07 October 2013

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Os resultados das eleições autárquicas de 2013 mostram que os cidadãos portugueses penalizaram as políticas que tanto têm sacrificado, empobrecido e prejudicado os trabalhadores, pensionistas pequenos e médios empresários e portanto o país.
A pesada derrota do PSD e das alianças PSD/CDS, em número de câmaras e em votos perdidos, mostra que houve mesmo uma leitura nacional dos erros cometidos pelo governo.


Só a capacidade de jogar em dois tabuleiros por parte do CDS lhe permitiu continuar a enganar alguns com a sua duplicidade de estar no governo, ao mesmo tempo que faz declarações enfáticas contra as políticas do mesmo.
Os resultados conseguidos por grupos de cidadãos, chamados de independentes, devem alertar os partidos políticos para a necessidade de olhar com mais atenção a maneira como as populações estão a encarar as formulas organizativas que os regem, o exercício da democracia interna e o seu discurso político.
A auscultação regular das populações e a promoção da sua participação efectiva a todos os níveis são indispensáveis para reconquistar a confiança na política e nos seus agentes.
O facto de numas eleições para os órgãos do Estado mais próximos das populações haver uma abstenção de quase metade dos eleitores, 47,40%, deve fazer pensar os dirigentes políticos, pois mostra que a democracia portuguesa está doente.
A despeito das percentagens maiores ou menores alcançadas, todas as forças políticas, à excepção da CDU, perderam votos, numa demonstração de afastamento dos eleitores, igualmente assinalada pelos votos brancos e nulos entrados nas urnas.
De qualquer modo o discurso anti-partido, que algumas das candidaturas de falsos independentes assumem, tem mais a ver com o facto de grande parte delas derivarem de dissidências dos seus partidos de origem, quase sempre se prendem com o facto de terem sido preteridos por razões internas e não por razões políticas e muito menos ideológicas.
Os inenarráveis acontecimentos de Oeiras, em que um prisioneiro condenado consegue comandar e manipular a opinião dos eleitores, só tem merecido apontamentos mais ou menos anedóticos na comunicação social, mas constituem factos muito graves para a democracia, para o descrédito da mesma, da justiça e até das leis do país.


Assistimos a tudo, a um populismo desbragado, a tentativas de aliciamento das populações com promessas mirabolantes, ou às famosas sandes de porco no espeto, tudo formas de comprar votos que começam a cansar os eleitores, que se sentem ofendidos com tais manobras. O resultado é uma descrença na política e nos políticos e a tendência para considerar todos como iguais, mesmo os que nunca estiveram no exercício do poder executivo.
Um novo ciclo se abre a partir de agora, mantém-se a mesma necessidade de lutar contra as políticas ainda mais agressivas, que o governo e a troika irão impor, ao contrário do que afirmaram os governantes nos dias anteriores às eleições.
Mas esta luta terá que ter proposta e objectivos muito claros e abrangente para mobilizar a participação activa das populações, sem sectarismos e sem medos de afirmação e de identificação.
Por isso, os partidos políticos indispensáveis à democracia, nos termos em que a conhecemos, têm que ter uma acção transparente e amplamente participada, fugindo aos lóbis de interesses particulares, com propostas exequíveis e de acordo com os interesses das populações, e a finalidade única de as servir e nunca de se servir delas.
A maioria absoluta alcançada pela lista de independentes de Matosinhos provou que a partir de agora não chega um apoio partidário forte e tradicionalmente ganhador para convencer os eleitores.
O Bloco de Esquerda não foi capaz de mostrar claramente as suas propostas e as suas diferenças e por isso não conseguiu alcançar as metas e os objectivos que se propunha nas candidaturas apresentadas.
Em Matosinhos no entanto, manteve os resultados que havia alcançado em 2009, a despeito de uma campanha eleitoral que procuramos que fosse pedagógica e que motivasse o debate. Esse propósito não resultou. Isso não fará com que baixemos os braços ou desistamos de continuar a lutar por um:

CONCELHO JUSTO E UM CONCELHO SUSTENTÁVEL,

lema que continuará a nortear as nossas acções.
Cabe-me, por fim, no respeito pelas regras democráticas, cumprimentar os vencedores e esperar que dêem cumprimento aos programas apresentados, para bem dos matosinhenses.

2.10.2013

José Joaquim Ferreira dos Santos
Membro da Assembleia Municipal de Matosinhos pelo Bloco de Esquerda


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