24 April 2013

EM DEFESA DE POLÍTICAS DEMOCRÁTICAS



O completo desnorte do governo PSD/CDS manifesta-se no recurso às ameaças para tentar impor os seus desígnios de destruição do estado social, de empobrecimento da sociedade portuguesa e de criação de um exército de mão de obra de reserva, com vista a fornecer trabalhadores baratos aos países do norte da Europa.
O ministro Gaspar ao jeito do que nos anos trinta do século passado Salazar tinha feito, tenta impor uma ditadura financeira, sem se preocupar minimamente com as necessidades e interesses dos portugueses. Esta atitude, a coberto do acórdão do Tribunal Constitucional, visa esconder os falhanços das previsões e das medidas deste ministro e do governo.


São inúmeras as vozes que se levantam contra mais este congelamento que vai contribuir para o aprofundamento da recessão e o aumento do desemprego. Cada vez parece mais certo que os erros cometidos no orçamento Geral do Estado para 2013 não passaram de uma provocação ao Tribunal Constitucional, visando testar a capacidade de resposta e conseguir um álibi.
Com despacho do ministério das finanças o governo nomeou gestor da divida pública João Moreira Rato, que apresenta no currículo a passagem por diversos bancos, os mesmos que estiveram na origem da crise financeira: Goldman Sachs, Lehman Brothers e Morgan Stanley. Este técnico irá auferir o modesto salário de 10.000 euros mensais, com retroactivos a Setembro de 2012. Os restantes vogais, Cristina Casalinhos e António Pontes Correia vão ganhar entre 7 e 8 mil euros mensais. É interessante verificar que o CDS, que nos últimos meses do governo José Sócrates apoiou uma proposta do Bloco de Esquerda para que os salários dos gestores públicos não ultrapassassem o salário do Presidente da Republica, se mantém quedo e mudo. Falar era só  dantes, agora pelos vistos baixos salários são só para os outros.
Por todo o lado continuamos a ouvir as opiniões de individualidades de Catroga a Medina Carreira, que não hesitam em apoiar mais cortes sociais e mais despedimentos, em nome daquilo a que chamam ajustamento financeiro do país. Catroga vai ao ponto de afirmar que a troika devia “obrigar”  o PS a juntar-se ao governo nesta cruzada de malfeitorias.
Finalmente foram nomeados os dois novos ministros e os quatro secretários de estado que vieram substituir Miguel Relvas. Mais uma vez o governo “importou” uma individualidade com currículo académico, vindo do estrangeiro, o que faz supor que é mais um membro do governo com afastamento da realidade do país. Trata-se de um apoiante da candidatura de Cavaco Silva e por isso é gente da casa. Este remendo no governo não vai alterar em nada a situação de incapacidade do mesmo.
A equipa de técnicos da troika volta a estar em Portugal para dar as suas ordens sobre a maneira como o governo deve cortar mais nas despesas de saúde, no ensino, na segurança social e fomentar ainda mais desemprego. Continuam a aplicar sempre a mesma receita, apesar da falta de resultados e perante as criticas de personalidades mundiais de todos os quadrantes políticos.
As informações que Passos Coelho foi revelando não auguram nada de bom como já é costume. A ameaça de cortes nos subsídios de desemprego e de doença, bem como nas pensões, acompanhada de promessas de despedimentos massivos na função pública vão na continuação da destruição da economia do país a que este governo se dedica.


Tentando iludir os portugueses sobre a sua preocupação com a economia, Passos Coelho vem agora acusar a banca de não apoiar as empresas. Mas o estado detém um banco, a Caixa Geral de Depósitos, que poderia ser utilizado precisamente para tal fim  se o governo não tivesse utilizado os fundos emprestados apenas para ajudar a banca privada.
Também esta semana ocorreu a morte da Margaret Thatcher que foi primeira-ministra britânica.
Para além dos habituais panegíricos convém não esquecer que esta senhora juntamente com Ronald Reagan foram responsáveis por levar à prática as teorias neo-liberais e abriram portas a todas as violências financeiras praticadas por entidades como Goldman Sachs e outras. Foi com o Thatcherismo/Reaganismo que se iniciou a desregulação da economia proposta pela escola de Chicago, que cresceu a economia de casino, a mesma que provocou a crise e que levou à situação que vivemos no sul da Europa.
Coube ao governo conservador de Margaret Thatcher a destruição da segurança social e do serviço público de saúde, criados no pós 2ª guerra mundial e do mais avançado que havia, o esmagamento do movimento sindical e a alienação de grande parte do património empresarial público. No seu tempo apodava de terrorista Nelson Mandela, recebia com todas as honras o sanguinário ditador Augusto Pinochet. Em nome dos sacrossantos mercados varriam-se os direitos humanos.
Os elogios prestados por Cavaco Silva são coerentes com o facto do thatcherismo ter sido inspirador da sua  política durante o seu consulado de primeiro-ministro, continuando  com o  actual governo. A estratégia seguida por Passos Coelho vai no mesmo sentido, destruição do estado social, esmagamento dos sindicatos e privatização das empresas públicas, empobrecimento dos trabalhadores retirando-lhes qualquer capacidade reivindicativa.


É indispensável alargar e aprofundar o movimento cidadão que obrigue à queda do governo, a novas eleições que permitam discutir novas políticas mais justas e equitativas com um novo governo capaz de as levar à prática.



16.03.2013                  


José Joaquim Ferreira dos Santos
Membro da Assembleia Municipal de Matosinhos pelo Bloco de Esquerda

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