02 August 2013

NOVO GOVERNO, VELHAS POLITICAS


A versão remodelada do governo Passos Coelho/Paulo Portas, acabou de ser apresentada sem super-ministérios e com 56 elementos na equipa governamental.
Alguns dos ministros e secretários de estado agora empossados reúnem à partida razões mais do que suficientes para não merecerem a confiança dos portugueses.
O vice primeiro-ministro Paulo Portas, para além de um longo historial de complicações políticas e de poucas garantias de estabilidade, de prática de saída irrevogável e de entrada  no governo pelas mesmas razões, dias depois, não torna a personagem confiável.
O ministro dos negócios estrangeiros, Rui Machete tem no seu passado próximo uma grande ligação ao BPP e ao BPN, por intermédio da Sociedade Lusa de Negócios (SLN), de quem foi presidente do conselho superior. Presidiu também à comissão de inquérito que acabou por ilibar Oliveira e Costa das acusações de fraude fiscal. Foi presidente da Fundação Luso Americana de Desenvolvimento (FLAD) e sabe-se que a embaixada americana afirmava que o orçamento da Fundação era usado em gastos sumptuários. É interessante verificar as opiniões deste senhor sobre os diversos ministros, mas tudo isto são consequências do “apodrecimento dos hábitos políticos”, como ele mesmo afirmou.
A senhora ministra das finanças, Maria Luís Albuquerque está embrulhada em contradições acerca da passagem de dossiers do governo Sócrates, relativos aos investimentos swaps. Começou por dizer não ter tido conhecimento, afirmação que tem vindo a modificar conforme é desmentida por responsáveis de então.
O secretário de estado Agostinho Branquinho esteve no Brasil ao serviço da Ongoing, empresa que ele próprio disse desconhecer numa audição na Assembleia da República. É tão só a empresa que é suspeita de ter beneficiado de informações secretas do Estado Português. Quando regressou, exerceu funções na Santa Casa de Misericórdia do Porto, alias a única ligação que lhe é conhecida na área social, a mesma que agora irá coordenar.
É um governo, no mínimo, composto por alguns elementos enredados em falsas verdades, com pouca transparência, e merecedores de contestação. Mais não é que remendos em pano velho.


Uma das primeiras medidas do governo recauchutado foi o desencadear da privatização dos CTT, uma das empresas que presta um serviço público fundamental e que ainda por cima dá lucro.
É mais uma forma de endividar o futuro do país, ficando o Estado com encargos permanentes após a privatização, pelo pagamento deste serviço público.
Como os fundos provenientes das privatizações são, por exigência da União Europeia, exclusivamente para amortizar a divida, a privatização não contribuirá em nada para financiar a economia, como é fundamental e urgente.
São sobejamente conhecidos os resultados da privatização dos serviços postais em diversos países da Europa. Em alguns casos esses resultados foram de tal modo desastrosos que foi necessário recorrer novamente à nacionalização do todo ou em parte dos serviços. Prepara-se um negócio desse género em Portugal, apesar de se reconhecer que os correios são um serviço público, que volto a repetir, dá lucros ao Estado.


Os prejuízos resultantes desta privatização irão sendo sentidos à medida que chegarem notícias do desemprego, de um pior serviço prestado e do seu eventual encarecimento.
Não será com apelos à União Nacional de má memória que se ultrapassam as dificuldades em que vive o povo português, mas com filosofias políticas diferentes e democráticas e a implementação de novas políticas por outros governantes.

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Nas eleições autárquicas de 2013 parece valer tudo. Há candidatos que não assumem a sua ligação ao partido pelo qual se fizeram eleger e pelo qual participam na vida política. Procuram todas as oportunidades para aparecer, nem que seja durante a transmissão de relatos de futebol de praia. Estou a referir-me a Luís Filipe Menezes.
Outros, procuram atirar sobre os adversários todas as culpas da situação em que vivemos, mesmo do aumento do IVA da restauração, como se nada tivessem a ver com o caso, fazendo promessas que contrariam frontalmente as medidas do governo da mesma cor política e de quem recebe largos apoios, como acontece com Pedro da Vinha Costa.
Há candidatos que após os três mandatos, que a lei impõe como máximo, saltitam para outras autarquias, procurando perpetuar-se no poder, como se o exercício de gestão autárquica fosse igual a qualquer gestão de empresas e não necessitasse de um conhecimento orgânico e de ligação às realidades locais.
Há até candidatos que, apesar de processados judicialmente e até sob prisão, tentam forçar os limites da lei e manter candidaturas activas.
Não faltam situações confusas, pouco claras e controversas.


São estas caricaturas de democracia que retiram credibilidade à participação na actividade política. A ultrapassagem destas incongruências está na mão do eleitorado, que ao votar pode cercear os sonhos daqueles que não estão na política para servirem, mas para se servir.


2.08.2013

José Joaquim Ferreira dos Santos
Membro da Assembleia Municipal de Matosinhos pelo Bloco de Esquerda 

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