19 August 2013

NEGOCIATAS


Nas afirmações dos governantes portugueses abundam as mentiras, eufemisticamente chamadas de inverdades, as verdades parcelares, as interpretações livres, a honestidade discutível, enfim, o salve-se quem, como e quando puder.
Este não é o paradigma da democracia que a generalidade dos portugueses tanto esperavam viver e pela qual muitos lutaram durante décadas.
É certo que formalmente os governantes têm o apoio de uma maioria eleita na Assembleia da República, mas a democracia é mais do que isso e não se confina ao acto eleitoral. Aos cidadãos compete seguir os acontecimentos e exercer a critica sobre as politicas desenvolvidas e aos governantes cabe exercer o poder tendo em conta o bem comum e saber ouvir a opinião pública, não esquecendo que o poder pertence ao povo que o elegeu.
Não se deve confundir o Estado com a transitoriedade da função governativa. A esta cabe a gestão da coisa pública para o bem comum e não em benefício de grupos ou de particulares.
Só assim é possível um processo democrático activo e dinâmico, com capacidade criativa e regeneradora onde as pessoas sejam o sujeito, tenham e manifestem opinião e esta seja ouvida e respeitada. Um governo que se considera iluminado, predestinado e acima das pessoas pode ser tudo, mas não é democrático.
No presente temos um governo maioritariamente composto por gente com fortes ligações aos negócios financeiros, com elos mais ou menos directos aos bancos ou mesmo deles dependentes.
Ora vejamos.
Temos ministros e até o Presidente da República que tiveram negócios pessoais com o mais do que duvidoso BPN/SLN, tendo lucrado altamente com eles, mas cujo lucro estamos todos agora a pagar.
Muitos foram os portugueses que afirmaram, por diversas formas, a sua vontade de mudança, a sua esperança em assumir o futuro e em escolher novas políticas e governantes capazes de as implementar. As chantagens mais diversas vindas dos diferentes difusores do pensamento único, internos e externos, sujeitaram a opinião pública a uma pressão enorme procurando assustar os cidadãos eleitores com as ameaças de caos proveniente de eleições, como se o acto eleitoral não fosse uma condição da democracia.
Voltam novamente a surgir alarmes em relação à necessidade de entregar mais fundos a bancos que se apresentam em dificuldades. Para isso vai haver dinheiro de certeza, só para promover o crescimento da economia é que há sempre dificuldades.


 Também o Serviço Nacional de Saúde parece estar cada vez mais em perigo, principalmente porque há a descapitalização do mesmo por parte do governo. Se este não fosse um negócio lucrativo como se explica, então, o facto de os hospitais-empresa privados se proporem agora gerir os hospitais públicos. A questão da não disponibilização de medicamentos de ultima geração para os doentes oncológicos é apenas uma das facetas do que nos espera com essas medidas economicistas.

Mas afinal o que temos a perder? Apenas as grilhetas com que nos procuram prender.

Enfrentemos os falsos medos com que nos pretendem encurralar. Assumamos as nossas responsabilidades e o nosso futuro e corramos com este grupo de mandatários dos interesses financeiros que se instalaram no governo de Portugal, não para governar mas para se governarem. Não consintamos que continuem a exportar o que de melhor temos, a nossa juventude que em vez de contribuir para aumentar a riqueza do nosso país está a ser utilizada como mão-de-obra mais barata nos países “amigos” que nos têm explorado de forma usurária.

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Tivemos conhecimento de mais um negócio patrocinado pelo executivo camarário de Matosinhos, sem que tenha sido discutido pelo órgão fiscalizador, a Assembleia Municipal, como se os representantes dos eleitores nada tivessem com isso. É a continuação do negócio do chamado parque radical do monte de S. Braz. Depois do mais do que previsível fiasco da empresa, a que a câmara achou por bem entregar o local, para o que alugou e comprou terrenos sem nada receber em troca, o executivo já engendrou mais um negócio, desta vez a entrega a uma empresa espanhola que pelo vistos nem apareceu à primeira reunião. Esperemos que não seja mais uma negociata de êxito duvidoso levada a cabo pela teimosia presidencial.
No primeiro fiasco, o executivo foi avisado na Assembleia Municipal do estranho que é uma empresa com capital social idêntico ao de qualquer quiosque, cinco mil euros, se propor conseguir financiamentos de milhões de euros. Na altura nem quiseram ouvir. O resultado foi o que se viu, nem o aluguer do terreno foi pago. O dinheiro dos munícipes foi desbaratado no Monte de S. Braz, sem que à Assembleia Municipal fosse dada qualquer explicação.
Tenho-me manifestado contra a prática reiterada dos chamados ajustes directos, como forma de alegadamente agilizar a aquisição de bens e serviços, por parte das entidades públicas, o que em nada vai contribuir para a transparência das relações entre eleitores e eleitos. O que não considero sério é que representantes de um governo que até as privatizações faz por ajuste directo venham mostrar-se contrários a tão lesivas práticas, quando não se lhes conhece qualquer opinião sobre o que fazem os seus colegas de partido, no governo central. Haja decência!
O Bloco de Esquerda entregou no Tribunal de Matosinhos o processo de candidatura que permitirá participar nas eleições autárquicas em todas as autarquias do concelho. Seguir-se-á a campanha de informação e esclarecimento e a apresentação das propostas políticas para o concelho, elaboradas a partir da recolha de dados nos contactos directos a que temos procedido.

07.08.2013

José Joaquim Ferreira dos Santos
Membro da Assembleia Municipal de Matosinhos pelo Bloco de Esquerda

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