso os bombeiros.

Existindo quatro associações de bombeiros no concelho e como os fundos não abundam, tal contratualização terá que passar por um diálogo franco e aberto a todos os intervenientes, sem pressões nem ameaças, pondo os interesses dos matosinhenses à frente de quaisquer outros, para evitar duplicações de serviços e para proporcionar economia de meios, sem cortar nos equipamentos indispensáveis.

Na semana passada voltou a ser falada a questão do parque de diversões de Santa Cruz do Bispo, chamado Raf Park. O custo que este péssimo investimento causou ao município foi muito elevado e não parece nada fácil ser recuperado. Foi a compra de terrenos e o arrendamento de outros à custa do município, para além da alocação de terrenos públicos para a instalação dos equipamentos, em troca de uma renda que nunca foi paga.

Esta série de erros cometidos pelo executivo, mas aprovados pela maioria da Assembleia Municipal, foi resultado de uma votação apressada, sem dar ouvidos aos que chamaram a atenção para a fragilidade da empresa   concessionaria  deste espaço. Não consideraram estranho o facto que uma empresa, a Ritmolandia, com um capital social irrisório se propusesse investir vários milhões num empreendimento de risco. A ilusão foi mais forte.O sonho durou apenas quatro meses, depois encerraram para remodelações e nunca mais reabriram. As tentativas de conseguir novos investidores falharam até agora. O ditado, “quem não arrisca, não petisca”,  não tem aplicação nas decisões públicas.

Estas decisões, muitas vezes tomadas de forma precipitada, devem ser melhor analisadas para evitar graves prejuízos ao erário público. Ouvir os outros não é uma prova de fraqueza, mas de salutar cautela e de sageza política e democrática.

8/7/2014

José Joaquim Ferreira dos Santos

Membro da Assembleia Municipal de Matosinhos pelo Bloco de Esquerda 

07 July 2014

República e democracia

As negociatas da Sociedade Lusa de Negócios (SLN), por intermédio da Geslusa, ambas braços do BPN, têm vindo a público, como é o caso da compra de alegadas obras de arte, afinal cópias de má qualidade e outros artefactos, no valor de 5 milhões de euros.

Por sua vez, os inspectores do Banco de Portugal disseram no Tribunal onde decorre o processo BPP, que aquele banco constituíra empresas “offshore” para lavagem dos seus resultados, a fim de pagar salários chorudos aos seus administradores e de aumentar “plafond” para pagamento de despesas não contabilizáveis de um chamado plano Forex.

Os valores espantosos  de reformas atribuídas a administradores demitidos, como no caso do BCP/Millennium, em muito contribuíram para levar à situação a que chegou a banca, acrescida à  gestão de casino praticada, empurraram para a necessidade de contrair empréstimos à troika, que agora estão a ser pagos pelo erário público, isto é, pelo bolso dos contribuintes.

Não chega, por isso, que agora os bancos que receberam ajuda, estejam a entregar esse dinheiro ao estado, pois nada pagará os enormes sacrifícios impostos ao povo português durante este período, dado que temos um governo mais preocupado com os interesses da banca nacional e estrangeira, do que com os interesses daqueles que os elegeram.

Continua o folhetim do BES, com a sucessão dinástica da família Espírito Santo e da substituição de Ricardo Salgado à frente do grupo, por elementos por si escolhidos. Pelas indicações que vão surgindo irá continuar a verificar-se uma enorme promiscuidade entre o banco e os partidos do poder. O BES é só o banco que tem estado, de uma forma ou doutra, por trás das grandes decisões na área económico-financeira portuguesa.

São estes factos que descredibilizam a política e os políticos e por isso se deve separar o trigo do joio, pois nem todos são iguais e existem diferenças fundamentais na maneira de agir e de encarar o serviço público, que deve ser o cerne da actividade política.


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Com a ameaça de encerramento de mais 311 escolas pelo ministério da educação, alguns autarcas chamam a atenção para as crianças do ensino pré-escolar que está acoplado àquelas escolas. Também os alunos com necessidades educativas especiais serão altamente prejudicados com o aumento de alunos por turma e ainda mais pelo afastamento, por vezes grande, das escolas face às suas habitações.

