23 September 2013

Que Futuro?


Os truques utilizados pelo governo PSD/CDS, para tentar minimizar uma possível derrota nas Eleições Autárquicas de 2013, vão desde anúncios de melhorias na situação financeira até ameaças de mais austeridade, no caso de haver recusas do Tribunal Constitucional na ultrapassagem à lei fundamental do país.


Para além deste discurso confuso, apanágio deste governo, o que é claro, é que está a guardar para depois de 29 de Setembro as medidas que há muito tem na gaveta, como sejam, o corte de mais de quatro mil milhões de euros exigido pela troika, cujo anúncio nos chega a conta-gotas.

Recentemente assistimos à chegada do chamado cheque-ensino, isto é, o estado financiar o ensino privado em igualdade com o ensino público, a par de grandes cortes no financiamento do ensino superior.


Vemos também a continuação da entrega de hospitais, que foram pagos pelo erário público, á gestão de privados.

Estas manobras vão claramente no sentido do desmantelamento do aparelho do estado, em beneficio dos interesses privados e sem que haja qualquer diminuição na despesa pública.

Por sua vez as afirmações de alguns fazedores de opinião, como Marcelo Rebelo de Sousa, já fazem prever a diminuição de salários na função pública, como resposta á recusa do Tribunal Constitucional à requalificação/despedimento que o governo pretende impor.

É desta forma que o governo age sempre, com a ajuda dos seus apoiantes, primeiro lançam informações de forma informal visando criar confusão ou dúvidas e testar a opinião pública.

Ouvimos o governo e os seus porta-vozes oficiais e oficiosos espalharem aos quatro ventos novas sobre a melhoria da situação financeira e até sobre uma baixa na taxa de desemprego.

Seria bom que fizessem esses anúncios aos milhares de professores que ficaram no desemprego, aos milhares de jovens que, por carência de meios, deixaram de poder inscrever-se no ensino superior ou até aos pensionistas e reformados, que nem os medicamentos de que necessitam podem comprar por falta de dinheiro.

Como é possível anunciar uma melhoria financeira quando os juros da divida voltaram a subir e o desemprego vai continuar a crescer após esta pausa sazonal.

O que sabemos é que a dirigente Alemã, Angela Merkel, afirma que vai continuar a exercer pressão sobre os países intervencionados para manter a austeridade.

Por outro lado, ao contrário do que os sábios governantes e seus apoiantes fieis dizem, o prémio Nobel da Economia e professor na Universidade de Columbia, Joseph Stiglitz vem dizer que a troika falhou, porque subestimou a gravidade das recessões provocadas pelas suas políticas e aconselha Portugal a “evitar mais austeridade”. A propósito de um terceiro resgate à Grécia, o mesmo especialista afirma, ser a prova da má gestão da troika. Acusa também a Alemanha de ser o principal beneficiário do euro e de ter enormes excedentes financeiros à custa de défices de outros países. Já todos temos consciência disso. Assim como sabemos que o neo-liberalismo, sem pátria e sem rosto, conta com cúmplices nos diferentes países onde actua e são eles que vão espoliando as respectivas economias e transferindo a riqueza para os bolsos da banca e das entidades financeiras.

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As autárquicas estão à porta. Contrariamente ao que pretendem os representantes dos partidos do governo estas eleições deverão reflectir o que sentem os portugueses sobre o que tem sido a governação que nos conduziu ao empobrecimento e ao desemprego, mas também, à destruição de uma parte do estado social e tudo isto na voracidade de dois anos.

A campanha eleitoral em Matosinhos tem privilegiado discursos de ataque pessoal, buscando uma notoriedade meramente populista, sem uma clara assunção das responsabilidades que cabem a cada um, como seria de esperar.

Matosinhos precisa de alterar muita coisa, apostar na luta contra o desemprego, no crescimento económico e no incentivo à criação de emprego.

As condições estão aí, a fileira das pescas, as industrias a elas ligadas, o turismo nas suas diferentes vertentes podem virar decisivamente o sentido do futuro.

Quando o investimento privado está estagnado cabe ao investimento público ser o motor da economia, esta é uma realidade já experimentada em várias crises da história e com êxito.

Não se trata de obras faraónicas como alguns pretendem, nem de atitudes meramente populistas, mas com investimentos orientados, a requalificação urbana, por exemplo, que permitam criar dinâmicas económicas e relançar a confiança dos investidores, susceptível de criar emprego.

Este não é, claro, o entendimento do PSD e do CDS. Para estes grandes defensores do neo-liberalismo, mesmo quando o procuram disfarçar, tudo deve ser entregue aos sacrossantos mercados, à iniciativa privada, milagre que crêem, vai curar todos os males, apesar dos resultados que se conhecem para o bem público.

11.09.2013

Ferreira dos Santos
Membro da Assembleia Municipal de Matosinhos pelo Bloco de Esquerda

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