16 October 2013

Enganos e mentiras


O Presidente da Republica, Cavaco Silva, o mesmo que enquanto primeiro-ministro, em nome daquilo a que chamava progresso, tomou medidas que ajudaram à destruição da economia portuguesa, na agricultura, na industria e nas pescas, resolveu agora apelidar de masoquistas, aqueles que reclamam a necessidade de uma renegociação de prazos e juros da divida soberana, por considerarem que esta é insustentável.
Ainda em Janeiro deste ano, Cavaco Silva, referia que a divida lhe parecia insustentável e era um problema para o futuro da economia. Não é fácil entender o que o fez mudar tão radicalmente de opinião.
O discurso pró governo do Presidente da República vai ao ponto de corroborar a leitura governamental das eleições autárquicas, que devem ter apenas uma leitura local.
Todo isto para não desagradar aos credores usurários representados pela troika que se mostram inflexíveis em termos de prazos e metas do défice. Essa é a condição para manter e acrescentar os sacrifícios dos portugueses, a continuação do aumento do exército de mão-de-obra de reserva, com desempregados e assalariados a preços de miséria e a manutenção da possibilidade de recrutamento pela Europa de trabalhadores muito qualificados a baixo preço e sem custos de formação.
Esta subserviência governativa leva a aceitar que Durão Barroso venha constranger o Tribunal Constitucional, visando pressionar a aceitação de todos os dislates que o governo pretenda cometer, em desrespeito pela lei fundamental do país, que elementos próximos do governo acham que deve ser “alinhada” com as constituições de outros países europeus.
Entretanto, continuam as contradições dos responsáveis pela informação sobre os negócios dos chamados swaps, que sugaram muitos milhões de euros do erário público.
Do mesmo modo, mantém-se a situação de inconsistência dos ministros Maria Luís Albuquerque e Rui Machete por terem mentido aos representantes dos portugueses no parlamento. A primeira, sobre o alegado desconhecimento dos swaps, quando há documentos assinados pela mesma, autorizando a utilização desses jogos financeiros. No caso de Rui Machete, porque declarou, por escrito nunca ter possuído acções da SLN, o que se veio a mostrar ser mentira.


Já esta semana o mesmo ministro dos negócios estrangeiros, Rui Machete, se embrulhou em mais uma trapalhada que tem a ver com as suas gravíssimas declarações e pedido de desculpas a entidades de Angola, contra quem correm em Portugal processos judiciais, utilizando pretextos falsos. Trata-se de uma intromissão de um membro do governo nos terrenos da justiça. Ora, num estado de direito há separação de poderes e tal atitude é inadmissível pela sua gravidade.

 Enganaram-se ou mentiram? 

O acumular de tais situações, embora não nos espantem, no contexto do actual governo, não são merecedoras da confiança dos portugueses.


As 8ª e 9ª avaliações da troika foram favoráveis, no blá blá dos governantes, mas na realidade mantém-se a inflexibilidade nas metas do défice, o que acarreta como consequência um aprofundar das politicas de austeridade motivadas pela ameaça de corte de milhares de milhões de euros nas despesas no próximo Orçamento Geral do Estado, o que equivale a mais cortes nas prestações sociais, nas pensões e mais desempregados, apesar dos   falaciosos anúncios teatrais de fim da crise e de melhorias económicas, que Paulo Portas vem fazendo há algum tempo com a desfaçatez de grande comediante.

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As eleições autárquicas 2013 trouxeram à superfície algumas realidades que pareciam esquecidas, como seja um grande afastamento, desinteresse e crescente desconfiança do eleitorado na política e nos políticos.
A percentagem de abstenções, 47,4%, foi a mais elevada em eleições tirando as presidenciais e o número de votos nulos e brancos foi também elevadíssimo.
Todas as forças políticas, com excepção da CDU, sofreram uma perda de votos considerável, apesar das percentagens alcançadas.
As votações em grupos de cidadãos, ditos independentes, podem ser consideradas como voto de protesto contra as orientações partidárias.
A opinião pública e bem, responsabiliza e penaliza os partidos. O que me leva a interrogar como responsabilizar e penalizar os grupos independentes? São todas as candidaturas independentes sem mácula e todas as partidárias, más? Só lembro o caso de Oeiras…
Não pretendo pôr em causa a legitimidade de listas de cidadãos nas eleições, apenas chamar a atenção para a necessidade de maior objectividade nos julgamentos e de aprofundamento destas questões
O discurso anti-partido, veiculado por muitos analistas e fazedores de opinião tem vindo a fazer carreira, embora de forma muito pouco séria e justa.
Não é compreensível que, mesmo aqueles que nunca tiveram responsabilidades executivas sejam penalizados sob a desculpa de que “são todos iguais”.
Isto não invalida a necessidade das estruturas partidárias repensarem as suas orientações políticas e organizativas para corresponderem aos anseios dos eleitores, de uma democracia mais participada, mais viva e próxima dos cidadãos. Se não forem tomadas medidas corre-se o risco da doença de que a democracia padece se tornar incurável.

8.10.2013

José Joaquim Ferreira dos Santos
Membro da Assembleia Municipal de Matosinhos pelo Bloco de Esquerda

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