Há igualmente autarcas que afirmam ter dificuldades em assegurar o custo dos transportes dos alunos, ainda mais com os cortes verificados nas comparticipações governamentais.

É uma completa falácia a alegada preocupação governamental com uma melhor qualidade do ensino em centros escolares. Será que a qualidade do ensino melhora com a necessidade de alunos terem que fazer mais de uma hora e meia de camioneta por dia para ter aulas?

Esta completa insensibilidade social por parte do governo deve merecer a maior atenção dos pais, encarregados de educação e sociedade.

Esta semana tornou-se outra vez clara a diferença de tratamento entre quem pratica os chamados crimes de colarinho branco e de elevados valores e um qualquer vulgar ratoneiro que rouba muitas vezes para comer. Os primeiros, quantas vezes vêem as penas nem sequer serem aplicadas por prescreverem os processos, com bons e caros advogados conseguem cumprir apenas metade das condenações. É o caso de Isaltino Morais que saiu da cadeia com liberdade condicional e imediatamente apareceu nas primeiras páginas dos jornais como se se tratasse de um herói. Também Avelino Ferreira Torres viu o seu cadastro completamente limpo devido a prescrições e aproveitou para renunciar ao cargo de vereador da Câmara de Marco de Canavezes para que fora eleito.

Sem falsos moralismos, estas práticas da justiça não contribuem em nada para melhorar e incentivar valores sociais, democráticos e republicanos. É preciso que a justiça tire a venda que lhe tapa os olhos.

Os deputados do PSD/Madeira, de forma inoportuna e insólita, completando a campanha de ataques do governo contra o Tribunal Constitucional, resolveram pedir a extinção deste e a sua substituição por uma secção do Supremo Tribunal de Justiça. É o resultado lógico da escalada desenvolvida pelo governo na tentativa de governamentalizar tudo o que ousar estar em desacordo com os interesses neoliberais da direita no poder.

Soube-se também que Alberto João Jardim delapidou 500 mil euros só para provar que não é despesista. É no mínimo estranho, mas este conceito não difere muito do que é utilizado pelo governo PSD/CDS  no continente.

Após três anos a exigir dos portugueses os mais violentos sacrifícios, Christine Lagarde, do FMI,veio agora dizer que teria sido melhor Portugal ter renegociado a sua divida soberana.

Quando o Bloco de Esquerda avançou com a necessidade imperiosa de renegociar uma divida de que nem seriam os portugueses os causadores, mas as vitimas, foi acusado de tudo desde caloteiros a irresponsáveis. Agora é o próprio FMI que confirma que as suas medidas foram erradas e que as consequências são demasiadas duras.

É imperioso que os media cumpram o seu papel insubstituível de informação que ajude à formação de uma opinião pública saudável e critica e que não se limitem a ser porta-vozes do pensamento único, que procura dar uma perspectiva de inevitabilidade e da não existência de alternativas.

2.07.2014

José Joaquim Ferreira dos Santos

Membro da Assembleia Municipal de Matosinhos pelo Bloco de Esquerda

02 July 2014

Novamente a banca

Contrariamente ao que é constantemente afirmado pelo ministério da saúde, nem tudo ou mesmo muito pouco vai bem pela saúde pública no nosso país. O governo PSD/CDS mantem-se firme na anunciada intenção de destruir o Serviço Nacional de Saúde.

A direcção do Hospital de S. João apresentou a sua demissão, por considerar que os cortes nos financiamentos prejudicam gravemente a manutenção dos serviços de saúde prestados naquele hospital. Convém lembrar que o Hospital de S. João foi o que apresentou melhor índice de produtividade do país.

A opinião dos dirigentes do Hospital de S. João é partilhada por muitos médicos que por todo o país, já ameaçaram com greves contra as medidas governamentais.

Os cortes em medicamentos avançados e modernos para doenças mais complexas, impede o acesso aos doentes com menos possibilidades económicas.

