13 June 2013

Dois anos terríveis



Há muitos anos um ministro, de então, manifestava a sua preocupação com a possibilidade de estar a acontecer uma guerra civil no seguimento de acções sabotadoras, que se soube estarem limitadas a umas fechaduras travadas por pregos ou palitos. Tratava-se do ex-ministro do PSD, Ângelo Correia, que foi um dos mentores de Pedro Passos Coelho. Presentemente é o comentador de TV e ex-ministro do PSD, Morais Sarmento, que vê no discurso de Mário Soares sobre a necessidade de uma frente de esquerda, o apelo à “acção directa” violenta. Será que o ridículo e a tolice fizeram escola no partido?
Já que estamos em altura de expressões infelizes acresce ainda a do ex-ministro do PSD, Luís Mira Amaral, uma das individualidades que lucrou com o desastre do BPN, pois foi nomeado presidente do BIC, o banco que resultou da venda ao desbarato do BPN que disse numa entrevista, “se a Alemanha e o ministro Schauble gostam de Gaspar também temos de gostar”. Como exemplo de anedotário nacional, temos conversado.
 Depois do jovem Thomas Herndon, estudante de doutoramento, ter demonstrado que os estudos que levaram à teorização da austeridade estavam errados, é agora o próprio FMI que reconhece em relatório os erros graves nas medidas de austeridade aplicadas à Grécia, dada a reconhecida manipulação de dados estatísticos.
Por sua vez o presidente da Republica considerou que a leitura que os jornalistas fazem do relatório do FMI não corresponde à verdade, o relatório queria dizer que as medidas aplicadas deviam ter sido ainda mais gravosas. Decididamente Cavaco Silva na sua preocupação reiterada e teimosa em apoiar o governo e as suas políticas comete estes deslizes, apesar das afirmações de várias figuras do FMI e em controvérsia com a Comissão Europeia.


Fez agora dois anos que o governo tomou posse, embora para os portugueses pareça uma eternidade, dadas as consequências que estão a sofrer. Mesmo assim há quem afirme que o país está muito melhor, esquecendo mais de um milhão de desempregados, os largos milhares de jovens que são compelidos a emigrar e a opinião de mais de 75% dos portugueses inquiridos, segundo auscultação promovida pelo Expresso.
O melhor exemplo vem do secretário de estado Hélder Rosalino que afirma que o ministro Gaspar tem vindo a ser injustiçado pelos portugueses, porque tem feito um bom trabalho, reconhecido pelo seu colega alemão e pela chanceler Merkel. Este povo injusto não merece tais governantes!!!
Continuam os recrutamentos de assessores e técnicos, grande parte sem currículo nem habilitações especiais conhecidas. Os responsáveis pelos chamados contratos “swaps”, que o governo se propôs afastar como Silva Rodrigues da Carris/Metro, este, parece já ter assegurado um lugar na Refer.
O presidente da Agência de Gestão de Tesouraria e Crédito Público, o Dr. Moreira Rato, esse sim com um currículo conhecido ao serviço da Goldman Sachs, da Lehman Brothers e de outras entidades bancárias acima de qualquer suspeita, apesar de apoiar e promover cortes e mais cortes nas despesas, aufere um salário de 10.000 euros mensais, o dobro do primeiro-ministro e mais do que o presidente da republica. É mais uma questão de equidade.


Um tal governo, que não cumpre o próprio programa, que desrespeita os seus eleitores e todos os portugueses não merece o benefício da dúvida e já não tem qualquer credibilidade. Só um novo governo, que aplique novas políticas pode trazer ao nosso povo esperança e confiança no futuro.

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Em várias zonas de Matosinhos há edificado degradado que necessita ser reabilitado e colocado no mercado de arrendamento, para isso o município deverá mobilizar fundos comunitários existentes e contratualizar com os senhorios as formas de recuperar os edifícios e de lhes dar utilização social. Estas medidas além do mais promovem o emprego e dinamizam a economia local.
 Num momento em que existem centenas de milhares de habitações devolutas, grande parte para venda, mas também muitas sem qualquer utilização, continuar o aumento da bolha imobiliária com a construção de novos empreendimentos habitacionais  não faz qualquer sentido.
Daí não ser fácil de entender algumas propostas municipais de trocas de terrenos visando a construção, quando existem urbanizações com imensas habitações desocupadas.
Simultaneamente existe uma falta de habitações no mercado de arrendamento, em condições de serem acessíveis a possíveis moradores com menos poder aquisitivo.
As autoridades locais devem ter uma palavra a dizer para tentar equilibrar a situação.
Uma maneira de dar melhor qualidade de vida aos matosinhenses é regenerar o espaço público, tendo em atenção que quando falamos na necessidade de atrair turistas ao nosso concelho tal tarefa será facilitada com um território ordenado, ruas arranjadas, jardins tratados, transportes organizados, sinalização apropriada dos locais de interesse a par de estabelecimentos dedicados ao turismo.
Muitos matosinhenses de interrogam sobre em quem acreditar, se no primeiro-ministro que, ao apresentar candidatos autárquicos afirma que as politicas nacionais e locais não são estanques e que não tem medo das autárquicas ou nos seus representantes em Matosinhos, que procuram por todos os meios parecer que nada têm a ver com as políticas desenvolvidas pelo governo.   


12.06.2013

José Joaquim Ferreira dos Santos

Membro da Assembleia Municipal de Matosinhos pelo Bloco de Esquerda
 

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