03 April 2013

OBVIAMENTE, DEMITAM-SE


                                           


O governo de Portugal que mais parece um governo de ocupação porque se limita a aplicar no nosso país os ditames do grande capital financeiro, apresentou os resultados da sétima avaliação da troika aos planos de espoliação levados à prática no país.
Como vem sendo habitual a avaliação foi considerada positiva, nem se podia esperar outra coisa já que são os próprios simultaneamente avaliadores e avaliados,  embora se comecem a ouvir  opiniões desalinhadas  quer entre apoiantes do governo, quer da troika, empurrando  a culpa dos falhanços de uns  para   outros, relativamente a não terem sido atingidas as metas previstas.
O valor do défice prevista para  2012 foi  de 4,5% , agora sabemos que  é muito superior   e chega aos 6,6% .
O anúncio de que a taxa de desemprego irá subir até aos 18,5% em 2014, constitui um desastre sem nome para o conjunto da sociedade portuguesa, atendendo à falta de apoio a que a maior parte dos desempregados está sujeita.
A contracção do PIB que até há um mês era previsto para cerca de 1%, passado dias sube para o dobro e já se fala em 2,3% de contracção.
Com as sucessivas falhas nas previsões de Victor Gaspar, os últimos resultados apresentados não são merecedores de qualquer confiança. Já ninguém acredita neste ministro, levantando-se sérias e todas as dúvidas à capacidade política deste governo.
Ainda a não foram apresentadas medidas credíveis, programadas para fomentar o crescimento da economia, entretanto  a recessão continua a subir, aproximando-nos cada vez mais da situação económica grega.
 As exportações, consideradas pelo governo como a salvação, quando não são acompanhadas pela procura interna, nunca são  por si só, factor de crescimento económico  e por isso, continuamos a assistir a falências e ao aumento do desemprego.
O governo não é  capaz de tirar quaisquer consequências politicas dos seus enormes falhanços, não reconhece os erros cometidos repetindo até à exaustão que está “no bom caminho” e na “direcção certa”. Apesar disso, ultimamente o primeiro-ministro já vai dizendo que as previsões são apenas isso e não interessam para nada.



O Presidente da Republica depois de ter estado desaparecido da cena politica   aparece-nos em Trás-os-Montes a  visitar produtores de cogumelos e a  fazer declarações sobre a situação actual, não se esquecendo nunca de se vangloriar de ter “avisado” dos perigos que o excesso de austeridade   provocam. Só que parece esquecer-se que é Presidente da Republica e que por isso tem um papel a desempenhar, tendo sido até ao momento conivente com as medidas tomadas pelos seus correligionários políticos no governo.
Outra individualidade que voltou a fazer-se ouvir foi o ex-ministro e ex responsável pelos negócios com a troika, Eduardo Catroga,  actual beneficiário da privatização da EDP,   para quem o anúncio do corte de 4.000 milhões de euros não chega e já diz ser  necessário cortar cerca de 8.000 milhões para ajustar as contas.
Estes dislates continuam a merecer o apoio dos comentadores do costume, embora se notem algumas deserções nesse campo.
O deputado do PSD Frasquilho apressou-se a dizer que há um mau desenho do acordo entre o governo PS e a troika, tal dito gera perplexidade pois    isso não impediu a sua pressurosa assinatura pelo PSD/ CDS, que viram ali a oportunidade de levar à prática a sua ideologia neo-liberal.
Sob o pretexto de que não governam com a pressão das ruas, os governantes do PSD/CDS estão cada vez mais surdos aos apelos das centenas de milhares de manifestantes que têm exigido a sua demissão por todo o país.
É verdade que o governo é sustentado por uma maioria de votos na Assembleia da Republica, mas ao romper com todos os compromissos que assumiu com os eleitores, perdeu a legitimidade e a autoridade. Ao não entender isto o governo está a violentar a vontade dos seus próprios eleitores, descredibiliza a democracia e obviamente devia demitir-se.
Portugal sempre foi um país de grande desigualdade de rendimentos, agravando-se fortemente com a violenta ditadura austeritária que nos  tornou  o mais desigual dos países da zona euro.
A ultima novidade em termos de espoliação criada pelos cérebros clarividentes da troika, sob inspiração da inefável senhora Merkel, foi o lançamento de um imposto sobre os depósitos bancários no Chipre. Neste pequeno país existe uma poderosa rede bancária com um valor muitas vezes superior ao PIB e   tem servido de paraíso fiscal para muitas lavagens de dinheiro de proveniências duvidosas, nomeadamente de oligarcas russos.
Numa situação económica precária o Chipre solicitou resgate financeiro às instituições europeias. As contrapartidas foram a “instalação” de um governo de direita e   o lançamento de um imposto penalizador sobre os depósitos bancários, o que   do ponto de vista capitalista parece uma enorme incongruência.
A insegurança que tal medida vai trazer aos pequenos aforradores, que têm confiado no sistema bancário da zona euro, é incalculável. O abalo causado nas Bolsas de valores provocou já alguns recuos na aplicação desta tão iníqua medida.
Esta Europa está a necessitar de uma grande volta, uma verdadeira refundação, no sentido da democracia e da solidariedade entre os povos.

20.03.2013
José Joaquim Ferreira dos Santos
Membro da Assembleia Municipal de Matosinhos pelo Bloco de Esquerda

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