03 September 2013

NÃO VALE TUDO


Começa a ser perfeitamente claro para todos, que quem beneficia, de facto, com os empréstimos aos países europeus sob a intervenção da troika, é a economia alemã.
Dados recentes do ministério das finanças alemão, dão-nos conta que o seu país lucrou quarenta e um mil milhões de euros com a crise,  que assola   os países do sul da Europa.
Por mais histórias que nos contem acerca das ajudas oferecidas e pelas quais nos devemos mostrar muito gratos, é esta a realidade dos factos, os nossos amigos credores estão a enriquecer á nossa custa, levando-nos ao empobrecimento, o que contraria a solidariedade entre os países da Europa princípio fundador da União Europeia.
Assim, não são de admirar os constantes anúncios à necessidade de novos resgates, agora é  à Grécia e  a seguir  a Portugal e à Irlanda. Essa é uma fonte importante de rendimento para os países mais ricos como a Alemanha. Vendem os seus produtos, alguns tão úteis como os submarinos, endividam os países e voltam a enriquecer com empréstimos a juros especulativos. É a velha história da pescadinha de rabo na boca.
A ideologia neo-liberal contaminou completamente a vida económica e financeira, não só em Portugal, como no resto da Europa. No nosso país existem agentes seus em todos os meios, criando um pensamento único com vista a impedir a discussão e a escolha de alternativas às suas teorias de rapina em prol da obscura figura que são os mercados financeiros.
E eles estão presentes no nosso governo, como ministros e secretários de estado, mas também como seus assessores, um sem número de pessoas ligadas à banca internacional e a entidades financeiras, estranhamente as mesmas entidades que estão a lucrar com o nosso empobrecimento. Veja-se o seu currículo e constate-se  quantos  já trabalharam na Goldman Sachs, na JP Morgam, no FMI, no BCE.
Tal sintonia de pontos de vista parece assim, menos estranha, porque se compreende melhor  as ligações e a razão que leva  o governo   a não querer falar na possibilidade de renegociar com as entidades representadas na troika, os termos do acordo a que estamos sujeitos, os seus prazos e os juros dos empréstimos.
Anunciam-se mais cortes no ensino, na saúde, nos salários e nas pensões, enfim, em tudo a que o governo depois de tanto ajustamento ainda possa deitar a mão, apesar da divida pública continuar a crescer e estar já  em 131% do valor do PIB. Este facto causa a todos estranheza e com toda a razão.


Entretanto foi tornado público o desaparecimento de documentos de trabalho referentes às inspecções feitas pelo Instituto da Gestão Financeira (IGF), no caso dos SWAPS, que foram mandados destruir após três anos, em desacordo com as normas legais,  que mandam guardar os documentos por vinte anos. É mais um buraco nesta complexa e intrincada teia de negociatas.
Todos nos interrogamos, a quem pode interessar esta destruição de documentos e quais as consequências que acarreta.


Por sua vez foi também conhecida a designação dos  arguidos, no famigerado caso dos submarinos, elementos ligados ao BES e ao CDS, devido a  trinta milhões de euros pagos pela empresa alemã Ferrostal em luvas a individualidades ainda não  totalmente apuradas.

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Criou-se a ideia, que nas eleições autárquicas  vale tudo,  para  se conseguir a eleição à presidência de uma Câmara Municipal ou até de uma Junta de Freguesia. Pululam promessas para todos os gostos, que à partida se sabe que nunca serão cumpridas como grandes obras públicas, túneis, pontes, entre outras, até às mais inusitadas formas de suborno de eleitores. Temos visto de tudo.
Em Matosinhos, assistimos nestes três ou quatro últimos meses ao lançamento de obras que tiveram, no mínimo, três anos para serem levadas a cabo, mas que só agora se realizam.
A recuperação da Casa de Chá da Boa Nova, que esteve dois anos ao abandono, está  agora ser iniciada. De igual forma a casa mortuária de Lavra parece finalmente sair do papel. O palacete Visconde de Trevões depois do estado de incúria em que foi mantido durante tanto tempo, parece agora merecer alguns cuidados.
É também por isso que a população, ao ver esta azafama de obras, vai dizendo que eram necessárias umas eleiçõezinhas todos os anos.
Os partidos de direita tentam fazer esquecer a sua responsabilidade na situação a que a governação da austeridade cega nos conduziu  e fazem promessas e mais promessas, como se o povo pudesse esquecer-se das enormes dificuldades, a que a política de austeridade do  seu governo, nos condenou.
Há uma tentativa de despolitizar o debate autárquico, ao ponto de haver candidatos que chegam a esconder a sua filiação partidária nos cartazes de rua.
Há também candidatos, ditos independentes que se desvincularam muito recentemente dos seus partidos de sempre e que agora, para se poderem candidatar de novo, entraram em rota de colisão.
Todos os que pretendem que é urgente haver ética na política e que em nome da Democracia e da transparência entendem que nos cabe denunciar os atropelos à lei, quer seja à lei de limitação de mandatos, quer às normas que regem a utilização de propaganda ou as ofertas aos eleitores.

 É preciso dignificar a política e  mostrar que, também aqui, não vale tudo.


28.08.2013

José Joaquim Ferreira dos Santos

Membro da Assembleia Municipal de Matosinhos pelo Bloco de Esquerda

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