Toda esta conjuntura aponta claramente para aquilo que tem sido denunciado como a criação de um serviço de saúde para ricos, entregue às entidades privadas que têm vindo a instalar-se, com todas as condições, enquanto para os pobres restará um serviço assistencial, de menos recursos, sem condições e transformando os hospitais públicos em pouco mais do que centros de saúde maiores.

Sob a ameaça dos dirigentes hospitalares, o ministério apressou-se a pôr água na fervura, apesar denada estar ainda resolvido, prova que a luta vale sempre a pena. Entretanto os sessenta e seis directores do S. João vão manter a sua demissão em aberto até que os compromissos se concretizem, continuando no exercício de funções para não provocar rupturas na prestação dos cuidados de saúde.

Também o ministério d educação, acrescentando às centenas de escolas já encerradas por todo o país, veio anunciar a sua intensão de encerrar mais 311 escolas, sabendo-se já que o maior número vai recair no interior norte do país.

As desculpas que são apresentadas para estes encerramentos encobrem a finalidade real que são os motivos economicistas do governo, para pôr fim à escolapública. Este é mais um contributo para aumentar a desertificação do interior, de onde foram retirados outros serviços como os tribunais, os correios, as repartições de finanças, os serviços de saúde e os transportes públicos.

Mais uma vez se pode afirmar que estas medidas coordenadas se destinam a destruir os serviços públicos de qualidade e a entregar à iniciativa privada tudo o que possa produzir lucros.

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Nesta país de faz de conta, quem não de lembra de ouvir as lições do senhor Ricardo Salgado, administrador do Banco Espirito Santo, com declarações contra os trabalhadores e contra os portugueses em geral, parecendo estar sempre acima de tudo e de todos.

Com o escândalo em torno do grupo BES posto a descoberto, caiu mais uma máscara, a desta personagem, tão peremptório inimigo da democracia portuguesa e dos avanços que esta promoveu na vida quotidiana.Neste tempo de memória curta, ainda nos lembramos , por exemplo da sua influencia  na vinda da troika e da sua presença como comentador no quotidiano dos telejornais, saudando efusivamente a sua chegada.

Há suspeitas de actividades criminosas em todo o universo BES, por todo o lado e para todos os gostos, lavagem de dinheiro, fugas aos impostos, negócios escuros nas filiais dos Estados Unidos e o desaparecimento de mais de 5 mil milhões de euros no BES-Angola. Tudo isto levou o Banco de Portugal a exigir a alteração da administração e o afastamento da família Espirito Santo da gestão do Banco.

Como estas coisas andam sempre ligadas, o ex-braço direito de Ricardo Salgado, Amílcar Morais Pires será o seu indigitado sucessor, embora, juntamente com o outro possível candidato, José Maria Ricciardi, sejam arguidos em processos ligados à manipulação de mercados com acções da EDP.Como substituto do actual lugar ocupado por Morais Pires fala-se do deputado do PSD, Paulo Mota Pinto. Claro que se trata de meras coincidências. No final veremos como tudo fica “arranjadinho”.

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Muito se tem falado e escrito sobre a necessidade da unidade entre as forças de esquerda para um projecto de governo, capaz de se opor à unidade da direita. Confronta-se assim as esquerdas com a inevitabilidade em imitar a direita, correndo o riso de, na pressa, se fazerem alianças contra-natura e sem princípios.

Para que se estabeleçam entendimentos à esquerda são necessários denominadores comuns, como a recusa do Tratado Orçamental e a reestruturação da dívida pública, como forma de libertar fundos para o investimento e criação de emprego, mas também uma defesa intransigente dos serviços públicos e do estado social.

Sem estes pressupostos garantidos, a mera substituição de um governo por outro não passará de mais do mesmo.

Quanto a mim, o afastamento do actual governo transformou-se num imperativo nacional, dados os malefícios que acarretou para Portugal e para os portugueses

25.06.2014
José Joaquim Ferreira dos Santos

Membro da Assembleia Municipal de Matosinhos pelo Bloco de Esquerda

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