07 March 2013

O POVO SAIU À RUA


                                                                 

 A despeito das tentativas de desmobilização da manifestação do passado sábado, com afirmações de que as manifestações não mudam nada e que esta teria menor adesão do que a de 15 de Setembro, por parte de alguns comentadores e de alguns patrões, as ruas voltaram a encher de pessoas a protestar contra as medidas da troika e a exigir a demissão do governo.
Foram centenas de milhar de pessoas de todas as idades e diversas condições sociais que na rua mostraram o seu enorme descontentamento, mas também o seu empenhamento em assumir o futuro nas mãos e em defender a Democracia e o Estado Social.




O Povo saiu à rua e mostrou ao governo e à troika um cartão vermelho pela sua acção. Alguns dizem que a manifestação era mais triste do que as anteriores, talvez, mas era indubitavelmente determinada e consciente. As posteriores e habituais questões acerca do número de manifestantes são mesmo uma tentativa de apoucar o seu carácter e não valem mais do que isso.
Contrariamente ao que permanentemente nos é afirmado pelo governo e pelos seus apoiantes, os cortes no estado social e o desemprego não são uma decorrência de qualquer forma de vida acima das possibilidades dos portugueses, mas um objectivo concertado visando uma drástica baixa de salários e um empobrecimento cada vez maior da população.
O grande capital internacional após as aventuras financeiras que levaram a uma crise, a que alguns chamam da miséria da opulência, que fez com que o excesso de capital fictício em circulação fosse de cerca de 46 vezes o valor da produção mundial, tudo faz agora para se recapitalizar, tentando nivelar a vida dos europeus pela dos trabalhadores asiáticos, o que tem implícito o desemprego, o abaixamento de salários e a ruptura da solidariedade intergeracional.
A única saída é a luta para impedir a prossecução destes nefastos desígnios por parte daqueles para quem o trabalho e os trabalhadores são apenas instrumentos para uma maior acumulação de capital.
O governo português funciona não como um poder democraticamente eleito, mas como um governo de ocupação, em nome da troika, sendo estes um grupo de burocratas que representam os interesses do capital financeiro, que impõe por toda a Europa a mesma receita de destruição do estado social e da criação de um exercito de mão de obra de reserva, usando o desemprego e a consequente baixa de salários para níveis incomportáveis, como instrumentos para atingir esses objectivos.
A forma sobranceira como o governo encara os portugueses, a incapacidade de ler os sinais da rua, a falta de sensibilidade social, são características de um governo de ocupação. Isso torna ainda mais urgente a sua demissão e a devolução da palavra ao povo.
Também assistimos às tiradas intelectuais de algumas individualidades como o patrão do Pingo Doce, Sr. Soares dos Santos que considera inúteis as manifestações ao som da Grândola, dando até conselhos aos trabalhadores, mas cuja hipocrisia não o impediu de continuar a deslocalizar os seus lucros para a Holanda.



Outro conselheiro habitual pelas suas intervenções na comunicação social é o banqueiro Ulrich do BPI, que destila o seu ódio a tudo o que são trabalhadores, reivindicações e direitos, mas que vai gozando dos benefícios dos amigos bem colocados. Por isso no Diário da Republica aparecem nomeações de pessoas como Diana Bettencourt Ulrich, familiar deste Snr., funcionária do PSD, requisitada como consultora para a casa civil da Presidência da Republica. Fica tudo em família. Mas, por favor, haja algum pudor.
Quem também não parece aperceber-se do ridículo a que chega é o ex presidente do BCP, Filipe Pinhal que veio dizer que vai presidir a um chamado Movimento de Reformados Indignados (MRI), para lutar pela dignificação dos reformados e contra o pagamento de taxas suplementares sobre os valores da reforma. Este senhor aufere a módica quantia de 70.000 euros por mês de reforma, o que equivale a 160 vezes mais do que a maioria dos reformados. Haja decoro.
A diferença entre os mais ricos e os mais pobres no nosso país aumenta escandalosamente entretanto vemos ser aprovado um referendo na Suíça, em todos os 26 cantões e por mais de 68% de votantes a exigirem ser votados pelos accionistas os salários dos gestores executivos das empresas e mesmo dos membros dos conselhos de administração. Como se sabe a Suíça está longe de ser um país de governação socialista.
As últimas informações vindas a público da Unidade Técnica de Apoio Orçamental (UTAO), dizem-nos que o défice de 2012 pode ter ficado abaixo do limite imposto pelo governo, isto à custa do aprofundar das dificuldades de todos os portugueses e da venda de vários bens públicos. Para 2013 a mesma agência avisa para o perigo de o limite ser ultrapassado dado o retrocesso na recolha de impostos, nomeadamente no IRS.
Como o governo continua a estudar medidas para cortar 4.000 milhões de euros nas despesas do estado social, impõe-se que a luta pelo derrube deste governo continue e se aprofunde pelo bem da manutenção de dignidade, da qualidade de vida e da Democracia.
Voltaremos à rua as vezes que forem necessárias.


     6.03.2013

José Joaquim Ferreira dos Santos
Membro da Assembleia Municipal  de Matosinhos pelo Bloco de Esquerda


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